Man Booker 2019: conhece os livros vencedores de Margaret Atwood e Bernardine Evaristo

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O Man Booker 2019 distinguiu dois livros: The Testaments, de Margaret Atwood, e Girl, Woman, Other, de Bernardine Evaristo. Sabe tudo sobre eles.

É mais um prémio em dose dupla. Apenas alguns dias depois de o Nobel da Literatura ter sido atribuído a Olga Tokarczuk e Peter Handke, respetivamente pelos anos de 2018 e 2019, é a vez de o Man Booker, o principal galardão literário do Reino Unido, ser atribuído a dois livros: The Testaments, de Margaret Atwood, e Girl, Woman, Other, de Bernardine Evaristo.

O empate na conquista foi, de resto, a principal surpresa anunciada pela organização, visto que Atwood e Evaristo já eram apontadas há algum tempo como as principais candidatas ao Man Booker deste ano com as suas narrativas que, embora substancialmente distintas na forma, têm em comum o foco em mulheres.

“Penso que nenhum destes livros comunica uma mensagem”, disse um porta-voz da organização. “O que fazem é perguntar importantes questões. De que forma são estas pessoas visíveis na sociedade? Como são contadas as suas histórias? Que aspeto tem a resiliência? Que aspeto tem a coragem numa época de volatilidade e agressão e, acima de tudo, numa época em que as mentiras estão por todo o lado?”

As autoras, que sucedem a Anna Burns (e ao seu Milkman) na conquista do Man Booker, partilharão um prémio monetário de mais de 55 mil euros. Mas o mais importante acaba mesmo por ser a notoriedade que vem com este reconhecimento.

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Man Booker 2019: o que precisas de saber sobre The Testaments

É provável que já tenhas ouvido falar sobre o novo livro de Margaret Atwood, mesmo fora do contexto do Man Booker 2019. Trata-se, afinal, de um dos mais mediáticos livros do ano. A muito aguardada sequela da distopia A História de Uma Serva, publicada em 1985, que entretanto se tornou um autêntico fenómeno de popularidade – particularmente depois de ser adaptada à televisão, numa série de sucesso com Elisabeth Moss no principal papel.

The Testaments continua a história de uma sociedade em que as mulheres férteis deixaram de ter direito aos seus nomes e aos seus corpos, sendo obrigadas a parir filhos para a elite, constantemente sob a vigilância do Estado. No novo livro acompanhamos Agnes e Daisy, duas jovens que, embora não o saibam, são filhas da mesma mãe: Defred, a protagonista do romance original. Mas Atwood desenvolve ainda um terceiro ponto de vista, o da Tia Lydia, que já entrava em A História de Uma Serva.

Tendo recolhido críticas muito positivas desde que foi publicado, The Testaments vale a Margaret Atwood o seu segundo Man Booker, depois de, em 2000, ter sido distinguida pelo romance histórico O Assassino Cego.

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Man Booker 2019: o que precisas de saber sobre Girl, Woman, Other

Com oito romances publicados e uma carreira que, além da literatura, tem passado pelo ensino e pelo ativismo, a inglesa Bernardine Evaristo é a primeira mulher negra a conquistar o Man Booker.

Girl, Woman, Other, o livro que a conduziu a este feito, assume uma estrutura pouco convencional, acompanhando doze mulheres negras, uma por capítulo, numa dúzia de histórias interconectadas que, na sua maioria, refletem as dificuldades por que estas passam – e passaram, visto que algumas das histórias decorrem ainda no século XX.

Ao longo do livro acompanhamos as mais curiosas personalidades. Por exemplo, uma guionista lésbica com pendor para o socialismo, uma internauta inveterada que se identifica como não binária e até uma emigrante que tem como único objetivo impedir que a filha case com um homem branco. Algumas conhecem-se, outras não, mas juntas, tal como apresentadas por Bernardine Evaristo, pintam uma realidade com que muitas mulheres se podem identificar. Talvez por isso esteja a ser um livro tão badalado, ao ponto de valer à autora o seu primeiro grande prémio literário.

Por: Tiago Matos

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