Milkman, de Anna Burns: o que sabemos sobre o romance vencedor do Man Booker 2018

milkman-anna-burns-man-booker-2018-revista-estante-fnac

Chama-se Milkman, foi escrito por Anna Burns e é uma história sobre assédio sexual narrada por uma rapariga de 18 anos. Sabe mais sobre a autora e o livro distinguidos com o prémio Man Booker 2018.

O VENCEDOR

milkman

 

OS FINALISTAS

washington-black

everything-under

the-overstory

the-long-take

É um ano especial para o Man Booker. Em 2018, um dos mais importantes prémios literários do mundo – ou, pelo menos, do mundo anglo-saxónico – celebra o seu 50.º aniversário. Para o assinalar, decidiram os organizadores colocar a votos os cinco “melhores” vencedores de cada década de existência, com O Doente Inglês, de Michael Ondaatje, a levar de vencida Num Estado Livre (V. S. Naipaul), Anel de Areia (Penelope Lively), Wolf Hall (Hilary Mantel) e Lincoln no Bardo (George Saunders) num prémio especial chamado The Golden Man Booker.

Apesar disso, aquilo de que todos estavam à espera era mesmo do vencedor do Man Booker “tradicional”.

A espera chegou ao fim na noite de 16 de outubro. Numa cerimónia realizada no edifício Guildhall, em Londres, um júri composto por Kwame Anthony Appiah, Val McDermid, Leo Robson, Jacqueline Rose e Leanne Shapton escolheram o romance Milkman, de Anna Burns), para suceder a Lincoln no Bardo como vencedor deste galardão com o valor de 50 mil libras – o equivalente a cerca de 57 mil euros.

Além de Milkman, os finalistas da mais recente edição do Man Booker incluíam Everything Under (Daisy Johnson), O Quarto de Marte (Rachel Kushner), Washington Black (Esi Edugyan), The Overstory (Richard Powers) e The Long Take (Robin Robertson).

As perguntas que se impõem agora são: quem é Anna Burns? De que fala Milkman? O que o levou à distinção no Man Booker? Não te preocupes, a revista Estante explica tudo em seis curiosidades.

ANNA BURNS É A PRIMEIRA VENCEDORA DA IRLANDA DO NORTE

Nasceu em Belfast, em 1962, e só mais tarde se mudou para East Sussex, o condado no sudeste de Inglaterra onde ainda reside. Isto faz de Anna Burns a primeira vencedora do Man Booker oriunda da Irlanda do Norte. Também é a primeira mulher a conquistar o galardão desde a distinção de Eleanor Catton, em 2012, com Os Luminares.

MILKMAN É UM ROMANCE SOBRE ASSÉDIO SEXUAL

O mais recente romance distinguido com o Man Booker é narrado na primeira pessoa por uma rapariga de 18 anos que se vê sexualmente assediada por um homem mais velho – o famigerado leiteiro anunciado no título –, o que leva ao surgimento de um rumor, rapidamente espalhado pela cidade, de que os dois têm um caso. Kwame Anthony Appiah, porta-voz do júri do Man Booker, não escondeu que o romance faz sentido especialmente no contexto social atual: “Acredito que este romance ajudará as pessoas a pensar sobre o movimento #MeToo.”

ANNA BURNS BASEOU-SE NAS SUAS PRÓPRIAS ORIGENS

Milkman começou por ser um pedaço de texto descartado num romance de Anna Burns que a autora decidiu explorar mais a fundo. Começou por pensar que desta exploração nasceria um conto, mas acabou por escrever um romance, baseando-se nas suas próprias experiências de uma juventude passada naquilo que apelida de “um lugar repleto de violência, desconfiança e paranóia”.

MILKMAN NÃO UTILIZA NOMES

Nunca nos é dado a conhecer o nome da narradora do romance vencedor do Man Booker 2018 – o máximo que sabemos é que é a “irmã do meio” na sua família –, nem o do homem que a assedia sexualmente. “O livro não funcionava com nomes”, explicou Anna Burns. “Perdia a força e a atmosfera e tornava-se um livro menor, ou pelo menos diferente.”

ANNA BURNS JÁ TINHA VENCIDO UM PRÉMIO LITERÁRIO

A autora conta atualmente com três romances – além de Milkman, publicou No Bones em 2001 e Little Constructions em 2007 – e uma novela (Mostly Hero, 2014) no currículo. Pelo seu romance de estreia, No Bones, venceu o Winifred Holtby Memorial Prize e foi uma das finalistas do (mais reputado) Women’s Prize for Fiction quando este ainda era conhecido como Orange Prize.

MILKMAN FOI DISTINGUIDO PELA ORIGINALIDADE

“Nenhum de nós alguma vez tinha lido algo assim”, disse Kwame Anthony Appiah para justificar a decisão unânime dos jurados do Man Booker em atribuir o prémio deste ano a Milkman. O romance faz uso de um experimentalismo literário que Appiah apelidou de “extraordinariamente original”, destacando ainda a distinta voz narrativa desta “história de brutalidade, resistência e invasão sexual, tecida com um humor mordaz”.

Por: Tiago Matos
Fotografia: Sheffield Women’s Book Club

Gostou? Partilhe este artigo: