Tom Hanks e 5 outros atores que também são autores

tom-hanks-revista-estante-fnac

É uma máxima tantas vezes repetida que já se tornou praticamente um provérbio: toda a gente adora o Tom Hanks.

Aos 61 anos, este ator americano – filho de uma luso-descendente – tem vindo a conquistar o epíteto de “sujeito mais simpático de Hollywood”, aliando aos pés bem assentes no chão um talento que já o levou a vencer dois Óscares – num total de cinco nomeações – pelas sentidas interpretações em Filadélfia e Forrest Gump. Isto sem contar com o trabalho desenvolvido para a televisão, onde produziu sucessos como From the Earth to the Moon e Irmãos de Armas.

Mas parece que Tom Hanks é mais do que um bom homem e do que um bom ator: também é um bom escritor. Pelo menos é o que depreendemos do seu primeiro livro, Papéis Diferentes, uma coleção composta por 17 contos de ficção que têm um único elemento em comum: máquinas de escrever. É que Tom Hanks é um ávido admirador – e colecionador – destes objetos, afirmando utilizá-los quase todos os dias. Chegou inclusive a lançar uma app gratuita para iOS que visa simular a experiência de usar uma máquina de escrever.

Mas nem só de máquinas se faz Papéis Diferentes. O livro é um exercício criativo tão versátil como a filmografia do próprio Tom Hanks: encontramos nele contos cómicos e contos dramáticos, personagens que se repetem, diferentes fontes, curiosos pantogramas (“Que bancos fúteis lhe pagavam queijo e whisky com xadrez?”), uma história em formato de guião (“Fiquem connosco”) e interlúdios que são, na verdade, pedaços de um jornal.

Quando se é assim tão diverso, é natural que nem todos os contos agradem a todos os públicos, mas o primeiro livro de Tom Hanks merece o maior elogio que se lhe pode dar: é um bom livro até para quem não for fã da sua carreira como ator.

Dito isto, o protagonista de O Náufrago e O Resgate do Soldado Ryan não é o único ator a aventurar-se com sucesso no mundo dos livros. Mesmo excluindo autobiografias (como Os Diários da Princesa, de Carrie Fisher), ensaios (como O Amor nos Tempos Modernos, de Aziz Ansari) e livros infantojuvenis (como O Livro Sem Bonecos, de B. J. Novak), lembramo-nos de outros intérpretes famosos com um jeitinho especial para a escrita.

Ela não andava à procura de uma máquina de escrever velha. Não precisava de nada e não queria mais bens, novos, usados, antigos, nada de nada. Jurara dar a volta aos seus recentes reveses a nível pessoal com uma era de vida espartana: um novo minimalismo, uma vida que coubesse no seu carro.

Hugh Laurie

O homem que muitos conhecem como Dr. House, da série televisiva com o mesmo nome, mas que muito antes disso já encantava audiências com os hilariantes desempenhos em séries como Jeeves and Wooster, Blackadder e A Bit of Fry and Laurie, é também um romancista bastante competente. Publicado em 1996, O Traficante de Armas é um thriller protagonizado por um polícia que é contratado para assassinar um homem. O livro foi bem recebido e uma sequela poderá ser publicada já em 2018. Aguardemos.


David Duchovny

Há quem não consiga deixar de ver em David Duchovny a encantadora inocência de Fox Mulder em Ficheiros Secretos. Outros reconhecê-lo-ão mais pelo cinismo de Hank Moody em Californication. Seja como for, podemos concordar que é um ator com uma irreverência muito própria. Foi precisamente esta sua faceta que transpôs para o seu primeiro romance, protagonizado por uma vaca – isso mesmo – que decide escapar da quinta onde vive, juntamente com um porco recentemente convertido ao judaísmo e um peru incapaz de voar.


Steve Martin

Quando leu Papéis Diferentes, Steve Martin comentou: “Parece que Tom Hanks é também um escritor sábio e hilariante com uma mente muitíssimo brilhante. Raios!” Na verdade, o intérprete de comédias como O Tonto, Três Amigos e O Pai da Noiva não tem muito que invejar, já que ele próprio é um romancista de sucesso, como prova esta novela publicada em 2000, sobre uma mulher solteira e depressiva que se vê no centro de um triângulo romântico. A história foi posteriormente adaptada ao cinema pelo próprio Steve Martin.


Michael Palin

Todos os Monty Python eram, além de bons intérpretes, escritores geniais, por isso não surpreende que alguns continuem a escrever. Mas se nomes como John Cleese preferem passar as memórias para papel, Michael Palin preferiu criar novas memórias e tornar-se uma referência como escritor de livros de viagem. O que não significa que não dê também um saltinho à ficção, como nesta história sobre um homem que parte para a Índia a fim de escrever a biografia de um célebre ativista.


Woody Allen

E agora algo completamente diferente: uma coleção de três peças (“Riverside Drive”, “Old Saybrook” e “Central Park West”) que têm como principal elemento em comum o tema da infidelidade. É ficção à moda de Woody Allen, o que significa que inclui muita da bizarra realidade deste ator, realizador e argumentista. Também de Allen, outra boa opção de leitura na área de ficção é Pura Anarquia, uma coleção que reúne 18 contos com o humor simultaneamente absurdista e perspicaz do autor.

OUTROS ATORES QUE TAMBÉM SÃO AUTORES


elixir

Elixir

Hilary Duff

The-Hippopotamus

The Hippopotamus

Stephen Fry

indeh

Indeh

Ethan Hawke

Palo-Alto

Palo Alto

James Franco
Por: Tiago Matos
Fotografias: Facebook oficial dos atores

Gostou? Partilhe este artigo: