O Velho e o Mar: Hemingway em banda desenhada

O livro que valeu a Ernest Hemingway o Prémio Nobel de Literatura em 1954 chega-nos agora transposto para uma (deslumbrante) banda desenhada. Já leste O Velho e o Mar?

Será O Velho e o Mar uma resposta de Ernest Hemingway a quem o considerava, no início da década de 1950, um escritor ultrapassado e sem fulgor? Será uma alegoria sobre fé e força de vontade? Ou será apenas a curiosa história de um velho pescador que se vê envolto numa situação extraordinária?

A decisão é tua. Certo, no entanto, é que se trata de uma história que ultrapassou a barreira do tempo e ainda hoje inspira as mais imaginativas mentes.

Como a de Thierry Murat, por exemplo. Com a devida autorização dos herdeiros de Hemingway, este autor e ilustrador francês adaptou livremente o emblemático romance ao formato de banda desenhada. O resultado também se intitula O Velho e o Mar e é um livro imponente, em capa dura, recheado de belas ilustrações que sopram nova vida ao clássico de Hemingway.

Primeiras palavras

“Aqui, quando estás acabado, já não prestas para nada, dizem que estás ‘salao’. É a maneira mais insultuosa de dizer que a sorte te abandonou.”

 

O autor

Thierry Murat é escritor e ilustrador de banda desenhada e livros para jovens. Nasceu em França, em 1966, e antes de se aventurar na adaptação de Ernest Hemingway, escreveu histórias sobre músicos americanos como Bob Dylan ou Woody Guthrie.

 

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UMA ADAPTAÇÃO FIEL AO ORIGINAL

“A pele, o cabelo, as recordações, tudo nele era velho. Exceto o seu olhar, que ainda brilhava como um sol que bate na crista das ondas.” Assim é descrito Santiago, o experiente pescador que protagoniza O Velho e o Mar na versão de Thierry Murat.

O francês, um pouco mais lírico nas palavras do que o eternamente conciso Hemingway, segue fielmente o enredo original da história: um velhote cubano lança-se ao mar num pequeno barco e tenta pescar um gigantesco espadarte. A intensa luta é intervalada por um sentido diálogo – ou talvez monólogo – com o peixe que eventualmente ganha o respeito de Santiago. E até o próprio Ernest Hemingway surge, a certa altura, em conversa com o rapaz responsável pela narração.

As imagens de Murat contam a sua própria história, mas deixamos-te abaixo alguns dos momentos altos do texto. Para aguçar a curiosidade.

Enquanto continuares assim, peixe, não poderei fazer nada por ti e tu nada poderás fazer por mim. Agora estamos presos um ao outro! Ficarei contigo até morrer. E até tu morreres também…

Se não estás cansado, peixe, é porque és mesmo um tipo estranho. Ou tens uma ideia qualquer nessa cabeça… Ou então, tal como eu, fazes a primeira coisa que te ocorre. Talvez nós os dois sejamos parecidos… Mas sabes, peixe, mesmo que sejas meu irmão, és de tal forma extraordinário que tenho de te matar.

Felizmente, não somos obrigados a matar todas as coisas extraordinárias… Felizmente, não somos obrigados a matar a Lua ou as estrelas, para lhes roubar a luz. Talvez, um dia, os homens metam na cabeça a ideia de ir matar o Sol… Quem sabe?

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