Malala Yousafzai e outras jovens que inspiram o mundo

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Com apenas 20 anos, Malala Yousafzai já tem um livro escrito e uma história que tem conquistado o mundo. Como ela, existem muitas outras jovens que, através das suas conturbadas histórias de vida, nos ensinam a infinidade da força humana. Vem conhecê-las!

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MALALA YOUSAFZAI, nascida no Paquistão no dia 12 de julho de 1997, é uma rapariga inspiradora. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Malalai de Maiwand, uma rapariga de origens humildes, morta num campo de batalha do Afeganistão quando pegou num estandarte para ajudar o pai e o noivo numa guerra contra os britânicos. Neste sentido, indiretamente, Malala incorporou uma heroína já desde o berço. Os pais sempre a incentivaram a formar uma opinião sobre o mundo, e Malala desenvolveu realmente o seu espírito crítico e começou desde cedo a lutar pelos direitos das mulheres à educação no Paquistão, e mais especificamente no vale do Swat, onde passou a infância.

Malala tem dois irmãos, fala pachto e inglês. Começou por captar as atenções do público quando, sob o pseudónimo de “Gul Makai”, escreveu um texto para a BBC onde descrevia a sua vida sob o regime do Movimento dos Taliban do Paquistão (Tehrik-i-Taliban Pakistan) – que encerrou as escolas públicas e proibiu o acesso à educação por parte de mulheres –, bem como as tentativas de recuperar o controlo do Swat após a ocupação militar que obrigou a sua família a mudar-se para áreas rurais.

 

Numa terça-feira semelhante a todas as outras, Malala regressava da escola, com as amigas, num autocarro que as levava de regresso a casa, quando foi baleada por um talibã. Aconteceu no dia 9 de outubro de 2012. Um homem aproximou-se do transporte e perguntou: “Quem é Malala?” Talvez por impulso, as colegas dirigiram-se a ela, denunciando-a. O homem puxou então o gatilho e disparou uma bala em direção ao seu crânio.

O atentado deixou Malala entre a vida e a morte durante algum tempo, mas a vida venceu e fê-la voltar com mais energia do que nunca para lutar pelas causas de sempre. O tiro que tinha o objetivo de a silenciar teve o efeito inverso, fê-la escrever um livro e dar-lhe como título a resposta que desejava ter dado ao talibã no dia 9 de outubro: Eu, Malala.

Desde essa altura que Malala conquista o mundo com os seus discursos, tendo vindo a apelar à paz com diversos líderes mundiais. Acredita que “um livro, uma caneta e um professor podem mudar o mundo” e a verdade é que o seu livro poderá já ter mudado o nosso.

Malala nasceu num país onde se espera que as mulheres cozinhem e sirvam os elementos do sexo masculino, mas, na verdade, a sua luta pelos direitos humanos serve o mundo inteiro. Assim se explica que, no dia 10 de outubro de 2014, tenha sido distinguida com o Prémio Nobel da Paz “pela luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito à educação”. Com apenas 17 anos, Malala tornou-se a mais jovem premiada com um Nobel de sempre.

Mas Malala foi galardoada com muitos outros prémios que reconhecem o seu trabalho. Hoje com 20 anos, vive com a família em Londres, mas sonha com o dia em que poderá voltar ao seu país e ser primeira-ministra.

 

 

O-Diario-de-Anne-Frank

 

Porque-Escolhi-Viver

 

A-Rapariga-Que-Derrotou-o-Estado-Islamico

 

Uma Esperança Mais Forte do que o Mar

 

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Outras jovens incríveis que escreveram livros

As nossas estantes estão cheias de histórias inspiradoras como a de Malala. Desde logo, chega-nos à memória O Diário de Anne Frank, uma obra que mostra o poder que a arte de bem escrever tem na perpetuação de uma das mais marcantes histórias que a Europa tem para contar. Apesar de não ter resistido aos horrores da Segunda Guerra Mundial a fim de nos oferecer o seu testemunho oralmente, ANNE FRANK deixou-nos um conjunto de textos que tornaram o seu diário de guerra uma das mais assombrosas provas do domínio nazi no velho continente e na vida de milhões de pessoas.

Décadas depois, deixamos a Alemanha para retornarmos ao Oriente. Desta vez paramos pela Coreia do Norte, um país que permanece sob secretismo mesmo numa era em que somos bombardeados com informação. Os relatos que contam o que por lá se passa são poucos, pois nem todos os que conseguem fugir têm a coragem de YEONMI PARK. Com apenas 23 anos, esta jovem é uma desertora e ativista dos direitos humanos que escapou da Coreia do Norte através da China em 2007 e se estabeleceu na Coreia do Sul em 2009. A sua família tinha ligações políticas, mas nos anos 90 viu-se obrigada a envolver-se no mercado negro. Descoberto, o pai de Yeonmi foi enviado para um campo de trabalho e a sua família viu-se numa luta constante com a fome. Fugiram então para a China, em busca de uma solução, mas Yeonmi e a sua mãe caíram nas mãos de traficantes de pessoas antes de conseguirem escapar para a Mongólia e, posteriormente, se estabilizarem na Coreia do Sul.

Até encontrarem a desejada paz, Yeonmi e a mãe passaram por uma odisseia conturbada, onde tudo estava contra elas e “só as estrelas as apoiavam”. Hoje, a jovem viaja pelo mundo, promovendo os direitos humanos na Coreia do Norte e defendendo as vítimas de tráfico. Também escreveu um livro, onde relata de forma pormenorizada a sua história. Porque Escolhi Viver mostra, entre outros, o processo de tomada de consciência do “mundo real” vivido por Yeonmi Park, como quando percebeu que não é normal comer plantas selvagens para fazer face à fome ou encontrar pessoas mortas num simples trajeto para a escola.

Outra jovem com uma história de vida incrível é FARIDA KHALAF. Tinha 18 anos quando a sua vida pacata, numa aldeia no Iraque, se alterou para sempre. O Estado Islâmico tomou controlo da sua aldeia e Farida foi separada dos pais e dos dois irmãos para ser vendida num mercado de escravas sexuais. Foi regularmente espancada e violada. Felizmente, a sua história teve um final feliz: conseguiu fugir. Hoje, inspira-nos pela força desmedida que emprega na luta pelos direitos humanos. Está tudo contado no livro A Rapariga Que Derrotou o Estado Islâmico.

Ainda há DOAA AL-ZAMEL, mais uma jovem que, com apenas 21 anos, passou pelo inferno na luta pela sobrevivência. Doaa nasceu na Síria, mas, com o início da guerra, viu-se forçada a fugir com a família para o Egito. Aqui conheceu um rapaz, por quem se apaixonou e ao qual se juntou – com centenas de outras pessoas – na esperança de fugir para a Europa. Só que a embarcação onde Doaa seguia naufragou, e a jovem viu o homem que amava morrer à sua frente. Na verdade, muito poucos sobreviveram ao acidente. Doaa salvou duas crianças, mas ainda andou à deriva quatro dias antes de ser resgatada. A sua história inspirou Melissa Fleming, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a escrever uma biografia: Uma Esperança Mais Forte do que o Mar. Também Steven Spielberg e J. J. Abrams preveem adaptar a história ao grande ecrã num futuro próximo.

Uma história bem diferente é a de RUPI KAUR, uma indiana de 24 anos, atualmente a viver em Toronto, no Canadá. Poeta, escritora e ilustradora, esta jovem celebrizou-se enquanto instapoet, comunicando alguns dos seus pensamentos mais íntimos em trabalhos – escritos e visuais – através das contas de Instagram e Tumblr. Rupi Kaur destaca-se por transmitir desta forma as suas filosofias de feminismo e igualdade de géneros, bem como ensaios sobre violência, abuso, amor e perda. Publicou também, no final de 2014, um livro de poesia intitulado Leite e Mel, que se revelou um grande sucesso comercial.

É mais uma das jovens que nos emocionam com as suas impressionantes histórias de vida. Nem todas têm a coragem de as contar ao mundo, ou talvez ainda não estejam preparadas para o fazer, mas servem de estro para a nossa força. Parabéns à Malala pelo vigésimo aniversário. E parabéns a todas estas jovens incríveis pelas inabaláveis lutas.


Por: Ana Catarina Pinto

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