Quem são os novos talentos da literatura portuguesa?

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No mês em que se celebram os livros portugueses, desafiámos alguns dos mais consolidados autores da nossa praça a confessarem em que escritores apostam para o futuro.

Aproxima-se o Dia do Livro Português (26 de março). É altura de celebrar os nossos romancistas, os nossos poetas, as obras só nossas e, claro, os talentos emergentes que estão a ganhar notoriedade. E quem melhor para identificar essas grandes promessas da literatura portuguesa do que os autores que já cá andam há muito tempo? Aqueles que são considerados referências na área e inspiram os mais jovens?

Lançámos o desafio a Ana Maria Magalhães, Mário Zambujal, Margarida Fonseca Santos, Luís Filipe Silva e Maria João Lopo de Carvalho. Queres saber o veredito?

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Ana Maria Magalhães

Autora de Uma Aventura e A Gata Gatilde

“Para mim, a Patrícia Portela tem uma escrita fora do vulgar. Tem graça, ideias muito divertidas. A Coleção Privada do Acácio Nobre, por exemplo, é uma forma original de extrair um personagem. Achei este livro particularmente engraçado. Também admiro muito a Isabela Figueiredo, que escreveu A Gorda. Ela abordou temas que não são muito frequentemente abordados, nomeadamente problemas de excesso de peso. Eu fui uma menina gorda e sei que é um problema grave. A Isabela tem uma escrita muito realista e muito bem conseguida para os temas em questão.”

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Mário Zambujal

Autor de Crónica dos Bons Malandros e Talismã

“É impossível não falar do Gonçalo M. Tavares. É um talento, uma revelação. É um filósofo, um tipo que tem a arte de contar, e tem muita originalidade naquilo que faz. Sabemos imediatamente quando lemos algo escrito por ele. Também gosto muito da Ana Margarida de Carvalho [filha de Mário de Carvalho]. É uma mulher que tem rigor literário e jornalístico. Ela tem uma narrativa elegante, à qual dá aquele toque de jornalista. É a ideia do jornalismo corrido. E eu aprecio muito as coisas dela, tem muita imaginação.”

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Margarida Fonseca Santos

Autora de A Escolha é Minha e Missão Quase Impossível

“Destaco a Susana Amorim. É um nome pouco conhecido, por enquanto, mas que irá fazer um belíssimo percurso na escrita para crianças. A sua escrita não se assusta com temas difíceis, como a morte. No seu livro Perto, a partida de uma avó é o motivo para aprender a guardar as memórias, os afetos, as descobertas que juntas fizeram, avó e neta. Já no livro anterior, Nuvens na Cabeça, se começava a desenhar o perfil de uma escritora singular, sem paternalismos nem chavões moralizantes. Um nome a reter, livros a ler com o coração, um espanto a experimentar nas palavras usadas com carinho que motivam a leitura e o crescimento.”

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Luís Filipe Silva

Autor de Terrarium e Galxmente

“Indico dois autores que, embora não sendo novos nas andanças literárias, têm construído uma obra ímpar, e algo discreta, ao longo dos anos: Alexandre Andrade e António de Macedo. O Alexandre teve, em 2016, um ano de invulgar atividade, com a edição de dois romances: O Leão de Belfort e, em reedição, Benoni. O Leão de Belfort, em particular, é uma história meticulosamente parisiense sobre um casal que decide habitar na cidade e, aos poucos, a vai descobrindo. Quanto ao António, tendo uma produção bastante visível a nível do cinema ao longo do século passado, a sua vertente literária, talvez por se situar no fantástico, passará mais desapercebida – mas nem por isso é menos relevante. Lovesenda é o seu último romance, uma obra de fôlego, extensa, densa, erudita e divertida, que retrata uma época histórica de Portugal com extrema riqueza de pormenores. Poucos autores se atreveriam a produzir tal obra aos 85 anos.”

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Maria João Lopo de Carvalho

Autora de O Meu Pai é o Melhor do Mundo e Animais à Solta

“O Afonso Reis Cabral tem uma voz própria, no que escreve e nos silêncios entre palavras. Revela uma profunda maturidade de pensamento, uma sensibilidade fora do comum e uma capacidade narrativa invulgar. Vencer o prémio Leya aos 24 anos é obra!”


Por: Carolina Morais
Fotografia: Maria João Lopo de Carvalho (por Neusa Ayres)

 

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