Os melhores escritores portugueses do século XX: 1930-1959

A poesia e o surrealismo marcaram a literatura portuguesa no segundo quarto do século XX, com nomes como Alexandre O’Neill e Sophia de Mello Breyner Andresen a publicarem algumas das suas mais emblemáticas obras neste período.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

A primeira mulher distinguida com o conceituado Prémio Camões nasceu no Porto, a 6 de novembro de 1919, e aventurou-se desde cedo na escrita de poemas, publicando o primeiro livro, Poesia, aos 25 anos. Ao longo da carreira, distinguiu-se também na literatura infantil, assinando histórias como A Menina do Mar, A Fada Oriana e O Cavaleiro da Dinamarca. Morreu aos 84 anos, a 2 de julho de 2004, em Lisboa.


Dia do Mar

O segundo livro de Sophia de Mello Breyner Andresen, publicado em 1947, tem como foco a natureza, e em particular o mar, exaltado em dezenas de poemas como meio privilegiado para alcançar a harmonia.

Coral

Publicado três anos após O Dia do Mar, o terceiro livro da autora é quase uma sequela do seu trabalho anterior, na medida em que os seus poemas refletem a busca contínua por pureza através de tudo o que é natural.

No Tempo Dividido

Sophia de Mello Breyner Andresen considerava este livro um “livro de passagem”, o que na verdade traduz bem o seu tema central e um dos assuntos principais da poesia da autora: o tempo.

EUGÉNIO DE ANDRADE

Chamava-se José Fontinhas, mas o tempo imortalizou-o como Eugénio de Andrade. Foi este o pseudónimo que encontrou para assinar os seus poemas (e prosas) depois de, ainda adolescente, ter publicado um primeiro, “Narciso”, com o seu verdadeiro nome. Pouco dado a aparições públicas, este escritor nascido em 1923 e falecido em 2005 é ainda hoje tido como um dos grandes nomes da poesia portuguesa.


Primeiros Poemas + As Mãos e os Frutos + Os Amantes sem Dinheiro

Num só volume, alguns dos mais importantes poemas que Eugénio de Andrade escreveu durante a década de 1940. A juntar aos muito elogiados As Mãos e os Frutos e Os Amantes sem Dinheiro, Primeiros Poemas reúne alguns dos melhores trabalhos dos seus dois primeiros livros – Adolescente e Pureza.

As Palavras Interditas + Até Amanhã

Originalmente publicados em 1951 e 1956, os dois volumes que compõem esta obra de Eugénio de Andrade reúnem, nas palavras de Nuno Júdice, “uma poesia de imagens em que se repete a imagem única que se encontra no horizonte dessa busca de perfeição que dá sentido a cada poema”.

ALEXANDRE O’NEILL

Nasceu em Lisboa, a 19 de dezembro de 1924, e morreu na mesma cidade, a 21 de agosto de 1986, um dos mais importantes escritores do movimento surrealista português. Alexandre O’Neill escreveu alguns dos poemas mais emblemáticos da nossa língua, mas também é conhecido pelo trabalho enquanto redator publicitário – é dele o slogan “Há mar e mar, há ir e voltar” –, argumentista e letrista, tendo inclusive chegado a escrever para Amália.


A Ampola Miraculosa

Publicado em 1948, o primeiro livro de Alexandre O’Neill tem apenas 32 páginas, mas é bem demonstrativo do seu talento criativo e da sua propensão para o surreal. É muitas vezes descrito como um “romance-colagem”, na medida que vive na ligação entre imagens e legendas. O chamado livro de autor.

MÁRIO CESARINY

À semelhança de Alexandre O’Neill, também Mário Cesariny se fez notar enquanto elemento preponderante do surrealismo português. Nasceu em Lisboa, a 9 de agosto de 1923, e morreu na mesma cidade, a 26 de novembro de 2006. Pelo meio, celebrizou-se não só como poeta – condição que lhe vale o rótulo de um dos melhores escritores portugueses de sempre –, mas também como pintor.


Manual de Prestidigitação

Neste livro publicado em 1956, Mário Cesariny revela uma imaginação verdadeiramente desregrada na forma como estrutura os seus poemas. Os seus textos, maioritariamente escritos em cafés, estão agrupados por temas e brincam com a linguagem de uma forma que se viria a revelar revolucionária.

Nobilíssima Visão

Publicado em 1959, este livro reúne poemas escritos por Mário Cesariny entre 1945 e 1946, uma época em que, de acordo com o próprio, ainda andava em busca da sua voz. O seu resumo é o mais esclarecedor: “Sabia que queria cantar, não sabia o quê.” Nobilíssima Visão é, por isso, um interessante vislumbre dos seus primeiros passos.

CARLOS DE OLIVEIRA

Será possivelmente o nome menos familiar da lista que aqui apresentamos, mas Carlos de Oliveira destacou-se na literatura do seu tempo, movendo-se com a maior das desenvolturas entre a prosa e a poesia. Nascido no Brasil, em 1921, mudou-se para Portugal com apenas 2 anos e por cá se manteve até à data da sua morte, em 1981. É o autor de um dos mais elogiados romances da literatura portuguesa: Uma Abelha na Chuva.


 

Pequenos Burgueses

Carlos de Oliveira até pode ser mais conhecido por Uma Abelha na Chuva, mas este será provavelmente o seu romance mais complexo. Acompanha um grupo de personagens que vive sobretudo para as aparências, colocando a nu uma parte importante da realidade portuguesa sob a forma de uma comédia de costumes.

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