Psycho, The Shining e outros grandes livros que provavelmente conheceste no cinema

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Foi em páginas de romances que nasceram alguns dos mais fantásticos filmes de Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock ou Steven Spielberg. Se só conheces estas histórias do cinema, fica a saber que os livros que as inspiraram também merecem a tua atenção.

Boneca-de-Luxo
Edição em inglês
Breakfast at Tiffany’s

BONECA DE LUXO

O filme: BONECA DE LUXO

Imagem inesquecível: Audrey Hepburn, de óculos escuros e cabelo apanhado ao alto, a beber um café enquanto admira a montra de uma loja Tiffany em Nova Iorque. E é logo a primeira cena de Boneca de Luxo, filme de culto que cimentou em definitivo a atriz como ícone global de elegância – e no qual até canta o sempre charmoso “Moon River”.

Curiosamente, há muita gente que ainda desconhece que esta popular comédia romântica nasceu a partir de um livro escrito por Truman Capote – esse mesmo, o autor de A Sangue Frio – e que a história é na verdade uma memória sobre os seus primeiros tempos em Nova Iorque, quando conheceu a extrovertida socialite Holly Golightly.

GONE WITH THE WIND

O filme: E TUDO O VENTO LEVOU

“Francamente, minha querida, estou-me nas tintas.” A frase, reconhecida pelo American Film Institute como a melhor citação cinematográfica de todos os tempos, surge apenas de forma parcial no livro de Margaret Mitchell, mas nem por isso esta história sobre a implacável ascensão social de Scarlett O’Hara após a Guerra Civil Americana, originalmente publicada em 1936, perde o encanto. Pelo contrário. Este romance vencedor do Pulitzer mantém-se inclusive como um dos livros favoritos dos leitores americanos. Não obstante, é impossível dissociá-lo da épica adaptação cinematográfica de 1939, com Vivien Leigh e Clark Gable como protagonistas.

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2001: A Space Odyssey

2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO

O filme: 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO

Um monólito que parece guardar todos os segredos da humanidade, uma viagem pelo espaço e um computador mais humano do que os humanos que tem a responsabilidade de servir. São estes os elementos de um dos mais incríveis filmes de todos os tempos, uma obra que só poderia ter saído da genial mente de Stanley Kubrick… Ou será que não?

Na verdade, Kubrick contou com a preciosa ajuda de Arthur C. Clarke que explorou a ideia em livro ao mesmo tempo que o filme era desenvolvido. Infelizmente, o estrondoso sucesso de 2001, o filme, quase eclipsou 2001, o livro, mas a qualidade permanece lá.

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A Clockwork Orange

A LARANJA MECÂNICA

O filme: LARANJA MECÂNICA

“Compreendi quão pouco impacto tem um livro, por mais chocante que seja, em comparação com um filme”, disse Anthony Burgess, autor desta distopia centrada num adolescente com propensão para a “ultraviolência”, depois de assistir à icónica adaptação que Stanley Kubrick fez da sua história. “A façanha de Kubrick engoliu a minha”, acrescentou.

A verdade é que Kubrick tinha esse efeito. Pegava em boas histórias escritas por outras pessoas e dava-lhes o seu cunho pessoal no grande ecrã de formas tão marcantes que estas se tornavam indissociáveis dele próprio. Também por isto, Burgess rapidamente se desencantou com a sua própria criação e acabou por a repudiar, considerando que Kubrick conseguiu, em simultâneo, promover e eclipsar o seu livro.

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The Shining

THE SHINING

O filme: SHINING

Mais uma “façanha” de Stanley Kubrick, para citar Anthony Burgess na entrada anterior. E, tal como este escritor, também Stephen King começou por se sentir bastante descontente com a adaptação do seu terceiro romance ao cinema. Considerava King que Shining, o filme, era “um lindo Cadillac sem motor”, criticando o tratamento dado a alguns dos seus personagens.

A verdade é que, quase 40 anos após a estreia, a adaptação de Kubrick permanece um dos mais elogiados – e aterradores – filmes de todos os tempos. E, embora isto faça com que já não consigamos imaginar Jack Torrance sem a desvairada expressão de Jack Nicholson, o livro de King conta uma história tão ou mais fantástica sobre autocontrolo e os demónios que nos assombram.

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Carrie

CARRIE

O filme: CARRIE

Continuamos com Stephen King. Foi em 1974, depois de anos de rejeições, que este autor natural do Maine publicou o seu primeiro romance, sobre uma adolescente com poderes telecinéticos, vítima habitual de bullying, reprimida pela ultrarreligiosa mãe.

O livro revelou-se um enorme sucesso, permitindo que King abandonasse o emprego como professor de Inglês para se dedicar em exclusivo à escrita, mas terá sido a adaptação ao cinema realizada por Brian De Palma dois anos depois que tornou esta história um verdadeiro clássico.

Hoje tido como um dos melhores filmes de terror de todos os tempos, Carrie dá-se a algumas liberdades criativas relativamente ao enredo original, mas a imagem de Sissy Spacek coberta de sangue no palco de um baile de finalistas é tão fantástica que tudo se perdoa.

PSYCHO

O filme: PSICO

Reza a lenda que terá sido Peggy Robertson, assistente de Alfred Hitchcock, a responsável por apresentar ao realizador o até então relativamente obscuro livro de Robert Bloch. Quando o terminou de ler, Hitchcock apressou-se a comprar os direitos de adaptação da história (pela bagatela de 9 500 dólares) e ainda pediu a Robertson para comprar todos os exemplares que encontrasse à venda do livro, pois queria manter a surpresa desta história longe dos olhares do público o máximo de tempo possível.

Psycho, o filme, acabou por se revelar um dos maiores sucessos da carreira de Hitchcock e a sua influência continua a fazer-se notar. Já o livro que conta a peculiar história de Norman Bates nunca conseguiu atingir o mesmo nível de popularidade.

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Ben Hur

BEN-HUR

O filme: BEN-HUR

Judah Ben-Hur e Jesus Cristo nasceram na mesma região. Sensivelmente na mesma altura. E, embora os caminhos dos dois homens raramente se tenham cruzado, Jesus acabou por deixar uma importante marca na vida de Ben-Hur.

Imaginada por Lew Wallace, a história deste nobre judeu que se vê injustamente acusado e condenado à escravidão foi popular enquanto livro, mas onde realmente explodiu foi no grande ecrã. Particularmente na sua terceira adaptação, em 1959, sob a forma de um filme que mudou a forma como se entendiam os épicos, distinguido na época com 11 Óscares – ainda hoje um recorde, partilhado com Titanic e O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei.

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The Color Purple

A COR PÚRPURA

O filme: A COR PÚRPURA

É uma história sobre violência doméstica, opressão das mulheres, racismo, que, controvérsias à parte, conquistou o seu lugar na literatura americana, valendo à autora Alice Walker um Pulitzer e um National Book Award. Apesar disto, será porventura mais conhecida do grande público devido à adaptação que Steven Spielberg fez em 1985, um filme que assinalou igualmente as estreias de Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey como atrizes.

A Cor Púrpura, o filme, foi nomeado para uns impressionantes 11 Óscares mas, de forma não menos impressionante, acabou por não conquistar nenhum. Foi, apesar disto, um grande sucesso de bilheteiras, arrecadando mais de 140 milhões de dólares a partir de um orçamento de 15 milhões.

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Out of Africa

ÁFRICA MINHA

O filme: ÁFRICA MINHA

Foi em 1937 que a dinamarquesa Karen Blixen publicou as suas memórias dos 17 anos que passou no Quénia – então conhecido como África Oriental Britânica. Por lá geriu uma plantação de café. Também por lá se apaixonou, formou novas amizades e viveu experiências inesquecíveis.

Terá sido por isto que Sydney Pollack decidiu transportar o livro para o grande ecrã. A adaptação de 1985, com Meryl Streep e Robert Redford nos principais papéis, tem algumas diferenças significativas para com o livro de Blixen, mas ainda assim conquistou sete Óscares e fez mais de 220 milhões de dólares nas bilheteiras.

SERÁ QUE OS ANDROIDES SONHAM COM OVELHAS ELÉTRICAS?

O filme: BLADE RUNNER

A premissa que lhes serve de base é a mesma: numa Terra delapidada de recursos, um caçador de recompensas é contratado para encontrar e eliminar um grupo de androides que se fazem passar por humanos. A questão central também: se a tecnologia evoluir para um ponto em que os androides têm sentimentos, será que os podemos continuar a rejeitar como humanos? E, no entanto, o livro que serve de base para o clássico Blade Runner, escrito com a maestria habitual de Philip K. Dick, não podia ser mais diferente do filme que celebrizou a história. O que não é mau: tanto um como o outro são referências importantes da ficção científica.

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Fight Club

CLUBE DE COMBATE

O filme: CLUBE DE COMBATE

Se é verdade que tendemos a concordar que a qualidade de um livro é sempre melhor do que a de um filme nele baseado, também o é que há exceções. E Clube de Combate será certamente uma delas. Não é que o livro seja mau, muito longe disso – na verdade, é um dos melhores trabalhos do sempre irreverente Chuck Palahniuk –, mas o filme que David Fincher realizou em 1999, com Edward Norton e Brad Pitt nos principais papéis, está tão bem conseguido que o próprio Chuck Palahniuk admitiu sentir-se algo “embaraçado” pelo seu livro quando o assistiu.

Disse o escritor: “O filme condensou o enredo, tornando-o muito mais eficaz, e estabeleceu conexões que nunca me passaram pela cabeça”. Enfatizou ainda a componente romântica do enredo, outra decisão aprovada por Palahniuk, que considera que a sua história é verdadeiramente “sobre um homem que chega a um ponto em que é finalmente capaz de se comprometer com uma mulher”.

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The Godfather

O PADRINHO

O filme: O PADRINHO

Há quem defenda que é o melhor filme de sempre, o que por si só dá a ideia de que o romance de Mario Puzo que lhe serve de inspiração é uma espécie de “parente pobre”. Não é o caso. Este épico criminal, que conta a história de uma família mafiosa, encabeçada pelo patriarca Vito Corleone, chegou inclusive a ser comparado com Os Irmãos Karamazov e já era um grande sucesso comercial antes de a celebrada adaptação chegar aos cinemas.

Não obstante, é verdade que Francis Ford Coppola – e um elenco recheado de talentos como Marlon Brando, Al Pacino, James Caan e Robert Duvall – nos fez uma proposta que não pudemos recusar, transformando a obra-prima de Puzo numa obra-prima do cinema mundial.

Por: Tiago Matos

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