Salazar caiu da cadeira. E chegou aos livros

salazar-cadeira-revista-estante-fnac

3 de agosto de 1968. Uma cadeira velha. Uma queda desamparada de um homem que não admitia fragilidades. Só podemos estar a falar de António de Oliveira Salazar.

salazar-revista-estante-fnac

Foi por volta das 9 horas da manhã. Parecia ser apenas mais um calmo dia do mês de agosto, mas viria a transformar-se numa inesperada data de mudança. António de Oliveira Salazar era, desde 1933, Presidente do Conselho de Ministros e o homem mais respeitado temido na liderança do nosso país. De férias no Estoril enquanto recebe a visita habitual do calista Augusto Hilário, sofre um acidente que o impede de continuar a assumir as rédeas de Portugal. Uma banal queda de uma cadeira foi o mote para o arranque do incontornável processo que levou à queda de um regime.

Foi há precisamente 48 anos, no dia 3 de agosto de 1968. Como consequência da queda, Salazar terá batido fortemente com a cabeça no chão, dando origem a um hematoma que acabaria por ditar o seu fim. O incidente foi envolto numa enorme nuvem de secretismo. A política decorria normalmente e o país só soube a verdade a 7 de setembro, dia em que Salazar foi operado à cabeça. Não se verificaram melhoras e, dois anos depois, a 27 de julho de 1970, o destino traçado pela maldita cadeira acabaria mesmo por vencer o “todo-poderoso” do Estado Novo.

Foram muitos os escritores que se inspiraram na vida de Salazar e na maneira como comandou o país durante 35 longos anos. Aqui ficam alguns livros que o vão ajudar a perceber melhor quem foi este homem e por que motivo estará para sempre ligado à História de Portugal.


A Última Criada de Salazar

Miguel Carvalho

Quando Rosália Araújo chegou ao palácio de São Bento, em 1969, já a queda tinha acontecido. Salazar, no alto dos seus 80 anos, continuava a acreditar que o leme do país ainda estava nas suas mãos – isto apesar de ter sido substituído no ano anterior por Marcello Caetano. A única pessoa que esteve presente na hora do seu adeus relata neste livro os últimos anos de declínio do homem que poucos tiveram coragem de defrontar.


Salazar Visto Pelos Seus Próximos

Jaime Nogueira Pinto

Todos conhecemos o papel que António de Oliveira Salazar teve no panorama político português. Muitos foram os que se cruzaram com ele ao longo de tanto tempo à frente do governo. Muitas são também as opiniões e as histórias que estas pessoas têm para nos contar. Nesta coletânea de testemunhos, ficamos a conhecer o outro lado da política portuguesa e o lado mais humano de quem comanda um país.


Os Meus 35 Anos com Salazar

Maria da Conceição Rita e Joaquim Vieira

Salazar dedicou a vida à carreira política. Não se casou nem teve filhos de sangue. Mas teve uma filha do coração. Maria da Conceição Rita chegou a São Bento com apenas 6 anos e foi perfilhada pelo “Senhor Doutor”. Dentro daquelas quatro paredes, Salazar não era o homem autoritário que governava o país, mas um pai afetuoso que se preocupava em aconchegar os lençóis antes de a filha ir dormir. Juntos constituíam uma família que aqui se transforma no reflexo de tantas outras.


A Governanta

Joaquim Vieira

Maria de Jesus Caetano Freire era o terceiro pilar desta família incomum. Muito pouco se ouviu falar da mulher que esteve todos aqueles anos na retaguarda de Salazar. Dona Maria, mulher implacável, governava a casa de Salazar com tanto rigor e retidão como o próprio governava o país. Mais do que uma governanta, foi a única companheira do ditador durante longos anos da sua vida e nunca teve receio de o enfrentar.


O Diário de Salazar

Vários

Um homem no controlo de uma nação não tem tempo para escrever diários, mas o seu quotidiano e os seus pensamentos foram sendo revelados em entrevistas, discursos e textos que redigiu. Organizados cronologicamente, estes documentos dão-nos conta não só da vida de Salazar mas também da vida no nosso país. Aqui não se escondem segredos, mas sim evidências que marcaram a existência daquele que foi apelidado por um jornal francês como “o rei que não queria morrer”.


Salazar, Agora na Hora da Sua Morte

João Paulo Cotrim e Miguel Rocha

Quando pensamos em Salazar, a sua postura reta e quase inabalável não nos leva sequer a imaginar que se poderá tornar um personagem de banda desenhada. Existem muitas biografias deste homem, mas esta é única. Desde a infância até à queda do poder, a sua vida é retratada graficamente num livro baseado sobretudo em memórias. É a estas que pertence. Para arrumar no passado este pedaço da História. Humanizando o mito da figura de Salazar.


Por: Andreia Vaz

 

 

Gostou? Partilhe este artigo: