Winston Churchill: 50 anos depois da morte

Fotografia: Wikimedia Commons

Assinala-se este ano o 50.° aniversário da morte de Winston Churchill, uma das mais importantes figuras políticas do século XX.

Winston Churchill permanece, até hoje, uma das figuras mais admiradas da política contemporânea. Famoso pela irreverência, pelos discursos provocadores e pela extraordinária capacidade oratória, afirmou-se como um inequívoco líder praticamente até à sua morte.

Objeto de várias biografias ao longo do tempos, de entre as quais se destaca Winston Churchill – Uma Vida, do historiador Martin Gilbert, que dedicou uma parte considerável da sua obra ao político, Churchill continua a ser uma figura que intriga e fascina pela sua argúcia e perspicácia, deixando marcas não apenas na política internacional, como sugere a obra A Loucura de Churchill, mas também na cultura popular. O seu humor negro e quase classicamente britânico, documentado em A Sabedoria e o Humor de Winston Churchill, é de resto a mais forte característica dos vários retratos de Churchill em filmes e séries de televisão.

Ao longo da vida, Churchill deixou um traço indelével na sociedade ocidental. Compreendê-lo significa compreender a história política da Europa do século XX, uma história agitada, porém essencial ao entendimento dos conflitos atuais.

Juventude e carreira militar

Winston Churchill nasceu em 1874 em Woodstock, uma pequena localidade no Sul de Inglaterra, no seio de uma família aristocrática. No entanto, foi em Dublin, capital irlandesa, que passou os primeiros anos da vida. E foi através da família, nomeadamente do pai, Lord Randolph Churchill, e do avô, John Spencer-Churchill, que entrou pela primeira vez em contacto com a vida política.

A sua juventude é marcada por constantes altos e baixos: aluno difícil, rebelde, pouco estudioso, o jovem Churchill salta de escola em escola até finalmente optar por uma carreira militar, em 1895. Passou por Cuba, pela Índia e pelo Sudão e, quatro anos depois de entrar ao serviço, demitiu-se e arranjou trabalho como correspondente de guerra para vários jornais da época. As suas viagens por África, nomeadamente na zona oriental, Uganda e Quénia, estão documentadas no livro A Minha Viagem por África, exemplo do registo jornalístico de Churchill nos seus primeiros anos.

Percurso político de um líder nato

É no regresso a Inglaterra que Churchill começa uma carreira política que doravante marcará a sua vida. Inicia o seu percurso no Partido Conservador britânico, em Manchester, e assume vários cargos políticos e militares. É, no entanto, na Segunda Guerra Mundial que a figura de Churchill ganha notória proeminência a nível internacional, ao tomar uma posição pública e crítica face ao regime político de Hitler.

Sobe ao poder como Primeiro Ministro ainda no começo da guerra e é hoje aclamado como uma das figuras centrais na resolução do conflito. A sua obra Memórias da II Guerra Mundial, que lhe garantiu o Prémio Nobel da Literatura em 1953, foi originalmente escrita e publicada em seis volumes e é um dos principais testemunhos políticos daquele que foi talvez o conflito mais trágico e dramático na Europa do século XX.

A despedida

Após a guerra, Churchill continua a participar ativamente na vida política, sendo reeleito para o cargo de primeiro ministro em 1951. No entanto, o seu estado de saúde começa a deteriorar-se, obrigando-o a abandonar a vida política no final da década. Morre em 1965, em Londres, vítima de um enfarte.

A morte de Churchill é um acontecimento ao qual o mundo foi incapaz de ficar indiferente – mais de uma centena de países enviaram representantes àquele que foi um dos maiores funerais de Estado de todos os tempos. Através da televisão, a Europa acompanhou a derradeira despedida a uma figura que alterara o percurso do continente. Cinquenta anos após a sua morte, Winston Churchill continua a influenciar o modo de pensar e de fazer política. Crê-se que continuará assim por anos vindouros.


Por: Inês Melo

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