O Velho e o Mar

Fotografia: Wikimedia Commons

O último romance publicado em vida por Ernest Hemingway deu-lhe a ganhar o Prémio Nobel de Literatura e mostrou ao mundo que o seu talento se mantinha inalterado.

Quando foi publicado, em 1952, O Velho e o Mar foi visto como prova de que Ernest Hemingway ainda não estava afinal tão “acabado” como se pensava.

Ernest Hemingway parte para a década de 1950 como um autor relativamente esquecido. Outrora tido como o melhor escritor do mundo, vê-se nesta altura alvo das mais diversas dúvidas por parte da crítica especializada, que considera que perdeu o seu fulgor e que foi ultrapassado pela nova geração de talentos. Faz dez anos que publicou Por Quem os Sinos Dobram, o último romance de sucesso. Na Outra Margem, Entre as Árvores, escrito no intervalo, foi julgado como obra menor. Hemingway recusa, contudo, dar-se por vencido. Recupera uma ideia que o acompanha há anos – a imagem de um pescador solitário – e, inspirando-se porventura em Gregorio Fuentes, um dos pescadores da sua embarcação pessoal, começa a escrever o que virá a ser O Velho e o Mar.

No estilo marcadamente simples e despido de Hemingway, o livro narra a aventura de um pobre e velho pescador que arrisca a vida em alto mar para tentar pescar um peixe gigantesco, acabando por se ver cercado por tubarões. A narrativa suscita as mais distintas interpretações. Há quem a considere uma história sobre fé e religião. Outros entendem nas palavras do autor outro tipo de simbolismo: Hemingway é o velho pescador, o peixe representa o seu talento e estatuto literário, e os tubarões são os escritores e críticos que lho querem roubar.

Cabe a cada leitor decidir se algumas destas ideias – ou ainda uma outra – é realmente verdade ou se a história não é mais do que aquilo que parece. Certo é que O Velho e o Mar coloca Hemingway de volta ao trono dos escritores da época e lhe dá a vencer o Prémio Nobel de Literatura em 1954. Reconhecendo-o como o seu melhor trabalho – “Sei que é o melhor que conseguirei escrever na minha vida” –, o autor esquiva-se até ao fim a questões potencialmente complicadas, optando antes por declarar que não existe nenhum simbolismo: “O mar é o mar. O velho é um velho. Os tubarões são tubarões, nem melhores nem piores”. Mas admite: “Tentei criar um velho genuíno, um rapaz genuíno, um mar genuíno, um peixe genuíno e tubarões genuínos. Se o tiver feito bem e forem suficientemente verdadeiros, podem significar muitas coisas”.


Por: Tiago Matos

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