Ready Player One: Nostalgia à moda de Spielberg

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O melhor livro para quem gostaria de viajar até à década de 1980 sem abandonar a tecnologia moderna chega aos cinemas em março.

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Estamos em 2044. O mundo é assolado por uma grave crise de energia, acompanhada por alterações climáticas e pelo alastramento da fome, pobreza e doenças, para não falar de meia dúzia de guerras. Para escapar à difícil verdade da sua vida, a humanidade adotou como principal passatempo uma rede global de realidade virtual chamada OASIS, criada por um programador de videojogos que se tornou um dos homens mais ricos e influentes do planeta.

Podia ser a nossa realidade – os paralelos são evidentes, em especial se trocarmos OASIS por Facebook –, mas é na verdade Ready Player One, um romance distópico escrito por Ernest Cline que este ano Steven Spielberg se encarregou de adaptar ao cinema.

Publicado em 2011, o livro ganhou rapidamente um estatuto de culto, mas não pelo modo como nos leva ao futuro – em Ready Player One, o que mais importa é o passado. É que James Halliday, o fundador de OASIS, era um homem de obsessões. “As principais eram os videojogos clássicos, os livros de ficção científica e de fantasia e filmes de todos os géneros. Além disso, tinha também uma fixação obsessiva com os anos 80, a década da sua adolescência”, refere-se no livro. Vai daí, recriou virtualmente a década no OASIS. E, por arrasto, trouxe-a de volta à moda em todo o mundo.

O que esperar do filme?

A adaptação de Ready Player One chega ao cinema com o inimitável cunho de Steven Spielberg. O argumento ficou a cargo de Zak Penn e do próprio Ernest Cline, que escreveu o livro. O elenco inclui nomes como Tye Sheridan, Mark Rylance, Olivia Cooke, T. J. Miller e Simon Pegg.

Um jogo de 240 mil milhões

Se Ready Player One poderia funcionar, por si só, pelo efeito nostálgico – contém centenas de referências, algumas das quais bastante obscuras, à cultura pop da década de 1980 –, a história acrescenta-lhe uma aventura alucinante que nos faz sentir como se estivéssemos a ler um videojogo. É que, logo nas primeiras linhas, dizem-nos que James Halliday está morto. E que no seu testamento lançou uma competição: a sua herança, no valor de 240 mil milhões de dólares, será atribuída a quem conseguir encontrar uma surpresa – um “ovo de Páscoa”, como se chamam a estas coisas no mundo virtual – que ele deixou no OASIS.

“Todos os da minha idade lembram-se de onde estavam e do que faziam no momento em que ouviram falar na competição pela primeira vez”, diz Wade Watts, o narrador, que acaba por se tornar um dos mais importantes gunters – designação atribuída aos concorrentes – da Caçada. Pelo meio, há amigos, rivais e Art3mis, uma gunter que lhe captura o coração.

Uma espécie de mistura entre Matrix e Charlie e a Fábrica de Chocolate, Ready Player One é a leitura ideal para quem gostaria de reviver alguns dos momentos culturais mais significativos das últimas décadas. E a história certa para Steven Spielberg, também ele um ícone dos anos 80, adaptar ao grande ecrã.


SOBRE READY PLAYER ONE


“Poderá muito bem ser o livro mais geek que alguma vez foi escrito.”

Ernest Cline

“É o mais incrível flashforward e flashback em simultâneo até uma década na qual eu estive bastante envolvido, bem como a um futuro que acho que nos espera a todos, quer o queiramos ou não.”

Steven Spielberg

“A adaptação ao cinema parece gloriosa. Parece ter sido feita por alguém que tem algo a provar. E Steven Spielberg não tem nada a provar.”

Kevin Smith, ator e realizador

15 pedaços de cultura pop em Ready Player One


FILMES

Blade Runner
Regresso ao Futuro
Tron

SÉRIES

Esquadrão Classe A
O Justiceiro
Quem Sai aos Seus

MÚSICA

Pink Floyd
Rush
Duran Duran

JOGOS

Pac-Man
Zork
Galaga


Por: Tiago Matos

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