Os melhores escritores portugueses do século XX: 1960-1979

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alguns dos melhores
escritores portugueses:
Entre 1900 e 1929
Entre 1930 e 1959

A literatura portuguesa entra na segunda metade do século XX com muita poesia, mas também com uma preocupação evidente com o estado político e social do país. Herberto Helder, Ruy Belo e Luís de Sttau Monteiro foram alguns dos seus protagonistas.

HERBERTO HELDER

Nasceu no Funchal, a 23 de novembro de 1930, e morreu em Cascais, a 23 de março de 2015, aquele que muitos consideram o maior poeta português da segunda metade do século XX. Com um estilo algures entre o experimental e o surrealista, Herberto Helder destacou-se também pelo feitio reservado que o levava a fugir aos holofotes sempre que podia, ao ponto de recusar, em 1994, receber o Prémio Pessoa.


Os Passos em Volta

O primeiro livro de contos de Herberto Helder, publicado em 1963, é um exercício de estilo que utiliza a prosa poética para refletir sobre a vida. É um dos 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos, de acordo com a eleição promovida pela revista Estante.

Photomaton & Vox

Originalmente publicado em 1979, este não é apenas um livro de poesia. Mas também não é apenas um livro de prosa. Reunindo textos – vários dos quais autobiográficos – num estilo muito pessoal, é considerado um dos mais importantes trabalhos de Herberto Helder.

MARIA VELHO DA COSTA

Quase se perde a conta aos prémios com que Maria Velho da Costa já foi distinguida – o mais importante dos quais o Prémio Camões, em 2002. Nascida em 1938, a autora começou por se destacar, com Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno, com um dos mais controversos livros de sempre em Portugal: Novas Cartas Portuguesas. Mas são muitos os livros escritos a solo que vale a pena conhecer.


Casas Pardas

Publicado em 1977, este romance de Maria Velho da Costa tem lugar quase uma década antes, no final da década de 1960, quando a ditadura salazarista dominava ainda a sociedade portuguesa. Refletindo o espírito elucidado e desafiante da autora, centra-se nas vidas de três mulheres e nas casas que representam.

RUY BELO

Nasceu em 1933, publicou o primeiro livro em 1961 e morreu em 1978, com apenas 45 anos. A vida relativamente curta não impediu, contudo, que fosse um dos principais poetas – e existencialistas – portugueses de sempre, sendo hoje apontado como referência por personalidades tão distintas como Francisco Vale, Matilde Campilho e Catarina Furtado.


O Problema da Habitação

Composto por apenas dez poemas, este livro publicado em 1962 é descrito por Fernando Pinto do Amaral, que escreve o prefácio, como “um dos momentos mais coerentes e mais densos da obra de Ruy Belo”.

Homem de Palavra(s)

No texto introdutório deste livro publicado em 1969, Ruy Belo refere que lhe parece “ter escrito poemas, introduzido processos, buscado formas que nunca escrevera, introduzira ou buscara até então”. É, por isso, um título imperdível para qualquer apreciador da sua poesia.

País Possível

Escrito em 1973, ainda antes da queda do Estado Novo, este é um livro em que Ruy Belo reflete sobre Portugal, “país que só existe em pensamento”, através de 29 poemas que passam pelos mais distintos aspetos do nosso país.

LUÍS DE STTAU MONTEIRO

Nasceu e morreu em Lisboa, respetivamente em 1926 e 1993, mas viveu alguns anos em Inglaterra, o que lhe terá ajudado a desenvolver um sentido crítico sobre a sociedade portuguesa durante o Estado Novo. Incutiu-o na ficção, mas também no teatro, meio para o qual criou o bem conhecido guião de Felizmente Há Luar.


Um Homem não Chora

O primeiro romance de Luís de Sttau Monteiro, originalmente publicado em 1960, é o relato íntimo de um relacionamento a desmoronar. Acompanhamos as meditações de um homem que pondera como sair de um casamento infeliz, ao mesmo tempo que questiona o seu lugar numa sociedade portuguesa cada vez mais cinzenta em época de Estado Novo.

RUBEN A.

Será porventura o nome menos conhecido desta lista, mas Ruben A. (pseudónimo de Ruben Alfredo Andersen Leitão) desenvolveu uma obra tão polivalente – romances, novelas, contos, peças, ensaios, diários, biografias – e de tanta qualidade que merece um lugar nesta lista de melhores escritores portugueses do século XX. Nascido em Lisboa, em 1920, viveu muitos anos em Inglaterra e foi aí que morreu, aos 55 anos.


A Torre da Barbela

Por muitos considerada a obra-prima de Ruben A., esta (pouco convencional) narrativa tem como centro a Torre de Barbela, a única torre triangular da Península Ibérica, na qual se juntam para bizarras conversas, todas as tardes, cavaleiros e princesas, padres e bruxas, entre outras curiosas personagens históricas oriundas de diferentes séculos.

BÓNUS

O-Nome-das-Coisas

O Nome das Coisas
Sophia de Mello Breyner Andresen

Embora já tenhamos destacado Sophia de Mello Breyner Andresen num período temporal anterior, não poderíamos encerrar uma lista de recomendações literárias publicadas entre 1960 e 1979 sem referir este livro de poemas da autora, que explora, entre outros, temas como a ditadura, a guerra e a revolução.

Fotografia: Alfredo Cunha/Porto Editora (Herberto Helder)

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