The High Mountains of Portugal: um livro made in Portugal

O novo livro de Yann Martel tem lugar em Portugal e representa o culminar de uma ideia que o perseguiu durante anos.

The High Mountains of Portugal

Um romance em três partes

1904

Um jovem chamado Tomás recebe do tio um dos primeiros automóveis do país e viaja para o Norte de Portugal em busca de um valioso crucifixo.

1938

Eusébio, um médico patologista que adora policiais de Agatha Christie, vê-se ele próprio envolto num mistério quando conhece uma estranha mulher.

1981

Um senador do Canadá, em luto pela perda da mulher, compra um chimpanzé e muda-se para Portugal, até que descobre uma mala com um segredo antigo.

Há qualquer coisa em Portugal que fascina o canadiano Yann Martel, autor do célebre A Vida de Pi, desde que se decidiu a enveredar pela escrita. Talvez se deva ao facto de ter nascido aqui tão perto, em Salamanca, Espanha. Isto apesar de, ao longo da vida, ter circulado um pouco por todo o mundo.

Seja qual for a razão do fascínio, a ideia de situar um livro em Portugal surgiu-lhe pela primeira vez quando ainda frequentava a universidade. “Incluía um crucifixo, uma busca, um animal – um cão falante – e um lugar em Portugal. Mas eu era demasiado jovem, demasiado inculto na arte da escrita para a conseguir levar a bom porto. O doente morreu na mesa de operações, por assim dizer”, recorda Martel que, apesar disso, permaneceu com o país na cabeça.

É aqui que se situa o seu primeiro romance, intitulado Self, sobre um jovem escritor que acorda um dia no corpo de uma mulher. Mas o esforço não se revelou suficiente para o autor que, anos mais tarde, viajou para a Índia determinado a escrever um novo livro passado em terras portuguesas. Acabou por mudar de ideias e investiu antes na escrita de A Vida de Pi, o seu maior sucesso até hoje, mas manteve a intenção de um dia retornar à ideia original.

O resultado surge agora, em 2016, sob o título de The High Mountains of Portugal, um livro em três partes que inclui muitos dos elementos inicialmente pensados por Martel. “Comecei a escrevê-lo e partes daquele romance precoce deram-se a conhecer de forma arqueológica. Mas também surgiram novos componentes”, explica. Percorrendo grande parte do século XX, o livro é um exemplo de persistência mas também do efeito que certos lugares exercem em algumas mentes criativas.


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