A estante de Nuno Markl

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Humorista, escritor, apresentador de televisão, cartoonista, argumentista, é autor do livro O Homem que Mordeu o Cão e da rubrica de rádio “Caderneta de Cromos”. Na rentrée há novo livro de histórias. Por agora, a história da estante dele, “a mais geek da história das estantes”.


Nuno Markl nasceu em Lisboa a 21 de julho de 1971 e tornou-se conhecido pela rubrica de episódios bizarros ”O Homem que Mordeu o Cão” que deu origem a três livros, um programa de televisão e um espetáculo ao vivo.

Se pudesse contar a história de um livro apenas, Nuno Markl falaria de uma recomendação. Um dia, uma professora de português recomendou-lhe Contos do Gin-Tonic, de Mário-Henrique Leiria. “Deves conhecer porque escreves como ele”, disse-lhe. Nuno correu a comprá-lo e devorou-o. E volta a ele sempre que pode. Ou sempre que o consegue encontrar na estante. Na estante dele há de tudo: argumentos de cinema, livros de humor e de crianças a até guias de viagens: os livros são os downloads que Nuno Markl mais tende a adiar no tablet, uma forma de justificar as compras de alguns dos seus livros favoritos. “Adoro os que desafiam a era digital.”

1. É um livro que vem em milhões de peças numa caixa e dá para ler de várias maneiras. O Building Stories é uma história que pode ser contada de muitas formas e feitios e à medida de cada leitor, com recortes de jornal, postais e até banda desenhada. Tudo metido num livro com forma de caixa.

2. A coleção de short stories de Roald Dahl, “um daqueles autores que eu quero ser quando for grande”, diz Markl. “Adoro os
livros infantis dele e adoraria um dia escrever um livro infantil com a pinta com que ele faz isto.”

3. Os cartoons The Far Side, de Gary Larson, estão na estante “misturados com outras coisas como O grande livro das respostas da BBC Vida Selvagem. Quanto ao primeiro, acho que é um dos grandes livros de cartoons que já se fizeram, juntamente com o Calvin & Hobbes”.

4. A coleção começou há anos e não tem previsão de fim: Markl coleciona bonecos dos filmes de Tim Burton e tem o elenco completo de êxitos como Noiva Cadáver ou do Rapaz Ostra.

5. A Confederacy of Dunces, de John Nennedy Toole, é “um dos livros favoritos de todos os tempos” de Nuno Markl. “É uma coisa assombrosa de tão bem escrita. Cómico, profundo, diferente de qualquer coisa que já tenha lido.”

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Veja o vídeo da Estante de Nuno Markl

6. Os óculos vermelhos do filho de Nuno Markl, Pedro, estão, por acaso, na mesma prateleira do livro de Rex Pickett, Sideways (entretanto adaptado ao cinema por Jim Taylor e Alexander Payne), que muito mais do que um romance é um verdadeiro guia de vinhos, assegura Markl. “É o livro que me fez começar a gostar de vinho.”

7. The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, uma bíblia cómica que Markl consulta “de vez em quando, ao calhas”. “Há tão bons conselhos em todas as páginas que é uma trilogia — tenho várias edições — em cinco partes. Há aqui tanto humor e tanta influência naquilo que eu escrevo que é ridículo.”

8. Markl volta sempre que pode aos Contos de Edgar Allan Poe. Ele explica: “São passados dos carretos. Não consigo dizer isto de outra forma.”

9. Guias de viagem misturados com argumentos de filmes, à espera da data certa de concretização. Muitos deles de sítios que Nuno Markl não conhece. O da Costa Rica está em standby “há anos”, para a viagem de lua-de-mel de Markl e Ana Galvão.

10. S, de J. J. Abrams e Doug Dorst, um livro que é uma experiência. “Foi envelhecido deliberadamente para parecer que foi escrito nos anos 40 e que, à boa maneira de Abrams, traz fotocópias, postais, cartas e apontamentos. A história segue-se, não apenas pelo romance fictício criado por um autor fictício, mas pelas notas de rodapé que são apontamentos de duas pessoas que acompanham a história e vão trocando o livro uma com a outra. A ordem cronológica dos apontamentos não é só virar as páginas: percebe-se pela cor das canetas que eles usam. É de enlouquecer.”

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