Romeu e Julieta

Imagem: Frank Dicksee, via Wikimedia Commons

Há quem a considere a mais bela história de amor de todos os tempos. Mas sabia que não foi William Shakespeare o primeiro a imaginá-la?

Publicada em 1597 por William Shakespeare, a base da história de Romeu e Julieta já existia, na verdade, antes deste.

William Shakespeare não inventou Romeu e Julieta. A trágica história de amor que hoje conhecemos como sua provém, na verdade, de uma velha lenda italiana que, ao longo dos tempos, assumiu diferentes formas. Já em Metamorfoses, publicado por Ovídio no ano 8, se conta uma aventura semelhante: Píramo e Tisbe, provenientes de casas rivais, apaixonam-se e acabam por se suicidar após um desentendimento. Desde então, o enredo saltou de mão em mão, passando por autores como Masuccio Salernitano, Luigi da Porto, Matteo Bandello, Pierre Boaistuau, Arthur Booke e William Painter antes de chegar ao notável dramaturgo inglês.

William Shakespeare pode não ter inventado Romeu e Julieta, mas é responsável por lhe dar corpo como só um contador de histórias do seu calibre é capaz. Preparando a narrativa para o palco, adequa-lhe o ritmo e acentua-lhe o drama, contrapondo-o com breves passagens de comédia. Imagina ainda um rol de personagens secundários, entre os quais Mercúcio e Páris, a fim de melhor equilibrar a trama. Com Shakespeare, cada figura ganha uma voz própria. Os diálogos são enriquecidos com a subtileza de metáforas e outros instrumentos linguísticos. A história simples de uma paixão proibida que termina em tragédia torna-se um símbolo universal do romantismo. A Shakespeare só não se pode mesmo imputar a icónica varanda que separa Romeu de Julieta numa das mais célebres cenas da peça – esta é acrescentada anos depois por um dos muitos autores que adaptaram a peça. Em tudo o resto, a história torna-se efetivamente sua.

Hoje considerado um dos principais textos da literatura e dramaturgia mundiais, Romeu e Julieta é, na época de estreia, condenado por vários críticos. A peça, acusam alguns, viola as regras fundamentais da tragédia: acontecem coisas más a quem nada fez por as merecer. Mas isto não rouba protagonismo a uma obra que, mais de quatro séculos depois, permanece uma referência. Nem tão pouco a um escritor que, no por vezes excessivo sentimentalismo do passado, encontrou espaço para meditar sobre a verdade.


Por: Tiago Matos

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