Em Revelação: Polvo

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Podia ter sido Primata, mas acabou por se chamar Polvo. Criada em 1997, atinge este ano a maioridade e é já uma das principais editoras de banda desenhada em Portugal.

Lançou-se no mercado ainda no século XX, com a publicação de Época Morta e (à Suivre) e a série Loverboy, de Marte e João Fazenda. Tudo aos quadradinhos, ou não fosse a banda desenhada a especialidade da Polvo.

Segundo Rui Brito, fundador e atual responsável, a editora foi criada com o objetivo de “publicar autores portugueses da nova geração, uma vez que na altura não havia um sítio que o fizesse de forma regular”. Entretanto chegou a Internet, e com esta uma infinidade de plataformas de publicação, mas a missão manteve-se inalterada. Hoje, “a Polvo é a editora que tem o leque mais alargado de autores portugueses, tanto que, se formos ao nosso catálogo, encontramos praticamente todos os autores portugueses recentes que tenham produção digna de registo, nomes como José Carlos Fernandes, Miguel Rocha, João Fazenda, Paulo Monteiro ou Joana Afonso”.

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“A polvo tem um núcleo de seguidores que procura estar sempre a par do que vamos fazendo.”

Rui Brito

O Reconhecimento

Muitos títulos da Polvo acabam editados no estrangeiro. “Por exemplo, O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias, de Paulo Monteiro, é o livro de banda desenhada de um autor português mais traduzido no estrangeiro. Tu És a Mulher da Minha Vida, Ela a Mulher dos Meus Sonhos, de Pedro Brito e João Fazenda, está editado em Itália, Polónia e França. Cidade Suspensa, de Penim Loureiro, teve uma edição direta em inglês, além de português.”

Não obstante, a Polvo também sentiu a crise. “Edita-se mais mas as tiragens diminuíram, logo vende-se menos. Se compararmos proporcionalmente, se calhar vendemos hoje menos livros do que quando começámos. Mas na altura também não havia tanta oferta. Certo é que a Polvo tem um núcleo de seguidores que procura estar sempre a par do que vamos fazendo e compra as nossas edições. Senão também não compensava estar a publicá-las.”

A editora aproveita festivais como o AmadoraBD ou o Festival Internacional de Beja para agradecer a atenção dos leitores. E receber prémios, ou não tivesse já vencido – várias vezes – o reputado Prémio Nacional de Banda Desenhada.

O Brasil aqui tão perto

Nem só de banda desenhada vive a Polvo. A editora também publica poesia – “embora a poesia esteja pelas ruas da amargura em Portugal” –, contos, ensaios e livros infantis. “Mas é uma percentagem muito reduzida do catálogo de 104 ou 105 títulos editados até ao momento.” Mais significativa é a recente aposta em autores brasileiros, com a edição de álbuns como Morro da Favela, de André Diniz, ou Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho. “Já temos seis títulos editados e este ano contamos editar mais uns poucos”, isto além de novidades de autores portugueses – uma das quais Volta, de André Oliveira e André Caetano –, reedições e livros infantis.


 

Fotos: David Clifford 4SEE

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