Alter Ego de Paulo Furtado, The Legendary Tigerman

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fnac-revista-estante-legendary-tigerman-paulo-furtadoPaulo Furtado

Nasceu em Moçambique, mas cedo chegou a Portugal e por cá se tornou uma das incontornáveis referências do blues nacional. Em jeito de one-man-show, dando pelo nome de The Legendary Tiger Man, ou junto com os WrayGunn, banda da qual é vocalista e principal compositor, lançou mais de uma dezena de álbuns, o último dos quais intitulado True.

Paulo Furtado

The Legendary Tigerman

Tens feito muitas bandas sonoras para cinema e música para teatro. O que é que ainda gostavas de fazer e com quem?

Tenho trabalhado muito para cinema e teatro, felizmente, porque é um trabalho que adoro, em que a música é parte de algo maior, não é um fim em si. É algo que está ao serviço da imagem, da narrativa, dos personagens, dos atores. É apaixonante. A grande maioria tem sido feita em coautoria com a Rita Redshoes, temos linguagens que se complementam muito bem. Um dos sonhos que tenho no cinema é trabalhar com o Jim Jarmusch (por mais irreal e longe que isso aparentemente esteja!), e para teatro vou realizar um grande desafio, em setembro, que é trabalhar num musical. Mas, na realidade, e para ser totalmente honesto, gostava muito de, daqui a 20 anos, ainda estar a criar música para teatro e cinema, isso chega-me.

De que fala a tua música?

Normalmente, escrevo sobre coisas muito próximas de mim, nesse aspeto sou um pouco autocentrado e fechado na concha. Eventualmente, sobre coisas que me aconteceram, e depois fantasio um pouco a realidade. Depois há filmes ou imagens de filmes ou de arte que me podem lançar numa determinada direção ou sugerir uma história qualquer.

Há uma frase numa música do True, o teu último disco: “The art of others keeps me alive” [“a arte dos outros mantém-me vivo”]. É verdade?

Bem, às vezes isso é bastante mais verdade do que eu gostaria de admitir. Sim, em muitos momentos da minha vida, olhar uma pintura, ver um filme, uma peça de teatro ou uma performance pode efetivamente dar-me força e vontade de continuar e fazer coisas e, em última análise, viver.

E fazer arte também te ajuda nesse processo?

Desde muito novo que a arte, em várias formas ao longo do meu crescimento, tem sido fundamental na minha vida. Consigo imaginar-me sem dinheiro, sem fazer música, com um emprego das 9 às 17. Mas acho que teria sempre algum modo de me exprimir, é mais forte do que eu. Tenho de fazer algo, sempre, fazer é a palavra que me define. Sou um fazedor, mais do que um pensador. Sou instintivo.

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