Thor: A Mudança de Cromossoma

Quando as super-heroínas tomam as rédeas da paz do mundo (deste e dos outros), há os que reclamam e os outros que aplaudem. Opiniões à parte, a Marvel anunciou, já este ano, a criação do alter-ego do herói do martelo, desta vez em versão feminina e com tudo a que tem direito. Thor, agora, é ela. E promete dar conta do serviço, sem medo de partir uma unha.

GIGANTES DO GELO, PREPA REM-SE:
Asgard contratou uma nova defesa. E usa saias, cabelo comprido e um martelo com poderes thorespeciais. Thor, és tu? Quase! Pela primeira vez em 50 anos, desde o lançamento da banda desenhada do herói do martelo, o Deus Vingador da Marvel vai ser protagonizado por uma mulher. Isso mesmo, uma mulher. Acalmem-se os espíritos mais conservadores porque o herói de barba rija— o original — não vai arrumar o martelo. Jason Aaron, argumentista de Thor, garante que há espaço para ambos e que a criação de uma personagem feminina já estava nos seus planos desde a publicação, em 2012, da série God of Thunder. Para Aaron esta não será uma mudança na história, apenas uma evolução necessária. “Terá uma linha diferente de todas as outras e não pretende ser um caso isolado ou uma realidade alternativa, antes uma nova versão de Thor no universo Marvel”, explicou em entrevista a este site de banda desenhada.

Para já, pelo pouco que a dupla avançou, os fãs podem contar com um argumento emocionalmente desafiante e uma deusa Viking com um certo mau feitio e a quem não falta força, coragem e um martelo mágico para varrer (não há outra forma de dizê-lo) não só os Gigantes de Gelo como todo um novo gangue de vilões e elfos maquiavélicos, criados especialmente para esta série. O seu aparecimento acontecerá no seguimento de uma cena do filme Thor, em que o herói é banido de Asgard, deixando espaço para a estreia da versão feminina. No entanto, há um aspeto do argumento que continuará no segredo dos deuses: a identidade da nova personagem, mantendo a linha do original que, ainda hoje, 50 anos passados desde o seu “nascimento”, continua sem saber quem é.

whatifA história, para já, não está pensada para ser adaptada ao cinema, ficando-se exclusivamente — e por tempo indeterminado— pelas páginas de banda desenhada. Talvez porque não haja, na história do cinema, sucessos de bilheteira com filmes de super-heroínas. Ou talvez seja porque o público ainda não está preparado para aceitar que uma mulher seja responsável pela salvação da Humanidade. Uma questão de género O que nos leva a retomar a questão antiga (e inexplicável) que atormenta os aficionados desta temática: porque é que Hollywood insiste em ignorar as super-heroínas? O motivo pode ser justificado pelo falhanço consistente dos poucos títulos protagonizados por mulheres que chegaram ao cinema. O primeiro, Wonder Woman, de 1984, foi, na altura,arrasado pela crítica. Embora não seja uma opinião consensual, a verdade é que os dois títulos que se seguiram, Catwoman,em 2004, com Halle Berry, e Elektra (um spin-off de Daredevil, protagonizado por Jennifer Garner), em 2005, tiveram o mesmo destino, tendo sido atirados de forma embaraçosa para a tabela dos piores filmes da História. E já se sabe, em equipa que perde não se volta a apostar. Não em Hollywood. Muitos apontam o dedo à escolha das atrizes. Por serem demasiado bonitas e, por isso, criarem uma distração que não acontece com protagonistas masculinos — importa referir que a esmagadora maioria de consumidores de banda desenhada de super-heróis são homens entre os 15 e os 35 anos. Outros queixam-se de sexismo cinematográfico, argumentando que a fraca aceitação de alguns títulos com personagens principais masculinas, como Hulk, nunca condicionaram a indústria, que se mostrou sempre disponível para investir no segmento dos super-heróis, homens com H grande. Vejamos o caso de Wolverine, da série X-Men, e que ganhou vida no cinema e de forma independente, não uma mas duas vezes — à semelhança do que aconteceu com Iron Man, Captain America e Thor, que chegaram ao cinema muito tempo antes da estreia em cinema do Blockbuster Avengers e que continuam a dar vida, cada um, às suas sagas à velocidade deum episódio novo a cada dois anos. Então e onde fica Black Widow, a destemida heroína-vilã protagonizada por Scarlet Johansson? Não merecia, também ela,um título individual?

Enquanto a discussão não chega a bom porto, e agora que a banda desenhada está prestes a ganhar nova força, importa relembrar outras personagens femininas que já mostraram merecer saltar das páginas de banda desenhada para as salas de cinema.

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BLACK WIDOW
Já foi vista como Avenger e como Agente SHIELD. Tem um passado misterioso como assassina do KGB, muitas vezes reprovado pelos seus companheiros, mas orgulha-se de não falhar uma missão. É implacável e certeira.

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MYSTIQUE

Estreou-se na série Ms. Marvel mas ficou conhecida no grande ecrã com a saga X-Men. Se não se está a situar, é aquela personagem azul que consegue alterar a sua própria forma adaptando-se à de outras pessoas, sendo aquilo a que no universo da banda desenhada se chama shapeshifter. Costuma fazer o papel de vilã mas, quando quer, sabe ajudar.

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 BATGIRL

Apesar de o nome dar azo a uma certa infantilização da personagem, é inegável a rebeldia do alter-ego de Barbara Gordon. Quando o pai dela a proíbe de se juntar à polícia, Batgirl decide combater o crime em Gotham City com as suas próprias mãos, fazendo uso de conhecimentos forenses e tecnológicos extraordinários e, claro, com ajuda do seu Batcycle.

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CAPTAIN MARVEL

Carol Danvers foi apresentada como Ms. Marvel, embora recentemente tenha mudado o nome para Captain Marvel, um título que lhe atribui mais poder e uma ligeira neutralidade de género. Com experiência militar e um passado de sucesso na CIA, foi criada
como sidekick do Captain America (embora no cinema esse facto seja deliberadamente omitido).

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