Autor do Mês: Salman Rushdie, o autor que venceu três prémios Booker

Salman Rushdie 

Naturalidade
Mumbai, Índia

Data de nascimento
19 de junho de 1947

Primeiro livro publicado
Grimus (1975)

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Depois de ter vencido três prémios Booker, Salman Rushdie faz novamente parte dos finalistas do Man Booker com o seu mais recente romance, Quichotte. Nas vésperas do anúncio do vencedor de 2019, revelamos cinco curiosidades sobre o escritor. 

Salman Rushdie sentiu-se um estranho a vida inteira

Nascido em Mumbai a 19 de junho de 1947, Salman Rushdie nunca sentiu que pertencia a nenhum dos países onde viveu. Na Índia, era um muçulmano numa cidade e país maioritariamente hindus. Em Inglaterra – para onde foi estudar aos 12 anos – o preconceito racial nunca o fez esquecer que era diferente. Nem a mudança para os Estados Unidos no início do século XXI o fez sentir-se mais integrado.

“Fui um outsider a minha vida inteira”, explicou numa entrevista antes de acrescentar: “Acho que essa não é uma má posição para um escritor.”


Salman Rushdie venceu três prémios Booker

A reputação de Salman Rushdie enquanto escritor divide-se geralmente entre dois romances: Midnight’s Childrena sua obra mais premiada, e Os Versículos Satânicos, a sua obra mais polémica.

No que diz respeito a Midnight’s Children, o romance começou por ser distinguido com o Man Booker em 1981. Doze anos depois, em 1993, foi-lhe atribuído o prémio especial Booker of Bookers, que o reconhecia como o melhor de todos os vencedores do galardão até essa altura. E, como não há duas sem três, em 2008 Midnight’s Children obteve novamente um Booker of Bookers, que desta vez reconhecia o melhor entre todos os vencedores de 40 anos de história do prémio.

De resto, Salman Rushdie já foi finalista do prémio Booker “habitual” por cinco vezes, a última das quais em 2019 com Quichottea sua recriação de Dom Quixote de la Mancha, o clássico de Miguel de Cervantes.


Salman Rushdie foi condenado à morte pelo Líder Supremo do Irão

Apesar de lhe ter rendido vários prémios, a carreira de escritor de Salman Rushdie também lhe retirou várias liberdades. Durante quase dez anos. Tudo começou em 1988, quando Os Versículos Satânicos foi publicado. A história de dois homens que são magicamente salvos de um atentado num avião criou controvérsia ao insinuar que Gabriel – o anjo de revelação do Islão a Muhammad – tinha na verdade pronunciado os tais versículos satânicos atribuídos na história da religião a três deusas pagãs.

O livro foi queimado e banido em vários países, incluindo na Índia, mas o castigo mais severo veio do aiatola iraniano, que condenou Salman Rushdie à morte a 14 de fevereiro de 1989. O autor foi obrigado a viver sob proteção policial até 1999.


Salman Rushdie e Joseph Anton são a mesma pessoa

Depois de o Líder Supremo do Irão ter emitido uma fatwa condenando Salman Rushdie à morte, foi oferecida uma recompensa de mais de 2,5 milhões de euros ao eventual assassino do autor.

A notícia da sua condenação foi dada por uma jornalista da BBC, um momento que o autor recorda em Joseph Anton, pseudónimo que foi forçado a adotar pela polícia enquanto viveu sob a sua proteção e que deu nome a um livro de memórias em que recorda os 10 anos que passou escondido: “‘Como se sente’, perguntou, ‘por saber que foi condenado à morte pelo aiatola Khomeini?’”

Pouco depois, Salman Rushdie saiu de casa para nunca mais voltar e criou o seu pseudónimo numa homenagem direta a Joseph Conrad e Anton Tchékhov. A polícia, no entanto, preferiu tratá-lo por Joe.


Salman Rushdie curou o seu bloqueio de escritor com uma revolução

Conhecido pelo realismo mágico que adiciona aos seus livros, Salman Rushdie também chegou a escrever livros de não ficção. O primeiro até serviu de cura a um bloqueio do autor.

“O que se faz quando estamos a escrever um romance e ficamos bloqueados? Vamos a uma revolução”, explica a propósito da sua visita a Nicarágua no verão de 1986. Na altura o país vivia o rescaldo de uma revolução e o acesso privilegiado do escritor aos seus meandros políticos – por exemplo durante os jantares em que inventava que estava com “diarreia para ir à casa de banho a cada cinco minutos e apontar tudo o que tinham dito” – deu-lhe o enredo de que precisava para escrever um novo livro, The Jaguar Smile.


Salman Rushdie mantém o desejo de interpretar o papel de um vilão

Apesar da sua carreira bem-sucedida como escritor, Salman Rushdie mantém um sonho de ser ator que é, nas suas palavras, “uma comichão que nunca foi coçada”.

Era o seu sonho desde pequeno. Um sonho que chegou a seguir nas várias peças de teatro em que participou na universidade e depois de terminar os estudos em Londres. Acabou por enveredar por uma carreira como redator comercial mas, mais tarde, já com livros publicados, chegou a interpretar alguns papéis no cinema, nomeadamente na adaptação cinematográfica de O Diário de Bridget JonesThen She Found Me e Midgnight’s Children, o seu segundo romance.

Gostaria, contudo, de ter interpretado o papel de um vilão. É um desejo antigo que, pelo menos por enquanto, se mantém por concretizar.

Por: Tatiana Trilho
Fotografia: Beowulf Sheehan

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