O Príncipe

Escrito por Maquiavel em 1513 e publicado já após a sua morte, O Príncipe permanece popular, embora muitos o considerem perverso.

A filosofia amoral de O Príncipe foi largamente condenada e o livro acabou banido tanto por católicos como por protestantes.

Manual de corrupção moral. Guia para políticos sem escrúpulos. Ensaio para fundamentalistas. Para vigaristas. Para hipócritas. Livro que ensina o mal. Muitas foram as conclusões retiradas a partir da leitura de O Príncipe, uma das mais controversas obras da literatura. Oficialmente banida tanto por católicos como por protestantes, tornou-se ainda assim tão célebre que deu origem ao pejorativo adjetivo “maquiavélico”, surgido a partir do apelido do seu autor. Mas não será o livro de Nicolau Maquiavel um simples exercício de ironia?

Originalmente publicado em 1532 depois de quase duas décadas a ser passado de mão em mão, O Príncipe está dividido em 26 capítulos e é dedicado a Lourenço de Medici. Maquiavel dirige-se diretamente a este para explicar como pode um príncipe conquistar e manter poder sobre o seu principado. Conclui que é importante que um líder seja amado e temido, mas que, como o amor é inconstante, é preferível ser temido do que amado. Conclui também que a mais sensata e segura estratégia é separar a política da ética. Preferir a avareza à generosidade. Preferir a crueldade à clemência. Ou nas suas palavras: “Qualquer meio serve desde que se atinja os fins pretendidos”.

Apesar das muitas objeções a esta filosofia, O Príncipe foi lido – e seguido – ao longo dos anos por vários governantes, incluindo Napoleão, Estaline e Mussolini. Não obstante, há quem acredite que não passa de uma sátira.

Maquiavel não inventou a crueldade como ferramenta de poder, terá antes ironizado com as práticas que observava de muitos governantes da sua época, utilizando para o efeito uma estrutura que também satirizava os elogiosos manuais de bons conselhos que os governantes pagavam para que escrevessem sobre eles. Claro que não há como saber se isto é ou não verdade. O italiano não o chegou a esclarecer e já estava morto quando o livro foi publicado. Não deixa, contudo, de ser um exemplo significativo das diferenças de perceção que uma obra literária pode causar. Contas feitas, é tudo uma questão de tom.


Por: Tiago Matos

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