Margarida Rebelo Pinto: “Sei Lá retrata a vida como ela é”

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Literatura de mulheres para mulheres. Um novo género bestseller que chegou a Portugal no final dos anos 90 pela mão de uma autora em particular: Margarida Rebelo Pinto. Foi ela a pioneira deste tipo de ficção mais romântica, com linguagem direta e ágil, à qual muitos chamaram de literatura light. Sei Lá foi a prova do sucesso.

Sei Lá

Sei Lá marcou uma geração. Ainda hoje recebe comentários que evidenciem esse impacto?

Sim, nunca deixei de receber eco do livro na vida dos portugueses, sobretudo pela voz de mulheres. As pessoas falam diretamente comigo ou através das redes sociais. Foi um romance que marcou a geração X porque criou uma grande identificação com a época. Mais do que contemporâneo, era muito atual. Quase 20 anos depois, é interessante folheá-lo e ver o que daqueles tempos ainda permanece.

Quase 20 anos depois, como explica o sucesso do livro?

Existem cinco mulheres retratadas no Sei Lá que representam cinco estereótipos da sociedade portuguesa. Embora fossem do mesmo meio social e da mesma faixa etária, eram muito diferentes. Também existem estereótipos masculinos. Sei Lá retrata a vida como ela é, sem filtros, numa linguagem direta, com humor e agilidade. É o que sinto quando o folheio. Há ali uma leveza, talvez a leveza de principiante, que lhe confere um toque único.

Moldou-a, enquanto escritora, para os livros que viriam a seguir?

Claro, foi um romance muito importante. Sistematizei na narrativa a rapidez dos diálogos, os subentendidos, as reflexões de cada personagem, o jogo de espelhos que existe entre eles. Tudo características que depois desenvolvi ao longo da minha obra de formas diferentes. Foram mais 14 romances! Ainda agora, em Antes Que Seja Tarde, segui a linha narrativa nos diálogos e no jogo de espelhos. Foi um livro muito marcante, também para mim enquanto escritora.

A imprensa referiu-se a este livro como o primeiro de literatura light em Portugal. Diria que foi um fator essencial para que o livro se tornasse um bestseller?

O “light” apareceu para designar uma coisa nova que aparentemente ainda ninguém tinha feito. Sei Lá lê-se com grande facilidade, mas nem todas as pessoas o leem da mesma maneira. Há nuances de linguagem, trocadilhos, subtilezas que só alguns leitores apanham… Mas a literatura também é isso. Não chega a todas a pessoas da mesma maneira. Um livro é sempre muito mais de quem o lê do que de quem o escreveu e talvez seja esse o maior encanto da literatura.

Considera que os livros que escreve pertencem hoje em dia ao mainstream?

Sim, nunca saí desse lugar. Eu escrevo sobre e vida como ela é, com algum romantismo, mas também com humor e por vezes com um certo sarcasmo. Existe sempre o humor a par do amor. E o tanto o amor como o humor são e serão sempre mainstream.

Quantos livros já vendeu em Portugal?

Considerando todas as edições, Sei Lá está muito próximo de alcançar a barreira dos 300 mil livros vendidos.


Por: Carolina Morais
Fotografia: Bernardo Coelho

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