Quem disse que os livros de colorir são só para crianças?

Volte a pegar nos lápis de cor e aprenda a relaxar com esta tendência.

É uma moda que chegou para ficar: os livros de colorir saíram da seção de livros infantis para as prateleiras de destaque em livrarias por todo o mundo. Vendem milhões de cópias, encabeçam listas de vendas e tornam-se bestsellers. São também fenómenos virais nas redes sociais, onde utilizadores partilham fotografias das suas criações e discutem sobre quais os melhores desenhos ou materiais para colorir.

O conceito por trás desta nova tendência é a Arte Terapia. A ideia é sacudir-se das preocupações do quotidiano, pegar nos lápis de cor ou canetas e dar largas à imaginação. Mas, para isso, é necessário pousar o smartphone, desligar a Internet e mergulhar de cabeça neste universo cujos desenhos, muito mais complexos e detalhados do que aqueles que nos habituámos a ver nos livros de colorir para crianças, permitem uma infinidade de variações de cores.

Numa altura em que o mundo digital parece querer sugar toda a nossa energia e absorver-nos por completo, a Arte Terapia surge como forma de abstração para cortar momentaneamente o contacto com aquilo que nos rodeia, libertar a cabeça de maus pensamentos, destruir ansiedades e relaxar… a colorir.

Colorir para aliviar o stresse

O Jardim Secreto, da ilustradora escocesa Johanna Basford, publicado pela primeira vez em 2013, foi o pioneiro de uma tendência cujo crescimento parece ser imparável. O seu elevado nível de detalhe atraiu um público adulto, já que a atenção e preocupação com os pormenores eram essenciais. Dois anos depois – e com vendas que ultrapassam os dois milhões de exemplares a nível mundial –, Basford publica o segundo livro de colorir, Enchanted Forest, uma continuação do universo que apresentou no primeiro livro e que, como este, ascende nas listas de vendas a uma velocidade considerável.

Mas Basford não é a única ilustradora cujos livros conquistam público. Mindfulness – O Livro de Colorir, de Emma Farrarons, propõe uma terapêutica pouco convencional para os momentos em que nos encontramos mais ansiosos ou sob pressão. O objetivo é colocar de parte todos os problemas e concentrar-se apenas nos desenhos, deixar-se levar pelas cores. Daí o termo mindfulness – concentração da nossa atenção e energia em apenas uma coisa – que deu o mote a este novo género em crescimento.

Outros mundos

Mas os universos representados nos livros de colorir não se limitam exclusivamente a cenários ou desenhos abstractos; muitos livros focam-se em temas mais específicos. Animorphia, de Kerby Rosanes, apresenta uma panóplia de incríveis animais e outras criaturas a branco, prontas a serem coloridas. The Tattoo Colouring Book contém vários designs de tatuagens aos quais falta preenchimento. Livros como Mandalas de Mindfulness e A Arte do Mindfulness: Penas utilizam desenhos mais simples, intricadas formas geométricas, mandalas e penas para cativar um público mais cético e inexperiente na arte de colorir.

O propósito, esse, é sempre o mesmo: voltar a pegar nos lápis de cor, ressuscitar o hábito de colorir que tão ativamente se cultiva na infância mas que se perde com o passar dos anos, aprender a relaxar e perder-se nas ilustrações.


Por: Inês Melo

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