Os melhores escritores portugueses do século XX: 1980-1999

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alguns dos melhores
escritores portugueses:
Entre 1900 e 1929
Entre 1930 e 1959
Entre 1960 e 1979

As duas últimas décadas do século XX, pela proximidade com a Revolução de Abril, são um período de liberdade na literatura portuguesa. Os autores encontram, muito pelas suas próprias experiências no estrangeiro, novas estéticas e novos temas. Rompe-se com o cânone.

JOSÉ SARAMAGO

Nascido na Golegã em 1922, é o mais sonante nome da literatura contemporânea portuguesa e o único escritor nacional galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, considerado o responsável pelo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. As suas ligações políticas eram conhecidas e foram fortes influenciadoras da sua obra literária.


Memorial do Convento

Romance passado durante o reinado de D. João V, utiliza a construção do Palácio Nacional de Mafra enquanto pretexto para discorrer sobre a exploração dos pobres pelos ricos, que leva à guerra entre os indivíduos; a corrupção religiosa e a solidão da luta contra a autoridade.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Este foi o livro mais polémico de toda a obra de Saramago e que levou a que este se mudasse definitivamente para Lanzarote. Nesta obra relata-se a vida de Jesus Cristo de uma perspetiva humanizante, através, por exemplo, da sua relação com Maria Madalena.

A Jangada de Pedra

No estilo muito próprio de Saramago, A Jangada de Pedra relata os acontecimentos que se seguem à separação física da Península Ibérica – que flutua agora no Atlântico – do resto da Europa. A partir daqui o autor faz uma crítica social e política da atualidade, abordando as questões da autoridade, dos jogos de poder, entre outras.

MÁRIO DE CARVALHO

Nascido em 1944 na cidade de Lisboa, tem uma forte ligação à região sul de Portugal, muito presente na sua obra. Cedo se iniciou na resistência contra o regime salazarista, o que culminaria na sua prisão pela PIDE. Em 1973 saiu clandestinamente do país, tendo-se exilado na Suécia. A sua escrita é considerada de difícil classificação na literatura portuguesa, frequentemente utilizando a ironia e a sátira.


Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde

Romance passado durante um episódio da vida da cidade romana da Lusitânia, Tarcisis. Na iminência de uma invasão bárbara, o magistrado da cidade tem de tomar todas as decisões políticas face ao perigo externo mas, também, ao crescente descontentamento para com os costumes romanos protagonizado por uma nova seita que evoca os ensinamentos de um crucificado.

Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto

Livro que tem a cidade de Lisboa como cenário e a realidade social e política portuguesa como mote. É percetível, ao longo de toda a obra, o descontentamento do autor para com o elitismo e a burocracia.

Os Alferes

Este livro está dividido em três histórias distintas, cada uma delas acompanhando uma situação e personagens específicos. Três histórias distintas que têm, em comum, a Guerra Colonial e a forma humorística como o autor relata os acontecimentos.

TEOLINDA GERSÃO

Nasceu em Coimbra, em 1940. Estudou Literaturas Germanísticas, o que a levou a viver na Alemanha durante algum tempo. Na sua escrita está sempre presente a preocupação pela busca de um sentido ético e social. A sua obra tem sido reconhecida nos inúmeros prémios literários que conquistou ao longo dos anos.


Os Guarda-Chuvas Cintilantes

Neste livro, escrito no formato de um diário ficcionado, a autora relata a dificuldade da adaptação ao mundo moderno enquanto indivíduo singular, ao mesmo tempo que compreende a pluralidade dimensional em que se encontra.

MIGUEL ESTEVES CARDOSO

Nasceu em Lisboa, em 1955, no seio de uma família burguesa. O facto de ser filho de pai português e de mãe inglesa possibilitou que se tornasse bilingue e, mais tarde, os seus estudos em Inglaterra conferiram-lhe uma visão distanciada de Portugal e dos portugueses que viria a aproveitar nas suas crónicas. Teve um breve percurso na docência, que abandonou para se dedicar inteiramente à comunicação social.


A Causa das Coisas

Este livro reúne algumas das crónicas que Miguel Esteves Cardoso escreveu para o jornal semanal Expresso. Dividido em duas partes (a Causa e as Coisas), retrata de forma bem-humorada e, também, caricatural a realidade nacional daquele tempo.

MARIA GABRIELA LLANSOL

Nasceu em Lisboa em 1931, tendo vivido exilada na Bélgica entre 1965 e 1984. A sua escrita é marcada pela rutura com as convenções, escrevendo de forma fragmentária e não linear. Apesar da experiência de escrita desta autora ser de metamorfose e de poética, as temáticas abordadas têm sempre um peso político.


Lisboaleipzig

Neste ensaio sobre a música, o tempo e o espaço são completamente subvertidos. A narrativa centra-se no encontro entre Fernando Pessoa e Johann Sebastian Bach (figuras que viveram em séculos distintos, mas que são dois grandes nomes da criação artística), numa Lisboa que é Leipzig e Leipzig que é Lisboa.

Por: Susana Delgado
Fotografias: Facebook (Maria Gabriela Llansol),
Maria João Esteves Cardoso (Miguel Esteves Cardoso),
David Clifford/4SEE (Teolinda Gersão)

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