Novos Talentos FNAC: Hora de abrir as gavetas e divulgar talento

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A FNAC andou à procura dos novos escritores portugueses. Mas também quis conhecer músicos, realizadores e fotógrafos.

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Quatro artes a concurso
Cinema é a mais recente categoria dos Novos Talentos FNAC, juntando-se a Escrita, Música e Fotografia, sendo que estes dois últimos se realizam há 15 anos sem interrupção. Na música, o concurso permitiu revelar nomes como B Fachada, Rita Redshoes, Márcia, You Can’t Win, Charlie Brown, Capicua, Deolinda ou Samuel Úria. Já na fotografia, os Novos Talentos FNAC deram a conhecer nomes como Pedro Guimarães, Hugo Rodrigues Cunha e Luís Preto.

Há 15 anos que a FNAC convida os portugueses a tirarem o seu talento da gaveta e a mostrá-lo ao mundo. Em 2018 o desafio voltou à rua sob o lema “Chega onde Quiseres” para procurar novos talentos nas áreas da Fotografia e Música, regressou com o concurso de Escrita e inovou com uma inédita categoria de Cinema.

A meta tem sido a mesma desde 2003: encontrar, apoiar e promover artistas nacionais promissores, que se distingam em diversas áreas da cultura, com o objetivo de lhes dar “as asas de que necessitam para voarem mais alto, serem reconhecidos e divulgarem os seus talentos ao grande público”, como explica fonte oficial da FNAC.

O concurso abriu em fevereiro e o prazo de entrega das candidaturas terminou a 9 de abril. Contas feitas, a FNAC diz ter recebido mais de 800 candidaturas nas quatro categorias.

Quem quer ser escritor?

Depois de um interregno de quatro anos a Escrita voltou a ser uma das categorias dos Novos Talentos FNAC, estando aberta a contos até três mil palavras inspirados num clássico da literatura. Fonte da empresa lembra que esta é “uma das áreas que são queridas da FNAC e dos portugueses”. A história mostra que o público tem apetência pela categoria: nas quatro últimas edições participaram, em média, 664 futuros escritores.

As edições realizadas desde 2003 já levaram à publicação de 32 histórias de outros tantos autores. Logo na primeira edição foi distinguido João Rebocho Pais, que viu assim publicado o seu primeiro romance, Urdidura. Entretanto o autor já levou à estampa mais três livros, dos quais dois romances.

Também Fátima Pombo, autora de O Desenhador (2002), e Jorge Carlos Amaral de Oliveira, que em 2004 publicou Was Bach Brazilian? – O Puto do Adufe ou o Inventor do Baião, chegaram pela primeira vez às livrarias com um empurrão deste concurso. Fátima já tem nove livros publicados, e Jorge já publicou contos, crónicas e romances.

Em 2018 o júri dos Novos Talentos FNAC, na vertente de Escrita, escolherá até oito vencedores que terão a possibilidade de frequentar um workshop de escrita criativa na Escrever Escrever, parceira da FNAC nesta edição, e verão os seus trabalhos publicados na coletânea Novos Talentos FNAC Escrita 2018.

A avaliar os trabalhos estarão os escritores Dulce Maria Cardoso e João Tordo, a jornalista e crítica literária Isabel Lucas e Pedro Mexia, poeta, cronista e crítico literário. O júri é presidido por Conceição Garcia, diretora da Escrever Escrever.


NAS PALAVRAS DOS VENCEDORES DE OUTROS ANOS


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Rui Pedro Antunes, jornalista e autor de contos, foi um dos vencedores em 2014. Já tinha publicado uma coletânea de contos em edição de autor (Orfanato dos Contos Vadios), mas a fraca receção fez com que considerasse desistir da ficção. Acabou por escrever outro conto, chamou-lhe “A Pensão Pensão” e candidatou-o aos Novos Talentos. “Confesso que não acreditava que pudesse vencer. Fiquei surpreendido com a distinção.”

Com mais dois livros de não ficção publicados desde então, acredita que estar entre os vencedores foi uma mais-valia na hora de voltar a publicar. “Foi uma vantagem, quando lancei os meus dois livros de maior sucesso (Os Planos Bilderberg para Portugal e Opus Dei: Eles Estão no Meio de Nós), ter no currículo ser vencedor de um prémio com este prestígio.”

O “selo de qualidade” dos Novos Talentos ajudou a negociar com as editoras mas também foi importante na “credibilização perante os leitores”.

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Ana Lázaro, atriz, encenadora e dramaturga, escreve “desde sempre”. Há quatro anos decidiu pôr o seu trabalho à prova nos Novos Talentos para testar a leitura que outros faziam da sua prosa mas também “porque respeitava muito o júri anunciado para esse ano”.

Estar entre os dez vencedores motivou Ana “para continuar a pesquisar, tentar, acertar, errar, falhar melhor, tentar uma e outra vez…” No fundo, diz a autora, “há sempre um antes e um depois, porque de algum modo ter obra editada edifica a vontade de continuar o contacto com os leitores”.

Entretanto já publicou mais dois livros: O Estranho Apetite de Belemundo, obra infantil, e A Dança das Raias Voadoras/Requests ou Permissão para Respirar, dois textos teatrais.


Por: Hermínia Saraiva

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