NaNoWriMo: Quem escreve um livro em 30 dias?

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Gostavas de escrever um livro em apenas 30 dias? Junta-te ao NaNoWriMo, um desafio que preenche todos os meses de novembro e já levou à publicação de várias obras de sucesso.

Podes inscrever-te no
NaNoWriMo
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a competição aqui.

Chama-se NaNoWriMo – abreviação de National Novel Writing Month – e é uma competição organizada no mundo digital que, desde 1999, promove o nascimento de novos livros.

O desafio é simples: escrever 50 mil palavras durante o mês de novembro. Este número é, na maior parte dos casos, suficiente para um primeiro rascunho de um romance. Depois, já fora da competição, os participantes são incentivados a editar e polir os textos da forma que bem entenderem.

A adesão ao NaNoWriMo é livre e o sucesso na competição não resulta em qualquer prémio. O objetivo é simplesmente escrever, tirando partido – se assim se desejar – dos conselhos de uma comunidade gigantesca de autores.

Só na edição deste ano, participam até ao momento mais de 17,7 milhões de pessoas, 262 das quais em Portugal. Mas há outros números que impressionam. É que mais de 600 romances nascidos nesta competição foram já publicados. E alguns tiveram bastante sucesso.


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O Circo dos Sonhos

Erin Morgenstern
Foi um dos romances-sensação de 2011, este livro de fantasia sobre um circo ambulante que alberga um duelo – e uma paixão – entre dois jovens mágicos. Chegou a ser comparado a Harry Potter e a obras de Ray Bradbury e Neil Gaiman. O que poucas pessoas sabem é que a ideia que se viria a tornar O Circo dos Sonhos nasceu no NaNoWriMo de 2005. Erin Morgenstern recuperou-a em 2006 e voltou a trabalhá-la na edição de 2007. Para a autora, o segredo para vencer o NaNoWriMo passa por nunca apagar nada, escrever o máximo possível nos primeiros dias e, quando em dúvida, adicionar ninjas: “Os ninjas não têm realmente de ser ninjas. Mas podem.”


Gosto de pensar no NaNoWriMo como escavação. […] As coisas que parecem disparates aleatórios e desesperados na página 72 (o relógio de bolso partido, a marmota empalhada na lareira) são subitamente importantes na página 187. Tudo depende do destino daquela marmota. Ou a marmota pode ser uma pista falsa. Ou talvez a marmota seja apenas uma marmota. Temos de continuar a escrever para descobrir.


Fangirl

Fangirl

Rainbow Rowell
Em 2011, Rainbow Rowell já tinha dois romances publicados – Anexos e Eleanor & Park –, mas passava por um período de grande ansiedade a cada primeiro rascunho. Foi por isso que decidiu participar no NaNoWriMo, que obriga a escrever sem pensar demasiado. Definiu três objetivos: escrever todos os dias, escrever pelo menos 2000 palavras por dia e avançar continuamente a história. Do esforço resultou Fangirl, um romance sobre duas irmãs gémeas que se começam a afastar com a entrada na universidade. A autora é atualmente uma das mais reconhecidas na literatura para jovens adultos.


O NaNoWriMo ajudou-me a ultrapassar muitas das minhas dúvidas, inseguranças e maus hábitos. Acho que é parcialmente por isso que agora gosto tanto de Fangirl – porque me lembro de quão deslumbrada me senti enquanto o escrevia.


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No Canto Mais Escuro

Elizabeth Haynes
Até ao NaNoWriMo de 2008, Elizabeth Haynes nunca tinha escrito uma história completa. Também nunca tinha mostrado os seus textos a ninguém. Eis que, na competição, termina a sua primeira história, um thriller psicológico sobre uma mulher incapaz de escapar da relação abusiva que mantém com um homem. Três anos depois, e no seguimento de várias edições e revisões, o romance é publicado e torna-se um bestseller. O segredo do sucesso, de acordo com a autora? Arriscar, terminar, partilhar e continuar a divertir-se enquanto escreve.


Se aconteceu comigo, pode acontecer convosco. Há muitos ‘ses’ e ‘mas’ pelo caminho, mas publicar não é algo que apenas acontece a outras pessoas. Também acontece a gente real, como eu e vocês.


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Anna e o Beijo Francês

Stephanie Perkins
Stephanie Perkins costumava criticar o NaNoWriMo. Achava que era impossível escrever um bom romance em 30 dias. Até que percebeu: não se trata de escrever um bom romance, trata-se de escrever um romance. Decidida a levar uma ideia até ao fim, a autora aproveitou a competição para escrever Anna e o Beijo Francês, sobre uma jovem que é enviada para um colégio interno em Paris, conhecendo nesta cidade um rapaz comprometido por quem se apaixona. O romance ganhou duas sequelas desde então.


Antes do NaNoWriMo, nunca tinha terminado o rascunho de um romance. Trabalhei sete anos numa ideia, mas só tinha 70 páginas para apresentar como resultado. O meu medo crescia. Começava a acreditar que não tinha a disciplina necessária para me tornar uma autora. E era devastador.


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Cinder

Marissa Meyer
Começou por adotar o pseudónimo Alicia Blade, mas desde o NaNoWriMo de 2008 que assina os seus textos com o verdadeiro nome: Marissa Meyer. Foi nesta competição que escreveu o primeiro rascunho de Cinder, uma ficção distópica protagonizada por uma jovem ciborgue, livremente baseada no clássico Cinderela. Terminado o NaNoWriMo, deixou a história “descansar” durante alguns meses e retornou depois a ela, já com outros olhos, até a considerar pronta para publicação.


Ah, o louco NaNoWriMo que foi novembro de 2008. Neste ano decidi desafiar-me a mim própria e, em vez de escrever as esperadas 50 mil palavras em 30 dias, escrevi 150 mil – 150 011, para ser exata. Estas incluíam a primeira versão de 70 mil palavras de Cinder, pelo que escrevi o primeiro rascunho em cerca de duas semanas.


Por: Tiago Matos

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