Em Revelação: A Tua Mãe*

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A Tua Mãe* nasceu em 2013, fruto da vontade de dar a conhecer textos fora do circuito dos bestsellers. É uma editora sem pressa de chegar a um destino certo. Marta Navarro explica porquê.

Por Catarina Sousa


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Polifonte

Alberto Cinza

É um livro bom para quem gosta de ler e para quem gosta de ler sobre literatura. Estes textos são apelidados por Marta Navarro de “relatórios literários”.


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Dançam; Dançam

Marta Navarro e Paola d’Agostinho

São duas poetisas que escrevem entre si e a própria paginação do livro tenta dar conta deste processo – o poema de uma e de outra estão sempre de frente para o outro, sem lugar fixo. É um desafio do ponto de vista da escrita e da leitura.


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Quiz Show

Kraus G.

Entusiasmámo-noscomaideia de pôr as pessoas a falarem umas com as outras”, explica Marta Navarro, responsável pela editora A Tua Mãe*, criada em 2013. Mais do que editar um género literário específico interessava a esta editora pôr novos textos a circular, dar a conhecer o que se anda a fazer porque, tirando o espaço online, explica Marta, não há grande espaço para as pessoas mostrarem o que estão a escrever, a fotografar e a ilustrar. Foi esta vontade de mostrar e de expor que faz nascer a editora A Tua Mãe*.

Começaram por editar livros de poesia, mas não querem cingir-se a este género. Marta faz mesmo questão de sublinhar que, para esta editora, o importante é guiarem-se por aquilo que conhecem, pelo trabalho das pessoas que acreditam que deve ser publicado. Inclusive, no calendário de publicações já têm previsto um livro de ilustração e dois livros traduzidos: de um poeta mexicano e de uma poeta americana. O ensaio é outro género que Marta gostava de explorar: “Cada vez ligamos menos a estes géneros mais dados a reflexão, consequência do momento em que vivemos. É um tipo de texto que exige uma predisposição diferente para ser lido.”

A INFLUÊNCIA DO DIGITAL E A MUDANÇA NO MERCADO EDITORIAL

Quando questionamos Marta Navarro sobre o impacto do digital na forma como hoje se lê e se escreve, a responsável da editora A Tua Mãe* não atribui todas as culpas ao imediatismo: “Acho que tem tido a sua quota-parte de responsabilidade porque tem feito com que o leitor se torne cada vez mais rápido e prefira ler textos mais curtos. Por outro lado, a evolução que o mercado editorial tem sofrido também poderá ter contribuído para isso – o acentuar da corrida ao bestseller e tudo o que isso traz por arrasto também influencia.” E acrescenta que os poucos hábitos de leitura se refletem sempre naquilo que é produzido, dando o exemplo dos anuários da Assírio & Alvim que, antigamente, tinham dezenas de poetas e cujo último tinha apenas seis.

COM OS OLHOS POSTOS NO FUTURO, MAS SEM PRESSA

Onde gostaria que estivesse a editora daqui a cinco anos? Marta tenta simplificar: “Gostava muito de continuar com a mesma liberdade de movimentos com que estamos a trabalhar agora, mas de preferência com mais recursos financeiros.”

A editora faz a sua própria distribuição e, neste momento, além dos livros estarem presentes nas livrarias Fnac, podem ser encontrados em algumas livrarias independentes porque aqui, sublinha Marta, há também uma ligação mais forte entre livreiro e leitor.

Na fase em que está a editora o processo de edição é lento, mas Marta não se mostra preocupada. “Não temos um sentido de urgência de chegar a algum lado ou fazer nome com a editora. Se não for na literatura que se pode viver tranquilo sem a necessidade de ter de correr para algum lado, não sei onde será.”


“Se não for na literatura que se pode viver tranquilo sem a necessidade de ter de correr para algum lado, não sei onde será”

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