Mikaela Övén: Trampolins

Trampolins

Mikaela Övén

Mikaela Övén nasceu na Suécia, em 1976, e mudou-se para Portugal em 2001, onde se fixou com a família. Mãe de três filhos, tem como missão de vida “espalhar a luz” através do seu trabalho com “mindfulness e parentalidade consciente”. É autora de livros como Educar com Mindfulness (2015) e Heartfulness (2016).

Fico muitas vezes com a sensação de que o mundo do desenvolvimento pessoal se está a transformar numa nova religião. Cada vez menos as pessoas no mundo ocidental seguem uma prática religiosa, mas as grandes perguntas mantêm-se nas mentes e nos corações da Humanidade. A busca de um sentido de vida, de sucesso e paz, de um caminho capaz de tornar o ser humano melhor e mais feliz, é maior do que nunca. A vontade de mudar está à vista, muitas vezes sem saber bem o que mudar e, na maioria dos casos, sem saber como mudar.

Quando penso nesta busca e no que está na sua origem, lembro-me das palavras de Maya Angelou: “A angústia de ter um lar vive em todos nós. Um lugar seguro onde podemos ser aquilo que somos sem sermos questionados.”

A busca é, na realidade, uma busca pela nossa “casa”, pela nossa essência, alma ou verdadeiro Eu. A verdade é que a casa já está aqui! Só que construímos tantos muros à sua volta que temos dificuldade em encontrá-la. Muros em forma de crenças, expetativas, ideias fixas… Na nossa demanda, muitas vezes o que fazemos é construir em cima dos muros já existentes, de forma a embelezá-los, a modernizá-los, a torná-los mais adequados à nossa vida. E, por isso, continuamos insatisfeitos. E essa casa que tanto queremos fica cada vez mais escondida.’

Para conseguir superar-se, tornar-se melhor, alcançar mais paz e sucesso, é fundamental que se sinta em casa precisamente onde se encontra agora. Antes de implementar qualquer mudança, aceite o sítio onde está e fique em paz com o que é neste momento. Este passo é fundamental. E aceitar não quer dizer que concorda, aprova ou nega, quer simplesmente dizer que reconhece que o seu valor próprio é o mesmo, com ou sem a mudança.’

Um ponto de partida de insatisfação, irritação ou frustração não’ ajuda a dar os saltos desejados da mesma forma que o faz um ponto de partida de aceitação e amor-próprio. Pode olhar para o ponto de partida como se fosse um trampolim no jardim da sua casa. Pode ser um trampolim de amor ou um trampolim de medo e insatisfação. O trampolim de amor consegue ajudá-lo a saltar bem alto, o trampolim de medo é duro e pouco elástico. Ao saltarmos no trampolim de amor e aceitação, conseguimos ver além dos muros que construímos. Conseguimos ver o caminho certo para nós, os muros que nos servem, os que precisamos de restaurar ou mudar e os que temos de destruir.’

Chegue a sua casa, dirija-se ao trampolim do amor e salte!

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