Metáforas para Ludibriar a Censura

Alguns autores usavam formas subtis de ironia, tentando que os leitores conseguissem perceber nas entrelinhas. Segundo Graça Rodrigues refere no livro Breve História da Censura Literária em Portugal “palavras como aurora ou amanhecer passaram a significar socialismo, ‘primavera’ revolução, ‘camarada’ prisioneiro, ‘vampiro’ polícia, ‘papoila’ vitória popular”. José Cardoso Pires dizia que “estas metáforas conferiram um inegável sabor poético à prosa portuguesa dos anos 40”.

Como tudo acontecia

Durante o período considerado da ditadura militar, a ação da censura sobre as publicações não periódicas, nomeadamente sobre os livros e publicações estrangeiras, manteve um caráter restrito. O autor, ou editor, era obrigado a comunicar à Direção-Geral de Censura à Imprensa o título da obra que pretendia publicar e assim a DGCI decidia se autorizava a sua publicação. Segundo vem referido no livro Mutiladas e Proibidas de Cândido de Azevedo, “este regime deixava ainda alguma margem de manobra aos editores e livreiros”. A censura começou a intervir, a posteriori, a partir de denúncias ou em consequência da própria vigilância política e social da Polícia Internacional (polícia política que, mais tarde, a 22 de outubro de 1945, dá lugar à Polícia Internacional e de Defesa do Estado – PIDE. A 24 de novembro de 1949, já no governo de Marcelo Caetano, é substituída pela DGS – Direção-Geral de Segurança, ou a partir da colaboração dos proprietários de livrarias, tipografias e quiosques, que procuravam evitar os prejuízos decorrentes de multas, apreensões ou encerramentos. As tipografias eram obrigadas a enviar um exemplar de cada livro impresso ao Secretariado Nacional de Informação (SNI) antes de serem postos a circular os demais exemplares sempre que neles se abordassem temas políticos, económicos ou sociais. Segundo vem referido no livro Breve História da Censura Literária em Portugal, “também as autoridades de segurança pública tinham poderes para mandar encerrar tipografias que imprimissem material julgado capaz de ‘perturbar’ a segurança pública”.

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