Quando os animais são os protagonistas

Os animais são muitas vezes as estrelas dos livros infantojuvenis. Comportando-se como eles próprios ou assumindo modos humanos, aguçam a imaginação e ensinam importantes lições.

Os livros infantojuvenis estão repletos de animais. São cães, gatos, ursos, patos, raposas e muitos outros, que por vezes até falam e se vestem como pessoas. Também existem em histórias para adultos, mas é nos livros e nas fábulas para os mais novos que se evidenciam. Afinal, muitas crianças reconhecem-se nas vidas dos pequenos e divertidos animais com que se deparam. As histórias que os incluem como personagens centrais têm, por isso, para elas, um apelo especial.

Animais que ensinam comportamentos

Os leitores mais jovens – aqueles a quem os livros são habitualmente lidos, já que ainda estão a aprender a ler sem ajuda – podem retirar muitas lições de histórias protagonizadas por animais. Um bom exemplo disto é Não!, um livro escrito por Tracey Corderoy e ilustrado por Tim Warnes no qual um pequeno rinoceronte aprende a dizer a palavra “não” e a torna a sua resposta para tudo. A história reflete a célebre “fase do não” pela qual a maioria das crianças passa, e até mostra como a ultrapassar: ao longo da narrativa, o rinoceronte compreende que a sua constante recusa o afasta de experiências potencialmente divertidas. Ilustrado pelo mesmo Tim Warnes, mas com texto de Carrie Weston, Oh, Boris! tem uma função igualmente didática, ensinando as crianças a lidar com a entrada no infantário ou na escola através do primeiro dia de aulas de um urso.

Animais que moldam atitudes

Os leitores um pouco mais crescidos – mas para os quais ainda é obrigatório que os livros tenham imagens – podem divertir-se enquanto aprendem lições um pouco mais complexas. Em O Pato Camponês, Martin Waddell e Helen Oxenbury unem esforços para criar uma narrativa que pode muito bem ter sido inspirada em A Quinta dos Animais de George Orwell, centrada num grupo de animais que se revoltam contra o dono da quinta em que vivem. Também há O Caçador e a Baleia, de Paloma Sánchez Ibarzábal e Iban Barrenetxea, uma homenagem a Moby Dick no qual um caçador persegue incansavelmente uma baleia e que, tal como no clássico de Herman Melville, introduz às crianças os conceitos de proteção animal e solidão. Mais descomplexado é O Fantástico Sr. Raposo, de Roald Dahl e Quentin Blake, sobre uma raposa que rouba galinhas e que precisa de ser suficientemente esperta para não ser apanhada pelos donos.

Animais que são humanos sem o serem

Os leitores adolescentes – para os quais as ilustrações até podem ser uma mais-valia mas a história é o principal ponto de interesse – podem apreciar os animais sem que estes necessitem de desenvolver características antropomórficas. É o caso de O Apelo da Selva, de Jack London, no qual acompanhamos um cão que é roubado e mal tratado mas acaba por encontrar o seu caminho e lugar no mundo. Ou de A Vida de Pi, de Yann Martel, onde um rapaz se vê perdido no mar, a bordo de um salva-vidas, tendo por companheiros um enorme tigre, uma zebra, uma hiena e um orangotango. Destaque-se ainda O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, um conto escrito por Jorge Amado e ilustrado por Carybé que retrata a improvável história de amor entre um gato e uma andorinha. Porque os animais não precisam de se comportar como humanos para o parecerem.


Por: Tiago Matos

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