Quem são os novos autores portugueses?

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São portugueses, talentosos e nasceram desde 1974. Descubra alguns dos mais promissores nomes da literatura portuguesa para os anos que se aproximam.


O futuro parece promissor para a literatura de Portugal. São muitos os escritores, ainda a dar os primeiros passos nas respetivas carreiras, em quem são depositadas grandes esperanças. E, embora seja certo que a idade não é nem pode ser critério determinante para estabelecer a qualidade de um escritor, a curiosidade permanece: quem se juntará a nomes como Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Afonso Cruz, Patrícia Reis, João Tordo e Valter Hugo Mãe como certezas da nova geração?

Os inovadores

Na fila da frente, parece estar Sandro William Junqueira. Nascido na Rodésia, um país que já não existe, e mudando-se aos dois anos para Portugal, este autor, que se divide entre escrita, música, pintura e atuação, demonstra em livros como Um Piano Para Cavalos Altos ou No Céu Não Há Limões um admirável espírito inovador. As suas narrativas não determinam tempo ou geografia, os personagens não têm nome próprio e os enredos são quase surreais. Mais lírico, mas não menos filosófico, é Valério Romão. Três vezes destacado no Concurso Jovens Criadores e um dos representantes de Portugal na Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo, em 2001, o autor chegou já a ser apelidado de “pequeno terramoto” pela imprensa, devido ao impacto que os romances Autismo e O da Joana e as antologias Facas e Da Família tiveram no panorama literário nacional. Também Matilde Campilho provocou um grande burburinho nos meios portugueses – e brasileiros – com a (boa) surpresa que foi Jóquei, o seu primeiro livro, que esgotou edições no tradicionalmente pequeno mercado da poesia.

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David Machado

entre a literatura infantil e os contos e romances para adultos, arrecadou um Prémio Branquinho da Fonseca, um Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/RTP e um Prémio da União Europeia.

Os premiados

Embora se encontrem ainda no início dos percursos literários, vários autores contam já com importantes distinções. Nuno Camarneiro, por exemplo, venceu o prestigiado Prémio Leya, em 2012, com Debaixo de Algum Céu. Para além deste, publicou No Meu Peito Não Cabem Pássaros e Se Eu Fosse Chão, obras que demonstram uma tendência para a circunscrição de espaço, a fazer lembrar Georges Perec ou o movimento OuLiPo. Outro dos vencedores do Prémio Leya foi Afonso Reis Cabral, descendente de Eça de Queirós. Nascido em 1990, este editor, revisor e cronista foi distinguido na edição de 2014 pelo seu romance de estreia, O Meu Irmão. A colecionar galardões também tem estado Bruno Vieira Amaral, que com o romance de estreia, As Primeiras Coisas, venceu, entre outros, o Prémio Literário Fernando Namora e o Prémio PEN Clube na categoria de Narrativa. David Machado, por sua vez, movendo-se entre a literatura infantil e os contos e romances para adultos, arrecadou um Prémio Branquinho da Fonseca (com A Noite dos Animais Inventados), um Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/RTP (com O Tubarão na Banheira) e um Prémio da União Europeia (com Índice Médio de Felicidade). Destaque-se ainda Filipa Fonseca Silva, a primeira escritora portuguesa a entrar para o top 100 da Amazon, com Os 30 – Nada é Como Sonhámos.

Os jornalistas

Há também quem não necessite de publicar novos livros para se fazer ler. É o caso de Joel Neto, que tendo sido jornalista de muitos dos principais jornais portugueses, assina atualmente várias colunas e publica folhetins e reportagens. Como romancista, destaca-se pela exploração de lugares e temas de interesse nacional, facto evidente em Arquipélago e Os Sítios Sem Resposta. Hugo Gonçalves também assinou – e continua a assinar – crónicas e reportagens para várias publicações nacionais, mas têm sido as relações a toldar as suas principais obras de ficção: Enquanto Lisboa Arde, o Rio de Janeiro Pega Fogo e O Caçador do Verão. Conseguirão estes autores continuar a corresponder às altas expectativas que lhes são depositadas?


Por: Tiago Matos

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