O que ainda não sabes sobre Olga Tokarczuk e Peter Handke, os novos vencedores do Nobel da Literatura

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Descobre tudo sobre Olga Tokarczuk e Peter Handke, os mais recentes laureados com o Prémio Nobel da Literatura.

Está terminado o suspense. Depois de um ano assombrado pela polémica, com Jean-Claude Arnault, uma das mais proeminentes figuras da Academia Sueca, a ser acusado de assédio sexual, levando ao cancelamento provisório da atribuição, o Prémio Nobel da Literatura foi novamente entregue.

E em dose dupla.

Olga Tokarczuk foi distinguida com o galardão relativo a 2018 e Peter Handke com o galardão relativo a 2019. A Academia Sueca destacou a “imaginação narrativa” e a “paixão enciclopédica” da primeira e a “ingenuidade linguística” do segundo.

Quem é Olga Tokarczuk, a vencedora do Nobel da Literatura 2018?

Olga Tokarczuk é uma escritora polaca, atualmente com 57 anos, que, embora escreva e publique desde 1989, apenas saltou em definitivo para a ribalta da literatura mundial em 2017, após a tradução para inglês do seu (altamente experimental) livro Viagens.

Viagens é composto por 116 histórias com uma única narradora mas as mais distintas dimensões – algumas têm somente um punhado de palavras. Originalmente publicado em 2007, o livro deu nas vistas ao ponto de fazer de Tokarczuk a primeira autora polaca a ser distinguida com o prémio Man Booker International, em 2018.

Isto não significa que Tokarczuk seja escritora de um só truque. Ao longo da carreira, a polaca publicou romances, contos e poemas em mais de uma dezena de obras, incluindo Primeval and Other Times e Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos.

Psicóloga de profissão, aponta Carl Jung, o fundador da psicologia analítica, como uma das principais inspirações para a sua escrita.

Quem é Peter Handke, o vencedor do Nobel da Literatura 2019?

Peter Handke nasceu em 1942, na Áustria, e passou por uma infância tumultuosa – a sua mãe suicidou-se e o padrasto era alcoólico – até encontrar a escrita.

Começou, curiosamente, por se evidenciar no mundo do cinema. Escreveu vários argumentos, o mais célebre dos quais provavelmente o do filme que haveria de se tornar A Cidade dos Anjos, com Nicolas Cage e Meg Ryan nos principais papéis, e chegou mesmo a assumir a cadeira de realizador em longas-metragens como A Mulher Canhota (1978), Das Mal des Todes (1985) e A Ausência (1992).

A ligação ao cinema tem-se mantido, de resto, ao longo de toda a sua carreira, particularmente devido à ligação de proximidade estabelecida com o alemão Wim Wenders, que adaptou, por exemplo, o seu romance A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty ao grande ecrã.

Residente em França desde o início da década de 1990, Peter Handke já publicou dezenas de romances, ensaios e até peças para teatro, como Os Belos Dias de Aranjuez.

Antes do Nobel da Literatura havia sido distinguido com vários outros reconhecimentos, entre os quais o Prémio Franz Kafka, em 2009, e o Prémio Ibsen, em 2014.

Por: Tiago Matos
Ilustração: Niklas Elmehed

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