Rodrigo Guedes de Carvalho: Uma vida de letras e música

 

Rodrigo Guedes de Carvalho

Naturalidade
Porto, Portugal

Data de nascimento
14 de novembro de 1963

Primeiro livro publicado
Daqui a Nada (1992)

 

 

 

 

 

1507-1-12

Jogos de Raiva

 

O-Pianista-de-Hotel

O Pianista de Hotel

 

Mulher-em-Branco

Mulher em Branco

 

1507-1-13

Daqui a Nada

rodrigo-guedes-carvalho-revista-estante-fnac

Autor do romance Jogos de Raiva, Rodrigo Guedes de Carvalho tem uma história muito ligada não só à literatura, mas ao jornalismo e à música. Uma história que vale a pena conheceres.

Tinha apenas 9 anos quando despertou para a sua primeira paixão: a música. Cresceu rodeado de discos, bebeu das grandes bandas de rock dos anos 70 – que conheceu, especialmente, através do pai – e aprendeu a tocar guitarra com uma (rígida) antiga professora do Conservatório que a mãe lhe arranjou.

Com o avô – com a sua coleção de livros, mais especificamente – ganhou o gosto pela leitura. “Comecei a ler cedo, e ninguém me disse para ler. Num mundo de adultos, via-os a ler, tinha livros à disposição e comecei a ler. De repente, estava apaixonado pela leitura”, contou numa entrevista ao Expresso.

Os primeiros romances foram os de Vergílio Ferreira e José Cardoso Pires. Os primeiros poemas foram os de José Gomes Ferreira. E o primeiro livro que verdadeiramente o assombrou foi Servidão Humana, de Somerset Maugham. Naturalmente, foi-se questionando se também conseguiria escrever. Encontrou a resposta em Memória de Elefante, de António Lobo Antunes. “Quando me dou conta daquela escrita nua, confessional, na primeira pessoa… desse abrir de alma e daquela forma de escrever aparentemente simples, mas cheia de nervo e de sangue, pensei: ‘Isto pode fazer-se’. Foi, de facto, o motor para eu arriscar a escrever.”


“Um bom romance será sempre aquele que não tem uma palavra a mais nem a menos.”

Rodrigo Guedes de Carvalho

O jornalismo não foi uma vocação. Enveredou por esse caminho pela necessidade de tirar um curso superior que lhe permitisse começar a ganhar a vida. E no final da licenciatura, sem mais nem menos, candidatou-se ao centro de formação da RTP, iniciando assim a sua duradoura relação com o jornalismo televisivo.

A escrita literária, curiosamente, aparece antes de tudo isso. Rodrigo Guedes de Carvalho tinha 20 anos e foi o irmão oito anos mais novo, Tiago Guedes, quem o desafiou a escrever o primeiro romance, Daqui a Nada. Seguem-se, até hoje, seis romances. Alguns dos mais emblemáticos:

  • Jogos de Raiva (2018)
    A história de três gerações de uma mesma família contada com a evolução da comunicação global como pano de fundo. Um retrato sobre a fácil disseminação da semente do ódio, que aborda temas como o racismo, a depressão, a sexualidade, o jornalismo, a adoção, a arte e a amizade.
  • O Pianista de Hotel (2017)
    Livro que cruza o interesse do autor pela complexidade humana com a paixão pela música. “A ideia surgiu ao observar e escutar um pianista num hotel. Tocava músicas lindíssimas e ninguém lhe prestava atenção. Essa solidão de alguém que está a criar uma coisa bela sem que ninguém dê por isso deu-me a ideia base do que viria a ser a história”, contou o autor à Estante.
  • Mulher em Branco (2006)
    Uma criança que estava aos cuidados do pai desaparece. A mãe, chocada pela notícia, entra num profundo estado de amnésia. Como poderá continuar a viver se, de repente, a sua vida se tornou um vazio? Esta é não só a história desta mulher, como a de outros que sofrem na pele as marcas deixadas pelo amor.
  • Daqui a Nada (1992)
    O romance de estreia de Rodrigo Guedes de Carvalho arrecadou o Prémio Jovens Talentos da ONU. É o retrato de uma época de guerra e de como esta impactou um homem, a sua vida e a sua família.

“É impossível fugir das nossas leituras. Um escritor tem de ser um bom leitor. Somos todos fruto de alguma coisa que lemos, mas é possível arranjar uma voz própria.”

Rodrigo Guedes de Carvalho

Além de romancista e pai de dois filhos, é jornalista há mais de 30 anos. E, garantiu à Estante, sente que pertence tanto a uma profissão como à outra. “Sinto-me escritor há muito tempo, embora necessite naturalmente que também os outros me considerem assim. O essencial é que jornalismo e escrita sempre estiveram bem separados na minha carreira.”

A escrita permite-lhe, no entanto, algo mais. Permite-lhe extravasar “a matéria do concreto”. “Preciso muito desse escape, a realidade não me preenche.”

Gostou? Partilhe este artigo:

 

Por: Carolina Morais
Fotografia: Roger Serrasqueiro (Garage Films)

Gostou? Partilhe este artigo: