Quem são os novos autores europeus?

O Dia da Europa celebra a identidade comum dos vários países que constituem a União Europeia.
A Estante junta-se aos festejos destacando a literatura europeia através de alguns dos mais promissores escritores da atualidade.


Paolo Giordano

ITÁLIA

Com apenas 33 anos, Paolo Giordano é já uma certeza na literatura europeia contemporânea. A Solidão dos Números Primos, o seu romance de estreia, acompanha as vidas de Mattia e Alice, dois jovens afetados por traumas de infância que, apesar de se amarem, teimam em não expressar os seus sentimentos. O livro foi distinguido com os prémios Strega e Campiello, vendeu mais de um milhão de exemplares e foi adaptado ao cinema. O italiano publicou depois mais duas obras que, embora menos mediáticas, o confirmam como um dos principais talentos da sua geração: O Corpo Humano e Negro e Prata.


 

Taiye Selasi

INGLATERRA

Aos 36 anos, esta escritora londrina de descendência ganesa e nigeriana tem vindo a ser apelidada pela imprensa internacional como uma das mais promissoras autoras do momento. Tudo graças ao seu romance de estreia, A Beleza das Coisas Frágeis, centrado numa família que procura reaproximar-se após a inesperada morte de um dos seus membros. O livro foi eleito pelo Wall Street Journal como um dos dez melhores títulos de 2013 e Selasi foi posteriormente incluída na lista de vinte melhores jovens escritores britânicos da Granta.


 

Najat el Hachmi

ESPANHA

Tem 36 anos e nasceu em Marrocos, mas cedo se mudou para a Catalunha. Embora tenha hoje nacionalidade espanhola, cresceu sentindo-se um elemento estranho no país e retirou daí inspiração para os seus primeiros textos. No seu primeiro livro de ficção, O Último Patriarca, parte da própria experiência para se centrar num homem rigoroso e autoritário que procura conciliar duas culturas tão distintas como a catalã e a marroquina. A obra valeu-lhe o Prémio Ramon Llull e o Prémio Ulysse para primeira obra.


 

Dmitry Glukhovsky

RÚSSIA

Percorreu meio mundo como jornalista, trabalhou como colunista e radialista, mas foi a ficção científica que o tornou um nome de destaque na literatura europeia. Glukhovsky começou a escrever o seu primeiro romance, uma distopia com o título de Metro 2033 passada no metropolitano de Moscovo, com apenas 18 anos. Quando o terminou, disponibilizou-o gratuitamente no seu website, onde foi lido por mais de três milhões de pessoas antes de uma editora se oferecer para passá-lo para papel. O sucesso manteve-se com sequelas e adaptações para videojogos. Com apenas 36 anos, este russo tem vindo a ser apontado como um dos mais talentosos autores da ficção científica europeia.


 

Louise O’Neill

REPÚBLICA DA IRLANDA

Tida pelo The Guardian como “a melhor autora viva de ficção para jovens adultos da atualidade”, esta irlandesa é a mais jovem de todos os escritores desta lista – tem apenas 31 anos – mas já teve tempo de deixar a sua voz bem demarcada. Com As Filhas de Eva, o seu romance de estreia, vencedor do Irish Book Award e do The Bookseller YA Award, pinta um retrato aterrador de um mundo onde as mulheres têm apenas um objetivo nas escolas: aprender a satisfazer os homens. Assumidamente feminista, publicou em 2015 um novo livro (Asking For It) sobre o apelo à violação na sociedade moderna.


 

Sofi Oksanen

FINLÂNDIA

Sofi Oksanen é a mais reputada de todos os nomes desta lista. Na verdade, já ganhou mais prémios do que qualquer escritor finlandês seu contemporâneo. Tem 39 anos, é autora de duas peças de teatro e já publicou quatro romances, mas é conhecida sobretudo por A Purga, uma história centrada nas vidas de duas mulheres que tem como pano de fundo a ocupação soviética da Estónia. Foi distinguido com o Prémio Finlândia, o Prémio Runeberg e o Prémio Femina, entre outros. Quando as Pombas Desaparecem, outro dos seus romances, tem um “palco” semelhante mas foca-se em dois homens.


 

Bruno Vieira Amaral

PORTUGAL

Prémio Literário Fernando Namora. Prémio PEN Clube Narrativa. Livro do Ano da Time Out. Prémio Novos. Prémio Literário José Saramago. As Primeiras Coisas, o primeiro romance de Bruno Vieira Amaral, passado num bairro social da Margem Sul, fez do autor um dos principais nomes da atualidade na literatura portuguesa. Já em abril de 2016, foi eleito uma das dez novas vozes da Europa pela Literature Across Frontiers. Os olhos parecem por isso estar postos neste escritor, tradutor e crítico literário de 38 anos.

 


Por: Tiago Matos

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