Autor do mês: O que ainda não sabes sobre Philip K. Dick, o homem que deu uma nova vida aos androides

Philip K. Dick 

Naturalidade
Chicago, Illinois, Estados Unidos

Data de nascimento
16 de dezembro de 1928

Morte
2 de março de 1982

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Revolucionou a ficção científica com ideias visionárias que transcenderam os livros. Morreu inesperadamente nos anos 80, mas se fosse vivo estaria a celebrar o 90.º aniversário. Razão mais do que suficiente para a Estante recordar o genial Philip K. Dick em sete curiosidades que provavelmente não conhecias sobre ele.

Philip K. Dick acredita que Rick Deckard não era androide nem humano

A história por trás de Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? é surpreendente: o autor ficou chocado com as atrocidades nazis perpetuadas durante a Segunda Guerra Mundial e desenvolveu a ideia de os humanos sem empatia serem androides. Na ficção criou um mundo onde androides e humanos coabitam, mas estas não são as únicas “categorias” que o dividem. Até porque o autor considera a personagem principal do seu romance uma espécie de novo híbrido. “Ao ter relações sexuais com uma androide, [Rick Deckard] torna-se um misto – não um indivíduo humano ou androide, mas um novo tipo de modelo.”


Philip K. Dick chegou a escrever 120 palavras por minuto

Quando estava sob o efeito de speed – a sua droga de eleição – Philip K. Dick afirmava ser capaz de escrever quase 70 páginas por dia e 120 palavras por minuto. As suas primeiras sessões de escrita duravam mais de 20 horas. O Homem Duplo terá sido o primeiro livro que escreveu sem estar sob o efeito de drogas depois de ter saído de um centro de reabilitação no Canadá. Há quem considere as parecenças entre o autor e a personagem principal – viciada na “substância D” – como razão para considerar este um livro de memórias. Philip K. Dick esclarece na nota de autor do próprio livro: “Eu não sou uma personagem neste romance; eu sou o romance.”


Philip K. Dick nunca viu nenhum dos seus livros adaptados ao cinema

O autor dos romances que inspiraram filmes como Blade Runner, Relatório Minoritário e O Homem Duplo morreu antes da estreia de qualquer destas adaptações. Mas por pouco. Blade Runner estreou três meses após a morte de Philip K. Dick – que inicialmente até rejeitou a adaptação de Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? ao cinema. O autor acusou a primeira proposta de guião do filme de destruir o seu livro. Tanto que começou a beber dois copos de whiskey por noite. Só quando David Peoples rescreveu o guião é que Dick concordou com a adaptação.


Philip K. Dick comparou o seu (mau) génio ao de Beethoven

Casou várias vezes. Tantas que “detesta dizer quantas”. Que se saiba foram cinco, que por sua vez resultaram em três filhos – uma das filhas é até produtora na adaptação televisiva de O Homem do Castelo Alto. Mas, nas palavras de Philip K. Dick, o falhanço das suas relações tem uma explicação: quando escrevia tornava-se belígero e defensivo, sem partilhar a sua privacidade, como Beethoven quando compunha. Hoje vê a sua genialidade reconhecida num prémio literário com o seu nome.


Philip K. Dick dizia-se guiado por uma voz na sua cabeça

Era a voz de uma mulher. Vinha de milhões de quilómetros de distância e só a conseguia ouvir quando estava a adormecer ou a acordar. Chamava-se Ruah, que no antigo testamento significa “espírito de Deus”, e era uma voz de poucas palavras: muito concisa nas mensagens que lhe transmitia, maioritariamente sobre a “expectativa messiânica”. Philip K. Dick dizia que a ouvia de tempos em tempos, desde o ensino secundário. “Não a ouço desde que escrevi The Divine Invasion, mas espero voltar a ouvi-la em tempos de crise”, revelou na sua última entrevista. 


Philip K. Dick vivia obcecado com teorias da conspiração

Depois da remoção dos dentes do siso enquanto escrevia O Homem Duplo, Philip K. Dick relatou um encontro com uma “força espiritual” que lhe permitiu perceber que o Império Romano ainda existia – personificado pela administração do Presidente Richard Nixon – e era responsável pela morte de John F. Kennedy e Martin Luther King. Apesar da aparente desconfiança no governo, chegou a colaborar com as autoridades na denúncia de agentes inimigos. Em 1974 acusou um autor polaco que o admirava de fazer parte de uma equipa de “escritores soviéticos cujo trabalho era espalhar propaganda antiamericana”.


Philip K. Dick tinha um alter ego

Chegou a escrever mais de oito mil páginas com base nas suas “visões” depois do tal encontro com a “força espiritual” em 1974. Tinha feito uma grande descoberta: havia outro ser com ele, chamado Thomas, um cristão perseguido pelos romanos durante o Império. E a cidade onde vivia nos Estados Unidos era, na verdade, Roma ou Palestina do século I. Os dois coabitavam na mesma pessoa e não havia dois mil anos a separá-los. Há quem acredite que esta “paranoia” de Philip K. Dick era causada pelo consumo de drogas. Outros acreditam na teoria de doença mental. Certo é que estas suas experiências visionárias foram o ponto de partida para a trilogia Valis e inspiraram muita da literatura biográfica lançada depois da morte do autor.

Por: Tatiana Trilho

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