Luís Quintais: Poesia como meditação sobre o abismo

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Fascinado pelo mundo, o poeta, antropólogo e professor Luís Quintais confessa as suas fontes de inspiração e uma tendência constante, mas necessária, para a autocrítica.

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O Vidro
O Vidro
O seu mais recente livro de poesia, premiado pelo PEN Clube Português, revisita duas décadas de trabalho poético, aludindo a fragmentos de Anna Calvi, António Damásio, Fernando Pessoa e T. S. Eliot.

Arrancar Penas

Arrancar Penas a um Canto de Cisne
Toda a poesia de Luís Quintais compilada num só volume. Uma obra que nos diz que a memória se constrói ao contrário, que se apresenta da frente para trás, “do hipotético presente para o hipotético passado”.
Depois da Musica
Depois da Música
Nesta décima coletânea de poemas, Luís Quintais regressa a uma das suas principais fontes de inspiração: Ficção Suprema, de Wallace Stevens. Reflete sobre as desumanidades do século XX e, entre outras coisas, a modernidade.

“Temo a palavra ‘poeta’. Gosto de ‘pensador lírico’. Porém, quando escrevo poemas, quando reflito sobre isso, quando publico, estou evidentemente interessado em ser lido como poeta.”

Incapaz de se definir, Luís Quintais é, na verdade, um adepto da interdisciplinaridade. Antropólogo de profissão, é também professor na Universidade de Coimbra, ensaísta e o grande vencedor do Prémio PEN Clube Português de 2015 com a obra O Vidro.

Há 20 anos que se dedica ao mundo das letras. “Publiquei muito e nem sempre bem, quase tudo por solicitação de amigos e cúmplices extraordinários. Com tempo, pretendo filtrar o que fiz”, assegura o autor de 48 anos.

Desafios e paixões

Diz que gostava de escrever mais contos, mas que raramente o faz. “Suspeito que nunca escreverei qualquer romance”, suspira. Afinal, é a poesia que o conduz. “Toda a poesia que me interessa é uma meditação hesitante, recursiva, feita sobre o abismo”, esclarece.

E foi esta que o levou a uma outra paixão. “Comecei a tirar fotografias porque muitos dos meus poemas são sobre o ‘ver’. O que vemos, o que não vemos, o que conhecemos, o que não conhecemos, o que está fora do ver, isto é, fora da mente, fora da cognição.”

Observador do mundo

Homem de esquerda, agnóstico, deixa- se inspirar por temas tão díspares como a filosofia de Ludwig Wittgenstein, a poesia do norte-americano Wallace Stevens, a música de Bach e Monteverdi ou o cinema japonês. Nasceu em Angola – “Quando Angola ‘era nossa’ (que horror!)” – mas cresceu e estudou em Lisboa, cidade do coração. Hoje, vive e trabalha em Coimbra, num bairro que diz estar repleto de gente envelhecida e gatos. “Mas gosto de velhos e de gatos”, conclui.


“Publiquei muito e nem sempre bem. Com tempo, pretendo filtrar o que fiz.”


Por: Carolina Morais

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