Viajar nas páginas dos livros

Na infância existe um mundo de cores, cheiros doces, sabores e locais a desvendar. Através do simples ato de folhear um livro descobrem-se pessoas, países e cidades distantes que levam as crianças a rumarem ao desconhecido: afinal as letras podem fazer voar a imaginação. Vamos viajar ao sabor do seu Ir e Vir, rumar ao Panamá através do livro Oh que Lindo é o Panamá e revisitar As Viagens de Gulliver.


Por Elsa Garcia

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OH QUE LINDO É O PANAMÁ
Viagem de sonho

A vida de um ursinho e de um tigrezinho sofre uma reviravolta quando aparece a boiar no rio uma caixa proveniente do Panamá e que cheira a bananas. A partir desse momento, o Panamá torna-se o país dos seus sonhos e por isso decidem empreender uma longa viagem para lá chegar.

TALVEZ SE ESCONDA dentro da palavra imaginação a própria magia. Quando estimulada, a imaginação pode levar-nos a uma realidade quase virtual; no seu universo existem caminhos que transportam não só a terras reais como às por nós idealizadas. Oh que Lindo é o Panamá é um livro que se insere nesta descrição, fazendo a apologia de uma prática viva e poética de uma viagem. Escrito por Janosh em 1978, conta-nos a história de como um tigre e um urso viajaram até ao Panamá pelos meandros de uma floresta. A viagem começa na manhã em que se deparam com um caixote a boiar no rio. No seu interior, bananas originárias do Panamá, a terra dos sonhos de ambos. Combinam então que, na manhã seguinte, partiriam à aventura. Pelo caminho encontram uma série de animais com quem vão partilhando o anseio de chegar ao destino. Embora não se trate de uma história passada no Panamá, o livro desperta o desejo de viajar através das aventuras vividas pelas personagens. Durante o trajeto o urso e o tigre encontram-se com a natureza, fazem novos amigos e vivem uma estória. Tal como este, os livros levam-nos a viajar e conduzem-nos a grandes descobertas sobre o mundo e a natureza das pessoas que os habitam: está comprovado que este género literário é muito importante para o desenvolvimento de uma criança. Segundo refere Sofia Menéres, docente e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, “ao viajar por diferentes locais a criança é levada a conhecer outras geografias, fauna e flora, assim como outras culturas, hábitos e modos de viver, pelo que este tipo de literatura constitui um bom motor para o desenvolvimento desse conhecimento”.

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IR E VIR
Isabel Minhós Martins/ Bernardo Carvalho

Baseado na ideia de que na terra não somos os únicos a percorrer grandes distâncias. Viagem pelas viagens de pássaros, mamíferos e peixes ao longo de milhares de quilómetros.

Também são importantes na medida em que transportam as crianças para novos horizontes, pelas diferenças e novidades que os locais descritos apresentam. “Conduzem à descoberta de realidades (físicas e humanas) que se diferenciam de forma mais ou menos marcada da realidade na qual a criança se insere”, acrescenta Sofia. É o caso de Ir e Vir, cuja ideia se baseia em comparar o modo como nos deslocamos no planeta com as grandes viagens dos animais migradores. “Muitas vezes julgamos que apenas nós, humanos, somos capazes de grandes feitos. Mas quando descobrimos os voos da andorinha do oceano Ártico ou da borboleta monarca, ficamos surpreendidos. Elas fazem viagens incríveis e sem impactos negativos no equilíbrio do planeta”, conta a autora.

O livro acaba por ser uma reflexão sobre o modo como vivemos e nos movimentamos, muitas vezes pondo em risco o equilíbrio do planeta, e leva as crianças não só a viajarem com estes animais, como a pensarem desde cedo nestas questões.

ESTE GÉNERO LITERÁRIO acaba por assumir uma multiplicidade de funções que não só são de suma importância para o desenvolvimento das crianças, como se torna atrativo pelo tema em si. Qualquer criança sente apelo por um tema de viagem, pois sabe à partida que implica alargar horizontes, conhecer estilos de vida e deparar-se com novas realidades até então desconhecidas. Segundo Sofia Menéres, “a literatura de viagens, ao apresentar à criança diferentes culturas, hábitos e formas de estar, pode constituir-se como um excelente meio para a criança desenvolver uma capacidade de compreender as perspetivas dos outros e também para refletir sobre os vários modos de acordo com os quais essas diferentes visões se podem coordenar, desenvolvendo o seu raciocínio social”.

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Isabel Minhós Martins

“Quem gosta de ler sabe que não há prazer igual:
mergulhar num livro é dar aos pés e aos braços até chegar a outro continente! “

 

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AS VIAGENS DE GULLIVER
Luísa Ducla Soares/ Alain Corbel

Faz parte do Plano Nacional de Leitura e, por isso, é viagem assídua das crianças. Conta a história do gigante em terra de pequenos.

Uma criança que leia, por exemplo, As Viagens de Gulliver vai certamente entrar num mundo paralelo que a desafiará a percorrer a história. O livro data de 1726 e ficou popular desde o primeiro momento. Jonathan Swift relata-nos as quatro fantásticas viagens que Gulliver fez pelo mundo fora. Povoado por habitantes com menos de 15 cm, Lilliput foi o primeiro país que visitou. Seguiu-se o mundo dos gigantes que encontrou em Brobdingnag. Na ilha Laputa conheceu sábios loucos e no país dos Houyhnhnms encontrou-se com cavalos que dominam os Yahoos. Uma história de aventura que prende crianças e adultos, mas claro que muitas vezes a apreensão depende da forma como as histórias são contadas. É fundamental que suscitem nas crianças um entendimento dos processos ou razões que poderão ter conduzido certos hábitos e culturas a emergir naquele contexto. Segundo refere Isabel Minhós, estes livros “têm aquele condão, não só de nos transportar para um determinado lugar, como de nos fazerem desejar muito ir até lá… São poderosos, portanto!”

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