Mas afinal de que falamos quando falamos de novelas gráficas?

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A pergunta justifica-se pelo uso cada vez mais generalizado – e também indiscriminado – da designação, que mais não é do que uma tradução literal do norte-americano graphic novel – a que alguns contrapõem “romance gráfico”, mais próxima do espírito do original, que terá sido utilizada pela primeira vez em 1964, pelo crítico Richard Kyle, e popularizada, a partir de 1978, por Will Eisner que a utilizou na capa do seu livro A Contract with God and Other Tenement Stories.

Hoje em dia, num sentido purista, uma novela gráfica é uma obra completa em si própria, sem limitações de número de páginas, geralmente editada no formato livro, que não utiliza heróis recorrentes, com uma abordagem gráfica e temática vocacionada para leitores mais evoluídos e exigentes.

Mas, em evolução como a própria banda desenhada, nada do que acima ficou escrito deverá ser considerado absoluto ou limitativo para classificar uma obra como novela gráfica.


A “primeira” novela gráfica


Um-Contrato-com-Deus

Um Contrato com Deus

Will Eisner

Através dos habitantes de um bloco de apartamentos onde vivem maioritariamente judeus, Eisner traça um retrato verídico, mas emocional, da vida da comunidade judaica, em particular, e da sociedade norte-americana, em geral, nos anos 1930.


9 novelas gráficas editadas em português que todos deviam ler


O-Diario-do-Meu-Pai

O Diário do Meu Pai

Jirô Taniguchi

Após muitos anos de ausência, Yoichi regressa à sua terra natal para o funeral do pai, para descobrir um homem completamente diferente daquele que pensava conhecer e as razões para as escolhas que fez na vida e provocaram o seu afastamento. Do mesmo autor, há para ler Terra de Sonhos O Homem Que Passeia.

Blankets

Blankets

Craig Thompson

Romance autobiográfico centrado no choque entre a rígida educação religiosa recebida pelo protagonista e a intensidade do primeiro amor adolescente que conduziu à descoberta do desenho como forma de afirmação e razão de viver. Do mesmo autor: Habibi.

Pyongyang-Uma-Viagem-a-Coreia-do-Norte

Pyongyang – Uma Viagem à Coreia do Norte

Guy Delisle

Diário pessoal desenhado e também reportagem, aborda sob a capa de um humor mordaz o absurdo quotidiano da Coreia do Norte e as (muitas) restrições e limites impostos aos estrangeiros, tendo como base a estadia num estúdio de animação local durante dois meses. Do mesmo autor, há para ler Shenzhen – Uma Viagem à China.

Rugas

Rugas

Paco Roca

A chegada de Emílio a um lar de idosos,  quando os primeiros sinais da doença de Alzheimer se começam a manifestar, é o pretexto para a abordagem terna e sensível à velhice enquanto realidade incontornável, mas também estado de espírito. Do mesmo autor: O Inverno do Desenhador e A Casa.

A-Arte-de-Voar

A Arte de Voar

António Altarriba e Kim (desenhador)

Um retrato duro, realista e factual da sociedade espanhola do século XX, balizado pelo nascimento, em 1910, e o suicídio, aos 91 anos, de António, pai do argumentista, e pela sua vida recheada de sonhos desfeitos e ilusões perdidas. Dos mesmos autores, a não esquecer A Asa Quebrada.

1507-1

Daytripper

Fabio Moon e Grabriel Bá

A(s) história(s) da vida de Brás de Oliva Domingos, autor de obituários e aspirante a escritor, num relato sobre vidas, sobre como viver, sobre escolhas de vida, sobre como as escolhas moldam, mudam e condicionam a vida.

Talco de Vidro

Talco de Vidro

Marcelo Quintanilha

Rosângela tem um casamento apaixonado e uma vida socialmente bem-sucedida, mas a sombra projetada pela felicidade da prima pobre e divorciada, vai transformar-se numa compulsão obsessiva e mergulhá-la numa espiral de autodestruição. Do mesmo autor, há para ler Tungsténio.

presas faceis

Presas Fáceis

Miguelanxo Prado

Tendo como ponto de partida o aparecimento de sucessivas vítimas profissionalmente ligadas à banca, este é um relato de tom policial que faz uma denúncia premente de um mal social atual e incontornável, provocado pelas sucessivas crises financeiras e bancárias. Do mesmo autor: Ardalén.

Os-Vampiros

Os Vampiros

Filipe Melo e Juan Cavia

A gestão dos medos por um grupo de comandos em missão na Guiné, durante a guerra colonial: o real, advindo da participação na guerra em que estão mergulhados, e o psicológico, fruto do sobrenatural, do desconhecido, dos pesadelos de cada um.


Por: Pedro Cleto, autor do blogue As Leituras do Pedro

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