Os livros que inspiraram ou foram inspirados por It de Stephen King

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Sabias que Stephen King se inspirou num conto de fadas norueguês para escrever It – ou, em português, A Coisa? Conhece a história completa.

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Costuma assumir a forma de um palhaço. Tufos de cabelo vermelho de cada lado da cabeça careca. Um sorriso enorme pintado sobre a boca. Um punhado de balões de todas as cores numa das mãos. É possível que se apresente como Bob Gray, mas este não é o seu único nome, nem sequer o principal. Muitos conhecem-no como Pennywise, o Palhaço Dançarino. Outros descrevem-no apenas como “a coisa”, uma entidade maldita que existe com o único propósito de assustar e matar.

Quando imaginou o icónico vilão de um dos seus mais celebrados romances, Stephen King procurava escrever uma história que juntasse todos os terrores. Pensou, por isso, num monstro capaz de assumir as mais diversas formas de acordo com os medos mais profundos das suas presas. “A coisa” pode ser um lobisomem, um cadáver reanimado ou uma aranha gigante. Pode ser uma memória familiar deturpada ou um esguicho de sangue a sair do ralo do lavatório.

Na maior parte do tempo é um palhaço assassino.

Originalmente publicado em 1986, A Coisa haveria de se tornar um livro de culto. A adaptação à televisão, em 1990, deu uma ajuda na popularidade e, mais recentemente, dois filmes apresentam a história às novas gerações. A reação mais habitual é: mas como é que os escritores se lembram destas coisas? Nós explicamos.

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O LIVRO QUE INSPIROU A COISA

Podemos argumentar que Stephen King se baseou nele próprio quando começou a escrever A Coisa. Afinal, o “mestre do terror” já tinha escrito uma história sobre um grupo de crianças que formam uma forte amizade (embora eventualmente acabem por se separar) enquanto se debatem com uma situação no mínimo assustadora. Deu-lhe o nome “The Body” e juntou-a a três outras novelas na sua bem conhecida coleção Different Seasons, publicada em 1982.

Por outro lado, no site oficial de William Golding, Nicola Presley escreve que A Coisa tem muito de O Deus das Moscas, sugerindo que a distopia terá feito parte das inspirações de King. É possível. Tal como é possível que o americano também se tenha deixado influenciar pelos incontáveis livros (e filmes) de monstros que conhece para criar as várias metamorfoses de Pennywise.

Apesar disso, quando questionado sobre as eventuais influências de A Coisa, Stephen King refere apenas um livro: o muito improvável The Three Billy Goats Gruff, um conto de fadas norueguês sobre três cabritos que procuram atravessar uma ponte para chegar a um prado mas que acabam por encontrar um malvado troll que os ameaça comer.

Foi precisamente ao atravessar a pé uma ponte, quando era mais novo, que Stephen King se lembrou desta história e pensou o que aconteceria se, naquele momento, encontrasse um troll.

“Quis imediatamente escrever um romance sobre um troll debaixo de uma ponte”, explicou. “[Depois] decidi que a ponte podia ser a própria cidade se houvesse algo por baixo dela.” Por estranho que pareça, foi esta a primeira inspiração para a escrita de A Coisa.

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OS LIVROS QUE SE INSPIRARAM EM A COISA

A partir do momento em que o pequeno Georgie é devorado pelo temível Pennywise, logo na primeira cena da história, A Coisa entranhou-se no imaginário coletivo. E como a influência acontece em cadeia, muitos escritores se deixaram posteriormente inspirar, de forma mais ou menos consciente, pela aventura criada por King.

Desde logo o próprio King. Basta pensar que no romance Dreamcatcher, publicado 15 anos depois de A Coisa, o autor recria parcialmente o enredo. Também aqui a narrativa se divide em duas partes, acompanhando um grupo de amigos de infância que se encontram em adultos para um encontro macabro com uma entidade alienígena que os leva a recordar uma situação igualmente complicada vivida quando eram crianças.

É claro que a influência de A Coisa também se sente noutros autores. A britânica C. J. Tudor, por exemplo, não se cansa de indicar o nome de Stephen King como referência. “É o meu herói e um brilhante contador de histórias”, revelou à revista Estante. “Até poderia ser escritora se não fosse ele, mas foi com certeza ele que me inspirou a escrever o que escrevo.”

Não se estranham, por isso, as muitas semelhanças entre o thriller de estreia desta autora, O Homem de Giz, e A Coisa. Basta referir que é uma história dividida entre 1986 e 2016, acompanhando o mesmo grupo de amigos que se vê assombrado pelo sinistro “Homem de Giz”.

C. J. Tudor esclarece que não pensou conscientemente na obra de King enquanto escrevia o seu livro, mas admite que o seu “amor” por este autor é “visível nos elementos mais arrepiantes” e que até incluiu deliberadamente “um par de referências a obras de Stephen King” na sua narrativa.

Também Richard Cox viu o seu thriller sobrenatural The Boys of Summer receber várias comparações a A Coisa e o crítico Sean Beaudoin até escreveu que o livro poderia muito bem ter sido escrito pelo próprio Stephen King. Entre os principais elementos do enredo estão um grupo de adolescentes, um tornado e a obtenção da estranha habilidade de ver o futuro. Tal como em todos os romances até agora indicados, também aqui a narrativa se divide em dois períodos temporais: 1983 e 2008.

Existem outros exemplos, mas e que tal um que tem dado tanto que falar na televisão? É isso mesmo, a popular série Stranger Things também foi baseada em A Coisa – aliás, os irmãos Duffer só avançaram para a sua criação depois de terem sido rejeitados na sua candidatura para realizar as mais recentes adaptações cinematográficas do livro de Stephen King. Por arrasto, todos os livros inspirados na série, como Mentes Inquietas, Nova Iorque Sobre Trevas ou O Outro Lado, podem ser considerados “descendentes diretos” da obra de King.

Resumo: se gostas deste livro do mestre do terror, alegra-te porque ainda tens muitas histórias com um ambiente e um enredo semelhantes que podes ler.

Por: Tiago Matos

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