Do Quarto de Jack para o Prodígio da fome

O Prodígio

 


Um livro para…
Leitores apaixonados por romances históricos e mistérios do início ao fim.

Primeiro parágrafo
“A viagem não foi pior do que ela esperava. Um comboio de Londres para Liverpool; o trajeto noturno até Dublin no barco a vapor; um lentíssimo comboio de domingo, via oeste, com destino à aldeia de Athlone.”

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Deixemos o século XXI e viajemos com Emma Donoghue até à Irlanda do século XIX. Se o livro O Quarto de Jack nos apaixonou pela escrita da autora, O Prodígio mostra-nos uma impressionante busca pela verdade numa realidade dominada por fome, doença e fanatismo religioso.

Depois de O Quarto de Jack, O Prodígio mostra-nos uma vez mais o talento para contar histórias de Emma Donoghue. Há verdade nos pormenores históricos do livro, mas talvez uma mentira na história que uma das personagens conta. Qual será a razão?

O livro

Numa pequena vila irlandesa, Anna O’Donnell, uma rapariga de 11 anos, diz não comer desde o seu aniversário, há quatro meses. Os médicos estão incrédulos, porque a jovem permanece saudável, não exibindo qualquer sequela da greve de fome. Para uma parte da população, o caso de Anna é um milagre; para os mais céticos, não passa de uma intrujice que precisa de ser desmitificada. Por isso, Libby Wright, uma enfermeira que vive em Londres, é contratada para vigiar a jovem durante um par de semanas, de modo a desvendar o mistério que está por detrás da fome de Anna.

O Prodígio é um livro com um enredo repleto de personagens misteriosas, onde a dicotomia verdade/mentira está sempre presente. A obra aborda também temas como fanatismo religioso – através de Anna – e sexismo – através de Libby.

A autora

Emma Donoghue começou a contar histórias aos 23 anos e, desde então, nunca mais parou. Nasceu a 24 de outubro de 1969, na cidade de Dublin, na Irlanda, onde viveu durante 20 anos. Eventualmente foi para Inglaterra estudar, em Cambridge, e em 1998 mudou-se para o Canadá, onde vive com os seus dois filhos.

Dedicou grande parte da vida à escrita de romances históricos como The Sealed Letter, mas também livros de contos como Astray e romances contemporâneos como Hood. Este último valeu-lhe a distinção, aos 28 anos, com o American Library Association’s Gay, Lesbian and Bissexual Book Award.

No entanto, foi mais recentemente, em 2010, que atingiu um novo nível de reconhecimento, graças ao romance O Quarto de Jack, que além de ser nomeado para o Man Booker, um dos mais importantes prémios literários do mundo, foi adaptado ao cinema num filme que contou com a própria Emma Donoghue como argumentista, papel pelo qual foi nomeada a um Óscar.

O gancho

O Prodígio é o muito aguardado novo livro de Emma Donoghue depois do sucesso que O Quarto de Jack experienciou nas livrarias – e nos cinemas, onde foi nomeado para quatro Óscares, vencendo um. A história do seu mais célebre romance foi inspirada no caso real de Josef Fritzl, mas em O Prodígio a autora apresenta-se num registo diferente, pegando na realidade irlandesa do século XIX com um enredo completamente inesperado.


Por: Ana Catarina Pinto

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