Autora do mês: sabe mais sobre Heather Morris, autora de O Tatuador de Auschwitz

Heather Morris

Naturalidade
Te Awamutu, Nova Zelândia

Data de nascimento
2 de abril de 1953

Primeiro livro publicado
O Tatuador de Auschwitz (2018)

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Durante anos, Heather Morris dedicou-se à escrita de guiões ao mesmo tempo que trabalhava num hospital australiano. Um dia, o seu caminho cruzou-se com o de um sobrevivente de Auschwitz e a sua vida mudou. A sua mais recente obra, A Coragem de Cilka, volta aos campos de concentração.

Heather Morris começou por escrever argumentos

Nascida na Nova Zelândia, Heather Morris viveu durante muitos anos na pequena vila de Pirongia, na ilha norte do país. Procurando distanciar-se das limitações típicas de uma zona rural, cedo se destacou no desporto e na datilografia. Em simultâneo, era frequente dizerem-lhe que tinha jeito para contar histórias, elogio que, enquanto apaixonada por livros, sempre gostou de ouvir.

A vontade de transportar as suas ideias para o papel não desapareceu e, em 1996, já casada e mãe de três filhos, decidiu seguir esta paixão. Iniciou então um curso profissional de escrita de argumentos no Australian College of Journalism. Seguiram-se inúmeros workshops e seminários, alimentados pelas heroicas e avassaladoras histórias com que se deparava no contacto direto com médicos e pacientes no emprego.

O resultado foi uma gaveta cheia de guiões, à qual O Tatuador de Auschwitz se poderia ter juntado se Heather Morris não o tivesse entretanto transformado e tornado um romance.

Heather Morris não teve de procurar a história do tatuador

Quando a mulher do eslovaco Lale Sokolov faleceu, em 2003, o octogenário sentiu-se finalmente preparado para contar a sua história. Durante anos manteve-se em silêncio, com receio de que lhe apontassem o dedo e o vissem como cúmplice das atrocidades que tantos judeus sofreram. Esqueceu-se de que também ele era uma vítima. A condição para revelar o segredo era apenas uma: quem o fosse ouvir não poderia ser judeu.

Foi o filho de Sokolov (que nasceu Ludwig Eisenberg) que o apresentou a Heather Morris, considerando-a a pessoa ideal para contar a história do pai. Rapidamente se tornaram amigos. “Ele precisava de uma pessoa que fosse de alguma forma ingénua e aceitasse a sua história tal como ele a ia contar”, diria mais tarde a autora.

Nos três anos que se seguiram, Morris visitou Sokolov várias vezes por semana e embarcou numa viagem pelos detalhes mais íntimos da sua vida durante o Holocausto. Paralelamente, a Film Victoria, do governo australiano, concordou em financiar a pesquisa para o projeto, o que permitiu corroborar as histórias do tatuador de Auschwitz.

Heather Morris sempre se refugiou nos livros

Heather Morris não pôde contar com tecnologia para preencher os tempos livres na infância, por isso, desde muito cedo, os pais sempre fizeram questão de a rodear de livros. Foi neles que encontrou refúgio. Dos problemas, dos dias menos bons e dos familiares que, por se tratar de uma vila pequena, viviam nas imediações e passavam demasiado tempo em sua casa.

Começou pelos contos de fadas clássicos, com princesas, bruxas e lobos. Mais velha, deixou-se conquistar pelas histórias de aventuras, como Os Cinco ou Biggles. Curiosamente, quando relembra o seu livro de infância preferido, é Madeline’s Rescue, de Ludwig Bemelmans, que lhe vem à memória.

Já na escola secundária, tornou-se fã de histórias reais, como biografias e autobiografias. Deste tempo, em que ainda não sabia o que o futuro lhe reservava, destaca O Diário de Anne Frank, que terá aguçado a sua curiosidade por uma das fases mais negras da História. Apesar disto, era a Encyclopedia Britannica, na qual o seu “pequeno mundo” se abria para “histórias e fotos de outros países, raças, culturas e modos de vida”, que era o seu maior conforto.

Heather Morris mudou-se para a Austrália para fugir à família

A pequena vila neozelandesa em que vivia era profundamente claustrofóbica para uma Heather Morris tão independente e curiosa. E com quatro gerações da família a viver na mesma área, o sufoco de Pirangia tornou-se impossível de suportar.

Em 1971, Morris decidiu que os livros já não eram escape suficiente. Precisava de uma mudança. Melbourne, na Austrália, foi o seu destino de fuga e tornou-se o seu novo lar. Foi lá que conheceu o marido, Steve Morris, com quem casou em 1973. Dois anos após o casamento, decidiu voltar à Nova Zelândia, onde viriam a nascer os seus três filhos. Pareceu-lhe, contudo, que era melhor manter uma distância saudável da família e, por isso, foi na ilha sul do país que estabeleceu o seu ninho.

As saudades de Austrália e o desejo de aprofundar os estudos falaram mais alto e levaram-na de volta ao país. Pela segunda vez, mudou-se de malas e bagagens para Melbourne. É lá que ainda hoje vive.

Heather Morris não vai parar de escrever sobre o Holocausto

Antes de conhecer Lale Sokolov, Heather Morris nunca tinha escrito nada além de guiões. Mas rapidamente percebeu que O Tatuador de Auschwitz, que conquistou uma legião de fãs, não poderia ser o seu único romance sobre o tema.

As críticas fizeram-se ouvir, especialmente as do Centro de Investigação do Memorial de Auschwitz-Birkenau, que afirmou que a obra contém erros e exageros. A autora garante, no entanto, que acredita no método de investigação utilizado e que o livro não pode ser visto como “a” história do Holocausto, mas sim como “uma” história do Holocausto.

A prova de que existem muito mais histórias para contar e que a autora não vai deixar que ninguém esqueça este tenebroso período da História está no seu novo romance, A Coragem de Cilka, que conta o pesadelo de uma adolescente enviada para um gulag na Sibéria depois de já ter passado por Auschwitz.

Por: Inês Pereira

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