Lucky Luke: 70 anos e continua mais rápido do que a própria sombra

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A Terra Prometida
Achdé e Jul
Chegou há pouco de mais de um mês esta nova aventura de Lucky Luke. A pedido de um amigo, o herói prepara-se para escoltar uma família de judeus da Europa de Leste até ao Oeste selvagem. Humor e agitação não faltam nesta viagem, que junta um avô extremamente religioso, uma mãe determinada a empanturrar o protagonista, uma rapariga que procura o marido dos seus sonhos e um menino, no mínimo, traquina.

 

O famoso pistoleiro da banda desenhada celebrou este mês o seu 70.° aniversário. Recordamos a sua história, os rivais e os livros que o tornam imortal.

Imagina um cowboy típico do Oeste norte-americano: chapéu na cabeça, camisa, colete, lenço vermelho à volta do pescoço, uma pistola pendurada no cinto e umas botas de cabedal – daquelas com esporas na zona do calcanhar. Agora, coloca-lhe uma palha no canto da boca.

Lembra-te alguém? O Lucky Luke, pois claro! A famosa personagem criada em 1946 pelo cartoonista belga Morris – nome artístico de Maurice de Bévère – assinalou este mês o 70.º aniversário, motivo mais do que suficiente para recordarmos os seus tempos de glória.

Toda a vida o pistoleiro “mais rápido do que a própria sombra” – como é conhecido pelos amigos – perseguiu bandidos na companhia do seu fiel cavalo, Jolly Jumper. E quem se pode esquecer dos irmãos Dalton? Os quatro foras-da-lei que pecam pela falta de inteligência são as mais recorrentes vítimas do nosso herói e acabaram por se tornar, também eles, figuras incontornáveis da banda desenhada. Vejamos como tudo começou.

A história

Lucky Luke surgiu pela primeira vez a 7 de dezembro de 1946 na revista franco-belga Spirou. O guião da personagem passou, anos depois, a depender do imaginário de René Goscinny, um dos criadores de Astérix, que colaborou com Morris até ao ano em que morreu, 1977.

A personagem passou pelas mãos de vários autores e publicações e voltou a sobreviver quando, em 2001, Morris cedeu a uma embolia pulmonar. Daí em diante, e ainda hoje, é o artista francês Achdé quem continua a ilustrar as aventuras de Lucky Luke.

Ao fim de 70 anos, com mais de 300 milhões de exemplares vendidos e traduções para mais de 30 línguas, é um caso sério de sucesso. Queres saber mais sobre este fenómeno da BD?

Os Tios Dalton
Jacques Pessis e Laurent Gerra
Os irremediáveis irmãos Dalton estão na prisão quando recebem a notícia de que são tios de um menino e têm de se responsabilizar pela educação do mesmo. Lucky Luke é incumbido de vigiá-los… O que poderá correr mal?

Lucky Luke Contra Pinkerton
Achdé, Pennac e Benacquist
Depois de uma missão cumprida no México, Lucky Luke regressa ao Oeste para descobrir que um novo herói tomou o seu lugar: Allan Pinkerton. O que irá ele fazer para derrotar o rival?

Subindo o Mississipi
René Goscinny e Morris
Uma das histórias publicadas pelos autores originais de Lucky Luke acompanha a disputa do monopólio da circulação no rio Mississípi por parte de dois capitães. Na corrida que decide o vencedor, um deles requisita os serviços do nosso pistoleiro para garantir que não será vítima de sabotagem.

Palha… ou cigarro?

Aqueles que o conheceram numa fase inicial sabem que, no lugar da palha ao canto da boca, esteve durante muito tempo um cigarro. A partir de 1983 – quando a sociedade já não via os fumadores com tão bons olhos –, Morris deu um pequeno twist ao seu herói, algo que lhe valeu uma distinção da Organização Mundial de Saúde.

Ilustres que passaram pelo Oeste

Nestes 70 anos, Lucky Luke recebeu na sua terra figuras icónicas como o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, o criador das calças de ganga Levi Strauss, ou o famoso fora-da-lei americano Jesse James.

O salto para o ecrã

A história aos quadradinhos deu origem, em 1978, a uma primeira longa-metragem, A Balada dos Dalton (no vídeo acima). Uma das mais famosas adaptações acabou por surgir apenas em 1990, com um filme realizado e protagonizado por Terence Hill – o mesmo ator que, dois anos depois, levou o enredo até ao pequeno ecrã. No novo milénio, houve ainda espaço para dois filmes: Os Dalton Contra Lucky Luke (2004) e Lucky Luke (2009).

Na moda dos videojogos

O imaginário de Morris chegou, com o avançar dos anos, a várias plataformas de jogos, incluindo Game Boy (Color e Advance), PlayStation, computador, Nintendo (Wii e DS) e até telemóveis.

Por: Carolina Morais

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