William Shakespeare: 400 anos após a morte

A 23 de abril de 2016 assinalam-se 400 anos desde a morte de William Shakespeare.
400 anos de incontestável influência marcada por uma obra que sobrevive até aos nossos dias. Desvende algumas das curiosidades acerca do mais aclamado poeta e dramaturgo inglês, autor de Romeu e Julieta.

Poucos foram os registos históricos que perduraram desde o século XVI, tornando a vida de Shakespeare um passado enevoado. A própria cidade natal, Stratford-upon-Avon, nunca é mencionada na sua obra. Por consequência, existem inúmeras teorias em torno do fantasma de Shakespeare. Como conseguiu um só homem criar uma obra tão vasta e brilhante (154 sonetos e 38 peças teatrais)? Uma das hipóteses de resolução do mistério consiste na existência de uma espécie de sociedade secreta de autores que assinava com o nome “William Shakespeare”. Há ainda quem defenda que apenas uma pessoa produziu toda a obra, permanecendo no anonimato. Francis Bacon e Christopher Marlowe são dois dos nomes mais referidos para esta posição.

Quando a arte supera a vida

No entanto, e apesar de todas estas suspeitas, a obra shakespeariana ganhou vida própria e persiste no tempo. Aproximadamente três mil palavras e expressões nasceram nas peças de Shakespeare, fazendo com que Samuel Johnson se tenha baseado no poeta ao compilar o primeiro grande dicionário de língua inglesa. Estamos aqui perante uma autêntica revolução linguística que culminou na ascensão do inglês moderno ao pódio da influência mundial. Daí que se continue a celebrar o dramaturgo com incontáveis adaptações da sua obra ao teatro e cinema.

Páginas que nascem de páginas

Mas porque a indústria criativa não vive só de adaptações, a própria obra de Shakespeare acaba também por influenciar outros clássicos da literatura. Em Moby Dick, de Herman Melville, a personagem Ahab é extremamente semelhante a Lear de Rei Lear. Existe também um paralelismo com Macbeth, na medida em que o decorrer da ação depende de profecias em ambas as obras. Outro exemplo de inspiração shakespeariana está patente em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, uma das maiores referências da literatura distópica. Além do próprio título, retirado de A Tempestade, a obra está repleta de citações de mais de dez peças de Shakespeare, incluindo Hamlet, António e Cleópatra, Júlio César e A Tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza. Porque quando se trata de Shakespeare, difícil é escolher.


Por: Joana Larsen

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