Socorro, tenho um filho adolescente!

A adolescência pode ser uma fase complicada para toda a família. Conheça alguns dos melhores livros para guiar os seus filhos nessa nova fase da sua vida.

Crescer não é tarefa fácil, nem para pais nem para filhos. Para estes últimos, as mudanças naturais da adolescência afiguram-se incompreensíveis e difíceis de aceitar. O corpo muda, a cabeça acompanha (ou não) a um ritmo variável e o mundo apresenta-se como um sítio diferente, por vezes hostil. Embora conheçam bem essa fase terrível – e saibam que, mais tarde ou mais cedo, ela acaba por amainar – torna-se difícil para os pais reconhecerem nestes seres em mudança as crianças felizes que viram chegar até ali.

Os livros podem ajudar os adolescentes a responder às questões mais difíceis de esclarecer, a enfrentar problemas outrora desconhecidos e a compreender novas emoções que surgem. E desengane-se quem acha que a literatura juvenil é “coisa para miúdos” – é um género amplamente apreciado por uma larga camada etária e, da mesma forma que apoia os mais novos na descoberta do seu caminho, também ajuda os mais velhos a acompanhá-los no percurso.

Crescer com a literatura: a adolescência em palavras

À Espera no Centeio, de J. D. Salinger, é talvez o mais conhecido e aclamado livro de transição da infância para a idade altura. Publicado em 1952, apresenta-nos Holden Caulfield, em simultâneo o protagonista mais amado e odiado da literatura contemporânea – assim como uma das suas figuras mais polémicas. Caulfield, adolescente atribulado, relata-nos as suas vivências como jovem nos anos 50, abordando temas como a sexualidade, a angústia, o crescimento e a natural crise de identidade que ocorre neste período.

Os pais poderão também conhecer um livro que fez parte das leituras de adolescência de gerações, um clássico que não pode ficar de parte, obrigatório na lista de leituras dos seus filhos: os diários de Adrian Mole, da autora britânica Sue Townsend. Começando com O Diário Secreto de Adrian Mole aos 13 Anos e ¾, cedo percebemos que Adrian é um adolescente como qualquer outro, cujas crises existenciais se dividem entre amores não correspondidos, borbulhas que teimam em aparecer nos piores momentos, problemas familiares e mil e uma outras preocupações que povoam a mente de milhões de jovens pelo mundo fora. Embora situado num tempo e espaço específico (a Inglaterra dos anos 80), as aventuras de Adrian Mole continuam a fascinar gerações pela verosimilhança e, acima de tudo, pela dimensão cómica das narrativas de Townsend, que mostram como por vezes devemos procurar relativizar os problemas.

É também em meados dos anos 80 que Bret Easton Ellis publica a sua primeira obra, Menos Que Zero, sobre um grupo de adolescentes e as suas aventuras no submundo das drogas e álcool de Los Angeles. É um romance sobre a dificuldade em crescer, o progressivo isolamento, a sensação de não pertencer e a incapacidade de reconhecer aqueles que outrora se julgavam próximos.

No panorama português, A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez, é um dos principais marcos da literatura juvenil. Publicado pela primeira vez em 1994, a obra de Gonzalez tem passado de geração em geração e é um poderoso testemunho sobre os efeitos da toxicodependência entre os jovens, a dor e a experiência de luto.

Adaptações ao cinema e adaptações às mudanças

A indústria cinematográfica permitiu, nos últimos anos, trazer à ribalta alguns romances do género coming of age que de outra forma passariam despercebidos no mercado literário português. Um destes exemplos é The Perks of Being a Wallflower do norte-americano Stephen Chbosky, cuja adaptação ao grande ecrã proporcionou à obra uma ainda maior popularidade no mercado internacional e uma nova atenção entre os jovens (e adultos) portugueses. O romance é escrito através de uma série de cartas endereçadas a um leitor desconhecido, nas quais Charlie, o protagonista, narra a sua experiência nos anos de liceu enquanto miúdo pouco popular, “invisível”, e a sua relação com a escrita.

Também as obras de John Green, como Cidades de Papel ou A Culpa é das Estrelas, têm recebido uma atenção considerável por parte do público. Os temas que abordam são, talvez, alguns dos mais difíceis de explorar.

Acima de tudo o adolescente deve ser encorajado a ler – e a procurar nas páginas dos livros um entendimento de si próprio e do mundo que os pais podem não lhe conseguir transmitir. Num mundo em que a rapidez das interações e o imediatismo das redes sociais é regra, um livro proporciona uma muito necessária pausa na rotina frenética do crescimento. Dá assim ao adolescente e aos pais a oportunidade de se conhecerem melhor, de se entreajudarem e de se adaptarem às mudanças.


Por: Inês Melo

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