A Torre Negra em 5 curiosidades

São oito os livros que compõem a mais audaciosa saga de Stephen King. Acabada de ser adaptada ao cinema, A Torre Negra permanece uma das fantasias negras mais extraordinárias da literatura.


torre-negra-pistoleiro

 

A-Escolha-dos-Tres

 

As-Terras-Devastadas

 

O-Feiticeiro-e-a-Bola-de-Cristal

 

Os-Lobos-de-Calla

 

A-Cancao-de-Susannah

 

A Torre Negra VII

 

A-Lenda-do-Vento

A Torre Negra une os vários mundos de Stephen King

É tão diversa a obra de Stephen King que se misturam narrativas realistas com elementos tão distintos como hotéis assombrados, palhaços assustadores, viagens pelo tempo e adolescentes com capacidades paranormais. A unir todos estes aparentemente incompatíveis mundos está A Torre Negra, uma saga assumidamente fantástica, protagonizada por um pistoleiro, Roland Deschain, que tem a obsessão de alcançar a misteriosa Torre Negra.

A acompanhá-lo nesta tarefa está um grupo – o seu ka-tet – composto, entre outros, por um rapaz de 11 anos, um ex-toxicodependente e uma mulher com dupla personalidade, todos oriundos de Nova Iorque em períodos temporais distintos. Mas também fazem parte da saga personagens de outros livros de King, como o Padre Callahan (A Hora do Vampiro), Randall Flagg (The Stand) ou o Rei Rubro (Insónia). E até o próprio Stephen King surge a certa altura no enredo.

“Escrevi contos e romances suficientes para encher um sistema solar de imaginação, mas a história de Roland é o meu Júpiter – um planeta que diminui todos os outros, um lugar de atmosfera estranha, paisagens loucas e uma atração gravitacional selvagem”, explicou um dia Stephen King. “Começo a compreender que o mundo (ou mundos) de Roland contém, na verdade, todos os outros que criei.”


A saga foi inspirada em O Senhor dos Anéis

Não será propriamente uma surpresa, tendo em conta que a maior parte das grandes sagas literárias de fantasia – As Crónicas de Gelo e Fogo, por exemplo – foi influenciada pela ficção de J. R. R. Tolkien.

No que diz respeito à Torre Negra, Stephen King recorda que, na sua juventude, O Senhor dos Anéis era “extraordinariamente popular” e que, embora não lhe interessassem “as personagens de camponeses robustos de Tolkien” ou “os cenários de bosques escandinavos”, atraiu-lhe a ideia de demanda.

“Os livros da Torre Negra, tal como a maior parte dos livros de fantasia escritos por homens e mulheres da minha geração (The Chronicles of Thomas Covenant, de Stephen Donaldson, e A Espada de Shannara, de Terry Brooks, são apenas dois títulos, entre muitos outros), nasceram do romance de Tolkien”, admite.


Também foi inspirada em O Bom, o Mau e o Vilão

Nem só de fantasia ou de inspirações literárias nasceu A Torre Negra. O clássico cinematográfico O Bom, o Mau e o Vilão, um western de 1966 realizado por Sergio Leone, desempenhou um importante papel no desenvolvimento do tom da saga de Stephen King.

Recorda o autor: “Ainda antes de o filme ter chegado ao meio, percebi que o que queria escrever era um romance que tivesse o espírito de demanda e a magia de Tolkien, mas inserido no contexto quase absurdamente majestoso do western de Leone.”

Na verdade, Roland Deschain, o protagonista de A Torre Negra, foi diretamente baseado no personagem que Clint Eastwood interpreta neste filme e que tanto impressionou Stephen King: “Clint Eastwood parecia medir uns cinco metros e cada pelo espetado da sua barba parece aproximadamente do tamanho de uma árvore de pau-rosa.”


O título nasceu de um poema

Começou por ser uma balada escocesa, de origem tão incerta como qualquer conto de fadas. William Shakespeare fez-lhe depois referência em O Rei Lear. E, já em 1855, Robert Browning transformou-o num poema – “Childe Roland à Torre Negra Chegou” – e incluiu-o na sua coleção Men and Women. Foi aqui que Stephen King se baseou para decidir não só o título da saga, mas também o nome do seu protagonista.

“Browning nunca explica o que é a torre, mas baseia-se numa tradição ainda mais remota sobre Childe Roland, perdida na antiguidade. Ninguém sabe quem a escreveu e ninguém sabe o que é a Torre Negra”, disse King numa entrevista. “Por isso eu comecei a pensar: o que é esta torre? O que significa? E decidi que todos guardam no coração uma Torre Negra que querem descobrir.”

Pedi o esboço de uma visão antiga, mais feliz
Para que bem conseguisse desempenhar o meu papel.
Pensar primeiro, lutar depois: eis a arte do soldado:
Um toque de outros tempos tudo pode consertar.

– Robert Browning, “Childe Roland à Torre Negra Chegou”

Stephen King não planeou antecipadamente o final da saga

O Pistoleiro, primeiro volume da saga, foi escrito entre 1978 e 1981, e publicado em 1982. A Torre Negra, o sétimo e último volume – se excluirmos A Lenda do Vento, cronologicamente situado entre o quarto e o quinto –, apenas chegou às livrarias em 2004, mais de vinte anos depois. Ao longo de todo este tempo, Stephen King foi abordado por leitores que queriam que o autor lhes desse algumas luzes sobre o desfecho da saga.

Recorda King: “Em 1998, recebi uma missiva de uma ‘Avozinha de 82 anos, não quero incomodá-lo com os meus problemas, mas estou muito doente’. A avozinha dizia-me que provavelmente só tinha um ano de vida (‘14 meses, na melhor das hipóteses; tenho um cancro espalhado pelo corpo todo’) e que, apesar de não estar à espera que eu terminasse a história de Roland em tão pouco tempo apenas por sua causa, queria saber se eu podia contar-lhe, por favor, como acabava. A linha que me partiu o coração foi a sua promessa de ‘não contar a ninguém’. Um ano mais tarde, uma das minhas assistentes recebeu uma carta de um tipo que estava no corredor da morte no Texas ou na Flórida e que queria saber precisamente o mesmo, como a saga terminava. (Prometeu levar o segredo com ele para o túmulo, o que me provocou arrepios.) Eu teria dado a ambos o que eles desejavam – um resumo das próximas aventuras de Roland – se pudesse fazê-lo. Mas a verdade é que não podia. Eu não fazia ideia do que iria acontecer ao pistoleiro e aos amigos dele. Para saber, tenho de escrever.”


Por: Tiago Matos

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