Autora do mês: Maya Angelou, a ativista que se calou porque achava que a sua voz era uma arma

Maya Angelou

Naturalidade
Missouri, Estados Unidos

Data de nascimento
4 de abril de 1928

Morte
28 de maio de 2014

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A vida de Maya Angelou dava um livro. E, na verdade, foram sete os volumes autobiográficos que escreveu. A ativista assina mais de 30 obras, incluindo ensaios e poesia, mas já antes de se tornar escritora a sua vida tinha tido vários plot twists.

Maya Angelou não falou durante cinco anos

Apesar de ter nascido em St. Louis e de a mãe viver na cidade, Maya Angelou cresceu com a avó, o tio e o irmão no Sul dos Estados Unidos, em Stamps, um lugar com “uma experiência de centenas de anos a rebaixar grandes negros à posição de anões psicológicos”, como descreve em Carta À Minha Filha.

Fez uma única – e traumática – visita à mãe enquanto era criança, mas esta resultou na sua violação por parte do padrasto. A história não termina aqui: depois de um único dia na prisão, o seu agressor foi espancado até à morte. Provavelmente pelos tios de Maya Angelou, como a própria confessa em Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola. Não obstante, a autora acreditava ser a principal responsável pela sua morte: “Matei aquele homem porque disse o seu nome.”

Convencida de que “a sua voz era tão poderosa que podia matar”, como admite num artigo para o The Guardian, remeteu-se ao silêncio durante os cinco anos seguintes.


Maya Angelou trabalhou como prostituta

Maya Angelou voltou a viver com a mãe, na Califórnia, quando tinha 13 anos, mas a relação entre ambas não era nada fácil. “Aquele mundo não era o meu”, escreve em Carta à Minha Filha. Tanto que inicialmente tratava a mãe por ma’am”. Outras vezes chamava-a de “lady” por a achar tão bonita.

O relacionamento só melhorou depois de ter engravidado, ainda adolescente. Na verdade, só depois de o seu primeiro e único filho nascer é que Maya Angelou lhe chamou “mãe”, como revela no seu último volume autobiográfico Mom & Me & Mom.

Foi também depois de ser mãe que saiu de casa e começou a trabalhar. Foi cozinheira, empregada de mesa, atriz, dramaturga. Mas não só. Em Gather Together in My Name, o seu segundo livro autobiográfico, fala abertamente sobre o seu trabalho enquanto dançarina exótica, proxeneta e prostituta.


Maya Angelou pensou em matar-se

Maya Angelou nunca revelou quantas vezes chegou a casar – nem quantos namorados teve. Mas um deles quase a matou. Tudo começou com um ataque de ciúmes injustificado, como recorda em Carta À Minha Filha: “’Tens outro homem e tens andado a enganar-me.’ Eu comecei a rir-me. Ainda estava a rir quando ele me bateu.”

O namorado da altura levou-a para sua casa enquanto lhe batia. As dores eram de tal forma fortes que Maya pensou em matar-se com uma lâmina que tinha visto o amante utilizar. Custava-lhe respirar, quanto mais gritar por ajuda. O seu rosto estava “com o dobro do tamanho” quando a mãe entrou com “três matulões” no quarto para a resgatar.


Maya Angelou fez Tupac Shakur chorar

A carreira de escritora de Maya Angelou arrancou em 1969, com o lançamento de Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola. Mas só mais de vinte anos depois é que o rapper e ator Tupac Shakur viria a conhecer a força inspiradora que tantos lhe atribuíam.

Estávamos em 1993, na rodagem do filme Fugir do Bairro, e Tupac começou a discutir com outro homem. Maya Angelou assistia à discussão sem saber quem eram os intervenientes. Chamou, ainda assim, Tupac à parte e perguntou-lhe: “Quando foi a última vez que alguém te disse como eras importante? […] Sabes como as pessoas eram vendidas e compradas em leilões para que tu possas viver hoje?”

Foi o suficiente para fazer Tupac desabar em lágrimas. A mãe do rapper chegou a escrever a Maya, agradecendo-lhe a conversa que tivera com o filho.

Por: Tatiana Trilho

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