Quem merecia o Nobel da Literatura 2018?

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OS JURADOS
Ana Teresa Pereira
Autora de mais de 40 obras e a primeira mulher a vencer o Prémio Oceanos com o romance Karen.
Carlos Vaz Marques
Jornalista, escritor, editor e coordenador da coleção de literatura de viagens da Tinta da China.
Francisco Vale
Fundador da Relógio d’Água e um dos mais conceituados editores portugueses da atualidade.
Hélia Correia
Autora distinguida com o Prémio Camões e uma das grandes referências da literatura portuguesa.
Isabel Lucas
Jornalista há 25 anos, crítica literária e autora do livro Viagem ao Sonho Americano.
Manuel Alberto Valente
Editor há mais de 30 anos, autor de livros de poesia e diretor editorial da Porto Editora.
Pedro Mexia
Poeta, cronista, crítico literário, tradutor, editor e coordenador da coleção de poesia da Tinta da China.

A notícia causou surpresa quando foi anunciada pela Academia Sueca no início de maio: no seguimento de um escândalo que nada tem a ver com livros, o Nobel da Literatura não será atribuído em 2018.

As incertezas, por enquanto, são muitas. Avançou-se a hipótese de ser escolhido em 2019 o vencedor deste ano, em paralelo com o do próximo. Mas também a de o prémio literário mais prestigiado do mundo permanecer cancelado indefinidamente, “até a Academia Sueca recuperar a confiança do público”, como disse Lars Heikensten, o diretor da Fundação Nobel.

Em jeito de protesto, um grupo com mais de uma centena de suecos decidiu criar a sua própria versão do prémio através de uma Nova Academia. Inspirada por tal alvoroço literário, a revista Estante decidiu formar o seu próprio comité e desafiar algumas personalidades bem conhecidas do meio literário e editorial português a responderem a um exercício semelhante: se fossem eles a escolher, quem seria o vencedor do Nobel da Literatura este ano?

Ana Teresa Pereira, Carlos Vaz Marques, Francisco Vale, Hélia Correia, Isabel Lucas, Manuel Alberto Valente e Pedro Mexia aceitaram o desafio. No final da votação havia um nome em evidência. O nosso Nobel. E o vencedor é…

JAVIER MARÍAS

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Nasceu a 20 de setembro de 1951, em Madrid, mas viveu grande parte da infância nos Estados Unidos, para onde a família se mudou a fim de escapar à ditadura de Franco. Tanto o pai como a mãe eram professores e escritores. O bichinho das letras estava-lhe, por isso, no sangue, e ainda antes de completar 20 anos já tinha publicado o seu primeiro livro.

Foi, no entanto, enquanto tradutor que começou por se destacar, recebendo inclusive um prémio pela tradução de A Vida e Opiniões de Tristram Shandy. Seguiram-se muitos outros, mas todos pelo talento enquanto escritor, destacando-se o International Dublin Literary Award por Coração tão Branco.

Noutro dos seus romances, Todas las Almas, contou a história (verídica) do reino de Redonda, uma micronação perto de Antígua e Barbuda. Foi posteriormente contactado pelo soberano local que se disse cansado de ser rei e lhe ofereceu o título.

Javier Marías tornou-se desta forma rei de Redonda, tendo desde então conferido vários títulos a personalidades que admira – António Lobo Antunes, por exemplo, foi indicado Duque de Crocodilos – e instaurado inclusive um prémio literário.

OUTROS ESCRITORES CONSIDERADOS

E AINDA…
Adam Zagajewski
Polónia
Adélia Prado
Brasil
Agustina Bessa-Luís
Portugal
Edna O’Brien
Irlanda
Eduardo Mendoza
Espanha
Ismail Kadaré
Albânia
Jaan Kaplinski
Estónia
Julian Barnes
Inglaterra
Karl Ove Knausgård
Noruega
Liudmila Ulítskaia
Rússia
Louise Glück
Estados Unidos
Manuel Alegre
Portugal
Margaret Atwood
Canadá
Michael Ondaatje
Canadá
Richard Ford
Estados Unidos
Tom Stoppard
Inglaterra

Adonis

Síria

Modernizou de tal modo a literatura árabe (a poesia, em particular) que mereceu comparações a T. S. Eliot. É o mais famoso refugiado sírio vivo e reside, desde 1956, entre o Líbano e a França. O Nobel da Literatura está na sua mira há mais de 30 anos.

A ler: Violência e Islão


Amos Oz

Israel

Defensor de longa data da paz entre Israel e Palestina, o mais influente escritor israelita vivo dedica grande parte dos seus romances a explorar a relação entre amor e guerra. Tem mais prémios do que livros publicados e em 2017 esteve entre os finalistas do Man Booker International.

A ler: Uma História de Amor e Trevas


António Lobo Antunes

Portugal

Quem diria que um dos nossos maiores escritores foi também médico? Mas é verdade. Licenciou-se em Medicina por imposição do pai e chegou a servir as Forças Armadas portuguesas na Guerra Colonial, mas não tardou a dedicar-se à escrita. “Tenho a impressão de que me fizeram para escrever. Quando não escrevo não me sinto bem, sinto uma espécie de angústia.”

A ler: Os Cus de Judas


Claudio Magris

Itália

É professor de literatura germânica há 40 anos e um aclamado escritor há outros tantos. O que o distingue? Uma escrita que viaja pela História, por momentos de crise política e conflitos armados. Afinal, defende, “a literatura, seja em livros com mil anos ou uma semana, deve ser a compreensão da vida”.

A ler: Danúbio


Cormac McCarthy

Estados Unidos

É um dos mais influentes escritores americanos. Conhecido pela escrita assertiva e escasso uso de pontuação, venceu o Pulitzer de Ficção com o livro A Estrada e, entre muitos outros prémios, o PEN/Saul Bellow Award para o Sucesso na Ficção Americana.

A ler: Meridiano de Sangue


Don DeLillo

Estados Unidos

Distinguido com um National Book Award em 2015 por ser “inegavelmente um dos maiores romancistas da sua geração”, tem escrito sobre temas tão distintos como política, cultura pop, guerra nuclear, terrorismo, televisão, era digital, matemática ou economia. “Acho que os escritores, por natureza, devem opor-se a tudo o que o poder tenta impor.” É o que faz.

A ler: Submundo


John Banville

Irlanda

Considerado herdeiro de Proust e Nabokov, é apontado como possível vencedor do Nobel da Literatura há alguns anos. Galardoado com o Man Booker em 2005, garante que não gosta de nenhum dos seus livros. E ainda bem. “A minha mulher costuma dizer: ‘Se escrevesses um livro perfeito, terias de desistir da literatura. Não haveria mais nada que pudesses fazer.’”

A ler: O Mar


Joyce Carol Oates

Estados Unidos

Cinco vezes finalista do Pulitzer de Ficção, é também, há mais de 25 anos, apontada como possível vencedora do Nobel da Literatura. Tem mais de 40 romances publicados e é professora de escrita criativa desde 1978 em universidades como Princeton e, mais recentemente, Berkeley.

A ler: Blonde


Milan Kundera

República Checa

Tendo o espanhol Miguel de Cervantes como principal referência, este crónico candidato ao Nobel da Literatura trocou a sua Checoslováquia por França em 1975, por razões políticas, e por lá se mantém, publicando romances mas também ensaios e poesia.

A ler: A Insustentável Leveza do Ser

Por: Carolina Morais e Tiago Matos

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