Terramoto de 1775: os livros que abalaram Lisboa

Imagem: Wikimedia Commons

No primeiro dia de novembro de 1775, Lisboa foi sacudida por um dos sismos mais devastadores de sempre. O trágico evento continua ainda hoje a ser recordado nas palavras de vários escritores.

 


A Ira de Deus

Edward Paice

Casa das Letras

Um enorme terramoto, seguido por um incêndio que se espalhou por grande parte de Lisboa e, por fim, um maremoto. Assim se destruiu quase por inteiro a capital portuguesa, na época tida como uma das cinco maiores cidades da Europa. A calamidade marcou também um ponto de viragem no pensamento europeu: o fim do otimismo e o início da exploração científica. Se até aí os terramotos eram vistos simplesmente como um ato de Deus, passam a partir de então a ser estudados, questionados e, tanto quanto possível, prevenidos. É esta perspetiva da tragédia que Edward Paice explora neste livro, socorrendo-se para o efeito de vários diários e registos da época.


O Pequeno Livro do Grande Terramoto

Rui Tavares

Tinta da China

Neste livro, eleito melhor ensaio de 2005, Rui Tavares explica o terramoto de 1775 sob vários pontos de vista. Começa por comparar a catástrofe – e particularmente a sua influência histórica – a outros grandes acontecimentos mundiais, como o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque e o tsunami de 2004 no Sudeste Asiático. Imagina, em seguida, como seria Lisboa se o sismo nunca tivesse ocorrido. Passa depois à contextualização e rescaldo do acidente, abordando questões como, por exemplo, o impacto que teve na fé nacional.


O Terrível Terramoto da Cidade que foi Lisboa

Arnaldo Pinto Cardoso

Alêtheia Editores

Em 1755, o italiano Filippo Acciajuoli ocupava a posição de núncio apostólico (representante diplomático da Santa Sé) em Portugal. Depois do terramoto, coube-lhe enviar, todas as semanas, cartas para Roma a dar conta da situação. Neste livro, Arnaldo Pinto Cardoso faz a recolha e a tradução para português de toda esta correspondência, entretanto colocada no Arquivo Secreto do Vaticano. O resultado é um olhar na primeira pessoa ao impacto provocado pelo sismo.


O Terramoto de 1755 – Impactos Históricos

AA. VV.

Livros Horizonte

Organizado por Ana Cristina Araújo, José Luís Cardoso, José Vicente Serrão, Nuno Gonçalo Monteiro e Walter Rossa, reúnem-se neste livro 39 textos originalmente apresentados em 2005, num colóquio internacional em Lisboa, que teve como tema o terramoto de 1755. A multiplicidade de opiniões recolhidas ajuda a compreender melhor as várias áreas sobre as quais o sismo teve impacto na sociedade portuguesa da época.


O Terramoto de Lisboa e a Invenção do Mundo

Luís Rosa

Editorial Presença

Baseando-se nos factos históricos mas acrescentando-lhes uma certa dose de ficção, Luís Rosa centra este livro na figura de Eugénio dos Santos e Carvalho, o arquiteto que ficou responsável pela reconstrução de Lisboa após o terramoto. A partir deste, e através das palavras de um padre chamado Serafim Melícias, a narrativa explora o rescaldo da catástrofe e o processo que levou Lisboa a reerguer-se das cinzas.


O Dia do Terramoto

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Editorial Caminho

Também no ramo da literatura de ficção, mas direcionado para o público infantojuvenil, encontra-se este livro da dupla de autoras responsável pela coleção Uma Aventura. Em O Dia do Terramoto, um cientista é incumbido pela Associação Internacional de Viagens no Espaço e no Tempo de regressar no tempo para estudar o terramoto de Lisboa. O cientista opta por levar consigo duas crianças, Ana e João, mas estas rapidamente se veem num dilema: deverão prevenir as pessoas da tragédia ou arriscar-se-ão a interferir na História se mudarem o destino de alguém? Uma aventura envolvente e útil para os mais novos aprenderem como se vivia em Lisboa, no final do século XVIII.


Por: Tiago Matos

Gostou? Partilhe este artigo: