Na Opinião de Luís Lourenço

A paixão pelos livros vem desde o momento em que sentiu que as páginas de papel com letras tinham como que magia. Luís Lourenço, 32 anos, é livreiro na Fnac desde 2001.

No dia a dia, Luís Lourenço gosta particularmente da relação que os livreiros estabelecem com os leitores que procuram sugestões. “É uma partilha biunívoca”, refere. Mas o regresso do leitor acaba sempre por trazer outra alegria, principalmente quando se dirige a Luís agradecendo a sugestão: “Quando me dizem, com um brilho no olhar, ‘adorei o livro!’, é muito reconfortante.” Luís explica que os livros surgiram na sua vida como uma porta mágica para o “admirável mundo novo”, uma referência ao romance distópico escrito por Aldous Huxley. Com um fascínio sempre presente pelo universo das letras, lombadas, capas e contracapas, Luís explica o porquê: “Senti, desde muito cedo, que dentro deste universo havia magia e fantasia.”


“Tive sempre um fascínio imenso por este universo de letras”


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O Retrato de Dorian Gray

Julgo que terá sido com este livro que teve início toda uma espécie de aventura literária. Teria 17 ou 18 anos quando o li pela primeira vez e fiquei absolutamente deliciado com toda a componente estética de beleza (quase) perfeita vs. a corrupção moral vivida, sentida e maravilhosamente expressada na voz da personagem principal da obra. Uma obra riquíssima em aforismos que têm sido arrancados e reproduzidos aos quatro ventos e que seguramente perdurarão para a eternidade.
Autor: Oscar Wilde
Editora: Relógio D’Água

São Jerónimo e a Trovoada

Teixeira de Pascoaes, “poeta bem mais importante, quanto a nós, do que Fernando Pessoa” (Mário Cesariny dixit), é de facto um caso absolutamente invulgar no panorama literário português do século XX. Esta obra em especial, misto de biografia romanceada com hagiografia, retrata de uma forma brilhante a vida de São Jerónimo, o “advogado dos trovões”, algures entre Cícero e os profetas. Pascoaes é de facto o meu preferido. Vivo com um retrato do seu rosto na sala de jantar e com a sua obra, permanentemente, no coração.
Autor: Teixeira de Pascoaes
Editora: Assírio & Alvim

 Memórias de Adriano

Prosa poética em forma de carta e, em modo confessional, do imperador Adriano ao seu sucessor, o jovem Marco Aurélio. A obra é reveladora de uma beleza rara que nos transporta, diretamente, para o século ŽŽII d. C. A dimensão humana e moral da obra, bem como o modo reflexivo no qual a personagem principal narra os seus atos, aventuras e desventuras, deixou-me uma marca indelével de admiração pelo imperador e por Yourcenar. Como curiosidade, destaco o parágrafo que encerra a obra como um dos mais belos epílogos de que há memória na literatura do século XX.
Autora: Marguerite Yourcenar
Editora: Ulisseia

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