Os livros de Hillary Clinton e Donald Trump

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Sabias que há quem apelide o livro de Donald Trump de O Sociopata? E que Hillary Clinton prefere um autor russo? Fomos perceber que livros inspiram os candidatos às eleições norte-americanas, que se realizam a 8 de novembro.


Os Livros dos Ex-Presidentes

Decision Points (2010)

Questionada sobre o livro da sua estante que mais surpresa poderia causar, Clinton referiu as memórias do famigerado Presidente republicano George W. Bush.

All The President’s Men (1976)

O livro com que os jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward derrubaram o Presidente Richard Nixon, tão atual e cativante como há 40 anos.

Dreams f rom My Father (1995)

Para a despedida vale a pena ler o primeiro livro de Barack Obama, elogiado por pesos-pesados da literatura americana como Philip Roth e Toni Morrison.

Lincoln (1996)

Um dos mais de 15 mil livros sobre Abraham Lincoln, o mais popular dos presidentes americanos, do jornalista David Herbert Donald.

Não há palavras que bastem para descrever a relação primordial do homem com o livro. É o meio de comunicação e deslumbramento que mais tem resistido aos tempos, desde os papiros do Antigo Egito ao fatalismo da nossa era tecnológica. Todos continuam a consumi-lo e a serem consumidos por ele, mesmo que nos ecrãs. Mas não Donald Trump, a julgar pelo que diz Tony Schwartz.

Em julho, num ato de contrição à New Yorker, o jornalista e escritor disse estar arrependido de ter escrito The Art of the Deal, livro de 1987 que vendeu mais de um milhão de cópias, uma espécie de (auto)biografia que o empresário tornado candidato republicano garante ser da sua autoria, contra factos apresentados pela editora e pelo seu verdadeiro autor.

“Pus batom num porco”, confessou o biógrafo-fantasma. “Guardo um profundo remorso por ter contribuído para tornar Trump mais apelativo. Acredito genuinamente que se ele ganhar e tiver os códigos nucleares, há uma forte possibilidade de sermos conduzidos ao fim da civilização.”

Não é o único a pensá-lo, mas há que não ceder a fatalismos. Pode ser que não vença em novembro e que da corrida restem apenas as memórias de O Sociopata, título que Schwartz daria hoje a The Art of the Deal.

O livro protagonizou o seu anúncio de candidatura em 2015, quando Trump disse: “Os EUA precisam de um líder como o que escreveu The Art of the Deal.” Sobre livros favoritos, diz que só não é The Art of the Deal porque “nem ele supera a Bíblia”. Em campanha, vendeu cópias autografadas a 200 dólares cada para angariar fundos.

Foi quase uma surpresa quando, há meio ano, não o referiu quando lhe perguntaram sobre o último livro que leu. “Leio passagens, capítulos… Não tenho tempo.” Schwartz tem poucas dúvidas acerca dos hábitos de leitura de Trump: “Duvido seriamente que algum dia tenha lido um livro do início ao fim na sua vida adulta.” Até pode ganhar as eleições, mas na corrida literária já perdeu para a rival democrata.

HILLARY CLINTON PREFERE DOSTOIÉVSKI

Desde 1993 que Hillary Clinton é confrontada com a “tarefa impossível” de escolher livros favoritos. Ao longo da sua carreira, a ex-secretária de Estado foi atualizando a lista para incluir, ao lado de A Cor Púrpura de Alice Walker e de As Mulherzinhas de Louisa May Alcott, O Pintassilgo de Donna Tartt e a série de policiais protagonizada pelo comissário Guido Brunetti, criado por Donna Leon.

Contudo, nenhum livro parece bater Os Irmãos Karamazov, o que mais vezes cita. Com a última obra de Fiódor Dostoiévski, original de 1880, Clinton diz que aprendeu ainda jovem que há mais virtude na dúvida do que na certeza. “Uma das grandes ameaças que enfrentamos vem de pessoas que acreditam que estão absolutamente certas sobre tudo”, disse em 2009 ao citar o livro do russo.

Na altura já era quase certo que iria disputar as presidenciais este ano, mas não se sabia com quem. Acabou por ser com um homem que, entre outras certezas, diz que The Art of the Deal é o livro de negócios mais vendido de sempre. Não é. Certo é que, entre janeiro e julho, a bíblia de Trump já tinha vendido mais de 62 mil cópias nos EUA.


Por: Joana Azevedo Viana

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